sábado, 26 de dezembro de 2009

Guerra do Afeganistão: EUA aprovam mais verbas e Obama envia mais tropas para o Afeganistão


A Câmara de Representantes (deputados) americana aprovou, por grande maioria, um plano de despesas militares de US$ 630 bilhões para financiar os conflitos no Iraque e no Afeganistão.
O projeto que deverá ser aprovado no dia em que expira a atual atribuição de fundos, e foi aprovado por 395 votos a favor e 34 contra.
A iniciativa disponibiliza mais especificamente US$ 128 bilhões para as despesas bélicas no Iraque e no Afeganistão, mas não deve ser suficiente para cobrir o reforço de tropas em solo afegão, ordenado pelo presidente Barack Obama no início do mês.
O projeto de gastos representa uma vitória parcial para Obama e o secretário de Defesa, Robert Gates, que buscaram eliminar programas indesejados de desenvolvimento de armas, sob oposição de parlamentares que representam as áreas onde eles são fabricados.
Um grupo de 200 marines americanos partiu nesta quarta-feira para o Afeganistão, os primeiros do reforço adicional de 30 mil homens anunciado recentemente pelo presidente Barack Obama, como parte de sua nova estratégia para reverter o crescimento da violência no país.
Nos próximos meses, a cifra de marines nesse país subirá dos atuais 13 mil a cerca de 20 mil. Ao menos 491 soldados estrangeiros morreram no Afeganistão ao longo de 2009. Deles, 304 eram americanos, contra 155 em todo o ano passado.
Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão no final de 2001, depois dos ataques de 11 de Setembro, e desde então mantêm tropas no país.
Os marines enfrentarão uma difícil batalha contra o grupo islâmico radical Taleban no último bastião do grupo, no sul da Província Helmand, a mais violenta do país. O reforço será enviado à cidade de Marja, que é chama de "fim da linha". Os marines retomaram a maior parte do controle do vale do rio Helmand, na maior ofensiva dos oito anos da guerra, realizada em julho passado. Agora, resta apenas Marja, nos arredores da capital provincial Lashkar Gah.
A intenção é que as forças afegãs liderem a operação após meses de extensivo treinamento. Esta é a ideia central da nova estratégia americana para o Afeganistão que, segundo Obama, tem o intuito de acelerar a entrega da responsabilidade sobre a segurança do país para os afegãos e iniciar a retirada das tropas já em julho de 2011.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Direitos Humanos: ONU condena violações dos DH pela ditadura de Mianmar


A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou as amplas violações de direitos humanos em Mianmar em uma resolução adotada nesta quinta-feira.
A resolução sobre a antiga Birmânia, aprovada por 86 votos a 23, com 39 abstenções, "condena veementemente as contínuas violações sistemáticas de direitos humanos e de liberdades fundamentais do povo de Mianmar."
A decisão também apelou para que as lideranças militares de Mianmar libertassem imediatamente a líder da oposição e vencedora do prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar, assim como outros 2 mil prisioneiros de consciência.
Em novembro, o embaixador de Mianmar na ONU, Than Swe, rejeitou a resolução não vinculante, então em forma de esboço, chamando-a de "notadamente deficiente" e pouco mais que "uma nova forma de manter a pressão sobre Mianmar junto a outras sanções".
Swe não foi encontrado para comentar a votação desta quinta-feira.
A condenação dos abusos de direitos humanos na Coreia do Norte, em Mianmar e no Irã se tornaram rotina anual na Assembleia da ONU nos últimos anos.
A votação desse ano aconteceu depois que o investigador especial de direitos humanos da ONU para Mianmar, Tomas Ojea Quintana, denunciou à Assembleia Geral que "a situação dos direitos humanos em Mianmar continuava alarmante".
Representantes de outras nações acusadas de terem históricos ruins na questão dos direitos humanos --inclusive China, Rússia, Líbia, Sudão, Síria, Egito e Zimbábue-- dizem que, no geral, votam contra tais resoluções por se oporem à condenação específica de países.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Direitos Humanos: CIA usou centros de detenção clandestinos na Lituânia


