Um dos
aspectos que diferencia o ser humano das outras formas de existência é a
consciência, ou seja, o conhecimento que ele possui de si mesmo e do mundo no
qual está inserido. O termo homo sapiens
sapiens significa que o homem sabe que sabe, isto é, o que o particulariza
é o conhecimento que ele é capaz de ter sobre ele próprio e sobre o mundo que o
cerca. A consciência pode ser entendida como o resultado da atividade mental
que permite, a partir da percepção que se tem da realidade, estar no mundo com
algum saber sobre ele e, portanto, sobre si mesmo. O processo de
conscientização torna o homem um ser essencialmente relacionado com o mundo e
consigo mesmo. Na relação dialética que se estabelece entre o existir e o
pensar se desenvolve, gradualmente, a consciência que cada indivíduo produz, e
que lhe permite estabelecer uma relação com a realidade de modo a reproduzir
sua existência. Quando a consciência se volta para a interioridade do sujeito,
ela realiza uma reflexão e desenvolve uma “consciência de si”. Quando, por
outro lado, a consciência se concentra nos objetos exteriores, numa atitude que
exige atenção, ela percebe a dimensão da alteridade, ou seja, desenvolve a
consciência do outro. Se, num primeiro momento, a percepção da realidade se
desenvolve de maneira ingênua e irrefletida, o crescimento equilibrado dessas
duas dimensões da consciência (a reflexão sobre si e a atenção sobre o mundo)
pode produzir o que se denomina senso crítico.
MODOS
DE CONSCIÊNCIA
O
desenvolvimento da consciência não envolve apenas a capacidade cognitiva, ou
seja, a capacidade de apreensão intelectual da realidade. Ela envolve os vários
sentidos e as múltiplas formas através das quais o ser humano se relaciona com
o mundo real. Assim, podemos falar de vários modos ou tipos de consciência. É
importante considerar que, de maneira geral, as várias formas de consciência
não se excluem mutuamente e, normalmente, convivem numa mesma época, e mesmo na
consciência de cada pessoa. A radicalização de uma dessas formas de consciência
pode, entretanto, levar um indivíduo a uma concepção que nega explicitamente os
outros tipos ou modos de entender o mundo, como é o caso dos fundamentalismos
religiosos ou ainda de uma concepção cientificista, que nega valor
para qualquer outra maneira de compreender a realidade. Entre os principais tipos ou modos de consciência podemos destacar: a consciência mítica, a consciência religiosa, a consciência intuitiva e a consciência racional. Esta última pode se apresentar como pensamento de base filosófica ou científica.
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