Uma investigação na Lituânia revelou que a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) usou pelo menos dois centros de detenção secretos no país depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em território americano. Uma comissão parlamentar especial da Lituânia concluiu ainda que voos organizados pela CIA para o país em 2005 e 2006 receberam permissão para pousar no país e podem ter transportado suspeitos de integrar a rede extremista Al Qaeda.
Segundo o relatório da comissão, nenhum representante da Lituânia teve permissão para se aproximar do avião e foi sequer informado de quem estava à bordo.
Na Lituânia, pelo menos oito supostos extremistas foram mantidos em um centro no subúrbio da capital, Vilnius, disse o documento. As instalações eram uma antiga escola de hipismo e os suspeitos teriam sido mantidos lá entre 2004 e 2005.
Em agosto deste ano, os meios de comunicação americanos afirmaram que Lituânia, Polônia e Romênia abrigaram centros de interrogatório da CIA. Mas o relatório parlamentar parece ter isentado os líderes políticos do país de responsabilidade por qualquer violação de direitos humanos que possa ter sido cometida pela CIA.
O relatório afirmou que nem o presidente sabia exatamente o que o serviço de inteligência dos Estados Unidos estava fazendo. Mas três funcionários do serviço de segurança serão investigados.
Alegações de uma prisão secreta da CIA no país báltico surgiram em meados deste ano em um documentário exibido na TV americana.
O suposto transporte secreto de possíveis extremistas para interrogatório em uma rede de instalações clandestinas americanas no exterior, sem a supervisão do Judiciário, vem sendo apontado como uma das práticas mais controvertidas do governo do presidente George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001. Críticos da gestão Bush viram nisto uma forma de evitar restrições legais e, em alguns casos, lançar mão de tortura --embora representantes americanos tenham negado tais alegações reiteradamente.
Vários governos estão sob pressão para revelar o que eles sabiam, e as táticas que os americanos podem ter usado continuam desconhecidas.
Até agora, apenas um caso foi a julgamento. Recentemente, um tribunal italiano condenou mais de 20 agentes americanos à revelia por envolvimento no sequestro de um clérigo muçulmano nas ruas de Milão em 2003.
O presidente Barack Obama anunciou logo no início de sua gestão que fecharia a rede de centros de detenção no exterior.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

União Européia: Sérvia apresenta sua candidatura de adesão ao bloco


A Sérvia apresentou nesta terça-feira a solicitação para fazer parte da União Europeia (UE), em um passo alinhado aos governos pró-Ocidente de se aproximar do rico bloco de 27 países.
O presidente sérvio, Boris Tadic, entregou o documento ao primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, diante do comissário responsável pela ampliação do bloco, Olli Rehn. O ato aconteceu em Estocolmo, capital da Suécia --país que ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE.
A solicitação destaca que a decisão de apresentar a candidatura "reflete o consenso da sociedade [sérvia] sobre a orientação europeia" do país e sua entrada na UE.
A medida foi encorajada pelas recentes decisões da UE, que desbloqueou um acordo de pré-admissão com Belgrado e aboliu visto de viagem para seus cidadãos.
A entrada da Sérvia no bloco europeu, contudo, deve seguir um longo caminho burocrático, que pode demorar anos. Um caminho que passa pela prisão de criminosos de guerra procurados pelo Tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para a antiga Iugoslávia. Vários países-membro já disseram que a entrega dos fugitivos é pré-condição para aceitarem a Sérvia.
O tom no governo sérvio, contudo, é de otimismo. "Este é um ponto marcante e uma nova fase que exigirá reformas profundas e dolorosas, mas que beneficiarão, no fim, nossos cidadãos", disse Tadic.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Relações Exteriores do Brasil: Lula afirma que relação com os EUA é excepcional


Em resposta às insinuações de que as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos estão abaladas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão nesta segunda-feira de reforçar elogios a gestão do colega norte-americano Barack Obama. Segundo Lula, a relação entre os dois países é excepcional, mesmo no período no qual o governo americano decidiu privilegiar o comércio com a América Latina, África e Oriente Médio.
Lula disse que Obama continua como uma bela surpresa para o mundo. Nas últimas semanas, autoridades de Brasil e Estados Unidos protagonizaram um embate quanto as propostas de combate ao aquecimento global apresentadas na conferência do clima de Copenhague. Outra dificuldade é a resistência do Congresso norte-americano em aprovar o nome de Thomas Shannon para embaixador do Brasil.
"Eu continuo com muita expectativa com o governo Obama. O povo americano foi muito ousado quando votou no Obama. Ele, como é muito inteligente, sabe que temos que criar as condições para aplicar, na prática, aquela que foi a razão pela qual o governo americano votou no Obama. É importante a gente não esquecer que o Obama é muito novo na política. Ele teve um primeiro mandato no Senado e já saiu candidato à Presidência e foi eleito. Tudo isso leva um tempo de calejamento. Você vai lidar com senadores que têm 20 anos, 30 anos", disse.
Lula afirmou que uma das principais dificuldades de Obama para governar é a articulação com o Congresso. "O Obama tem essa coisa na relação com o Congresso americano que é muito duro e sempre foi duro com todos os presidentes. O Congresso tem muita força. Nós ainda não conseguimos aprovar o embaixador americano pro Brasil. A situação não está muito fácil dentro do Congresso Americano", afirmou.
O presidente confirmou que fez um convite para Obama visitar o Brasil. Lula ainda fez uma provocação ao norte-americano, afirmando que, se ele não atender ao convite, sairá no prejuízo. "Se o Obama vem ou não vem ao Brasil, quem perde é ele. Quanto mais rápido ele vier, mais rápido ele vai ver o que é o nosso país. Um país que tem boas relações com os Estados Unidos. O convite já foi feito logo que ele ganhou as eleições", disse.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Oriente Médio: Tropas iranianas desocupam poço de petróleo na fronteira com Iraque


Tropas iranianas se retiraram parcialmente de um campo petrolífero situado na fronteira com o Iraque, informou neste domingo o porta-voz do governo iraquiano. Ali al Dabbagh disse que o pequeno grupo de soldados iranianos que tomou o campo quinta-feira (17), em uma remota região na fronteira entre os dois países, já não detinha o controle do local de exploração.
"A bandeira iraniana foi baixada. As tropas recuaram 50 metros, mas ainda não regressaram para onde estavam originalmente", em uma indicação de que os iranianos deixaram o campo, mas não o território iraquiano.
Said Maythan, presidente do Comitê de Defesa e Segurança da província de Maysan, onde fica a instalação petrolífera, confirmou, em entrevista, que as forças iranianas se retiraram do campo e acrescentou que os trabalhadores voltaram a seus postos, acompanhados de soldados iraquianos.
O grupo de soldados iranianos, 11, segundo a agência iraquiana Aswat al Iraq, entrou na quinta-feira à noite (17) no Iraque e ocupou o poço quatro do campo petrolífero de Fakka, em uma zona fronteiriça com o Irã. Em reunião extraordinária, o Conselho de Segurança Nacional do Iraque considerou este fato como "uma violação da soberania iraquiana".
Naquele momento, o governo iraquiano solicitou oficialmente ao regime iraniano a retirada imediata do grupo de soldados iranianos do poço, onde também içaram uma bandeira da República Islâmica do Irã.
Há dois dias, o governo iraquiano chamou para consultas o embaixador iraquiano em Teerã e convocou o embaixador iraniano em Bagdá, para pedir explicações.
A situação na fronteira desencadeou uma série de reuniões de emergência. A relação entre as duas nações melhoraram muito desde os anos da guerra, na década de 1980, e desde a queda de Saddam Hussein do poder, em 2003.

sábado, 19 de dezembro de 2009

História da Filosofia: As Teorias do Conhecimento na Filosofia da Idade Moderna


As profundas mudanças ocorridas nessa época abalaram profundamente as concepções medievais sobre o homem e sobre o mundo. No plano filosófico, particularmente em função das transformações ocorridas a partir do desenvolvimento da ciência moderna, os pensadores passaram a questionar os critérios e os métodos para a elaboração de um conhecimento verdadeiro da realidade. As investigações acerca das estruturas do pensamento levaram a definição de duas grandes epistemologias, ou seja, duas grandes teorias do conhecimento: o racionalismo e o empirismo.


O RACIONALISMO

O Racionalismo é uma teoria do conhecimento que se baseia na tese de que, além do conhecimento adquirido pela experiência sensível há, principalmente, o conhecimento pela razão. Essa epistemologia tem como ponto de partida o sujeito pensante e não o mundo exterior e enfatiza a existência de idéias fundadoras do conhecimento. Isso significa que o racionalismo tem como princípio fundamental a existência de idéias inatas, ou seja, o sujeito pensante possuiria certo tipo de idéias que já nasceriam com ele e, por isso mesmo, não dependeriam da percepção de um objeto exterior para existirem. O racionalismo, como princípio epistemológico, está presente no pensamento de filósofos da Antiguidade, como Platão ou Santo Agostinho e é, também, pressuposto do pensamento escolástico medieval, representado em São Tomás de Aquino. O pensador que formulou as bases do racionalismo moderno foi René Descartes. Outros representantes do racionalismo na modernidade foram: Espinoza (1632-77), Malebranche (1638-1715), Leibniz (1646-1716) e Emmanuel Kant (1724-1804).


O EMPIRISMO

O Empirismo é uma teoria do conhecimento baseada no princípio de que, em última instância, a origem de todo conhecimento está na experiência sensível. De acordo com essa corrente epistemológica, não existem idéias inatas e a percepção sensorial é sempre o ponto de partida do processo do conhecimento. Em função disto, os empiristas tendem a valorizar a experiência concreta, a investigação natural e a liberdade de pensamento. Foi na Inglaterra, em especial, que viveram os mais importantes filósofos ligados ao empirismo. Francis Bacon (1561-1626) é considerado um dos precursores do empirismo moderno juntamente com Thomas Hobbes (1588-1679). Apesar de seguirem linhas diferentes de pensamento, outros empiristas importantes foram John Locke (1632-1704), George Berkeley (1685-1753) e ainda Davis Hume (1711-1776).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Aquecimento Global: Resultados da Conferência de Copenhagen são frustrantes


A última reunião da Conferência de Copenhage, na qual Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul e Índia discutiram as metas climáticas terminou sem consenso. Segundo informou a delegação brasileira, o conteúdo do documento final será feito com vistas a um possível acordo apenas em 2010.
Estados Unidos e China, os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, são os principais criadores de entraves para o acordo climático entre os 193 países participantes da 15ª Conferência do Clima, que ocorre desde 7 de dezembro em Copenhague.
Além da discordância entre países emergentes e desenvolvidos sobre estabelecer metas obrigatórias de emissões de gases também para as nações mais pobres --o Protocolo de Kyoto obriga apenas os mais ricos a seguir as metas--, existe a polêmica sobre a criação de um fundo verde.
Os EUA propuseram um fundo bilionário para ajudar os países pobres a lidar com a mudança climática, mas condicionaram a contribuição a uma "transparência" dos países envolvidos e uma possível vigilância. Sobre isso, mais cedo, o presidente Lula disse que o fundo não podia ser usado como "desculpa" para intromissão nos países ajudados. A China também rechaçou um possível controle.
Nesta sexta, antes da última reunião sobre as metas, o premiê chinês faltou aos dois encontros improvisados pelos EUA e enviou um emissário --a atitude enfureceu líderes europeus e Barack Obama.
No começo do dia, o presidente Lula, que há dois dias tentava mediar com o francês Nicolas Sarkozy uma saída do impasse, declarou-se "frustrado" em sessão plenária com líderes mundiais. Na plateia estavam Obama, Gordon Brown, Wen Jiabao, Angela Merkel e outros.
Em discurso duro, feito de improviso e longamente aplaudido, Lula enumerou as ações do Brasil e disse que o país estaria disposto a contribuir para um fundo se isso salvar a conferência.
Já o americano Barack Obama, que tomou seu lugar no púlpito, criticou os países que não aceitam se submeter à verificação de suas ações --crítica velada à China. Os países desenvolvidos usam esse argumento para justificarem sua inação.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Relações Internacionais: Governo golpista dá início a processo para retirar Honduras da ALBA


O governo interino de Honduras enviará nesta ao Congresso um texto para concretizar a retirada do país da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) --grupo que inclui Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, Venezuela e Dominica, Antígua e Barbuda, e São Vicente e Granadinas.
"Hoje, a iniciativa será enviada ao Congresso Nacional. A decisão foi tomada ontem à noite, na reunião do gabinete de ministros, mediante um acordo assinado pelo presidente da República, Roberto Micheletti", ressaltou o ministro da Presidência, Rafael Pineda.
Pineda explicou que a decisão de cancelar a adesão à aliança, capitaneada pela Venezuela, foi tomada porque "alguns países da Alba não dispensaram a Honduras o tratamento respeitoso correspondente a um país" --um recado principalmente ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que apoiou o presidente deposto Manuel Zelaya e chegou a emprestar avião para que tentasse retornar ao país.
Honduras aderiu ao grupo em 25 de agosto de 2008, durante o governo de Zelaya. Sua saída, contudo, não altera a relação comercial --como a compra de combustíveis por meio da Petrocaribe, por exemplo.
Pineda reconheceu ainda que Honduras tem uma dívida com a Venezuela, cujo valor não foi divulgado, que será paga nos termos que foi assinada.
Ele afirma que, na época da criação da aliança, setores negaram "que a Alba tivesse um componente político" associado ao socialismo. Mas, depois, "o tempo se encarregou de confirmar que, sim, havia". Ele lembrou que Chávez chegou inclusive a ameaçar invadir o país após a destituição em 28 de junho de Zelaya.
Segundo o ministro, a decisão final sobre o tema será do Parlamento hondurenho.
Uma reunião de cúpula da Alba na semana passada em Havana acusou o governo dos Estados Unidos de apoiar o golpe de Estado contra Zelaya e reiterou que a aliança não reconhece as eleições de 29 de novembro e que quer a pronta restituição de Zelaya ao poder.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Armamentismo: Irã testa míssil com capacidade de atingir Israel e bases americanas no Oriente Médio


Em mais uma ação provocativa diante dos esforços por diálogo do Ocidente, a TV estatal iraniana anunciou nesta quarta-feira o teste bem sucedido do que chamou de uma versão aprimorada do míssil de longo alcance Sajjil-2.
O míssil, que usa combustível sólido, teria alta velocidade e poderia chegar a 1.930 km de distância, segundo o governo iraniano.
A TV estatal não deu mais detalhes sobre o teste, nem o local onde o míssil teria caído. O alcance do míssil, contudo, permite ao Irã atacar Israel, seu inimigo histórico e que vem alertando para uma reação mais firme caso Teerã rejeite a pressão internacional por sua desnuclearização.
O míssil pode chegar ainda ao sudeste da Europa, com maior precisão do que modelos anteriores.
Segundo o ministro de Defesa iraniano, o general Ahmad Vahidi, citado pela Press TV, o míssil permite fácil maneabilidade.
O Irã intensificou seu programa de desenvolvimento de mísseis nos últimos anos, um dado preocupante para Israel e para os Estados Unidos e seus aliados ocidentais em um momento no qual tentam convencer Teerã a encerrar seu programa nuclear e o acusam de usá-lo com fins militares.
Em setembro passado, o país testou dois tipos de mísseis de longo alcance, dias antes de se encontrar com os líderes de potências para um diálogo nuclear. Os testes levaram à condenação dos países.
Irã, que está sob diversas sanções da ONU (Organização das Nações Unidas), nega a acusação e diz que seu programa nuclear visa apenas geração de energia.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

América Latina: Senado brasileiro aprova entrada da Venezuela no Mercosul


O Senado brasileiro aprovou hoje, por 35 votos contra 27, o Protocolo da Entrada da Venezuela no Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Esse é o último passo legislativo para a ratificação brasileira da entrada de Caracas no grupo, e o protocolo de adesão passa a depender apenas da aprovação do parlamento paraguaio para entrar em vigor. Segundo o próprio protocolo, a entrada passa a valer 30 dias após a última ratificação, e a partir de então a Venezuela tem quatro anos para se adequar ao acervo normativo do Mercosul, que inclui desde regulamentações sobre trânsito de pessoas até normas sanitárias. O mesmo prazo de quatro anos se aplica para a incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, que uniformiza as tarifas aplicadas a produtos importados de países externos ao Mercosul.
De que forma e com quais prazos essa incorporação deve acontecer são questões que estão sendo discutidas por um grupo de trabalho independente, formado por representantes do Mercosul e da Venezuela.
A votação, que tinha sido adiada em diversas ocasiões nos últimos 40 dias, aconteceu em meio a discursos nos quais os partidos de oposição criticaram a figura do presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificando-o de "ditador". Para o senador Marconi Perillo (PSDB), os motivos que justificam o temor sobre a entrada da Venezuela são três: a falta de democracia no país, o desrespeito de Chávez com o senado brasileiro e as agressões aos diretos individuais dos venezuelanos. Outro senador do mesmo patido argumentou que a Venezuela não preencheu até esse momento os requisitos técnicos para ingressar no Mercosul, o que seria motivo bastante para vetar o processo de incorporação.
A argumentação do governo a favor do ingresso do país vizinho teve em Aloizio Mercadante (PT-SP) sua principal voz, defendendo que essa decisão se justifica enquanto um projeto de integração regional. "Isolamento político não resolve os problemas entre as nações", destacou o senador petista, acrescentando que a América Latina é "uma região que muito mais do que a Europa precisa se integrar". Mercadante também destacou a vantagem comercial que significaria a incorporação da Venezuela, descrevendo o país como "sétimo parceiro comercial do Brasil", responsável pelo "maior superávit que temos com o resto do mundo".
O senador petista também indicou que a entrada da Venezuela no Mercosul seria inclusive um benefício para a democracia do país vizinho. "Aqui [no Brasil] temos um presidente com 83% de popularidade e aqui não vai ter terceiro mandato", afirmou o senador, a respeito de Luiz Inácio Lula da Silva, explicando que o Brasil dá o exemplo de alternância no poder.
Também a favor da incorporação de Caracas, Pedro Simon (PMDB-RS) classificou a sessão do Senado como "histórica", já que seria parte do "nascimento" do Mercosul e seria referência para os livros de história quando o bloco for "um órgão de integração real".
O Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul nasceu em Caracas em 4 de julho de 2006, firmado pelos presidentes dos países membros permanentes do bloco e por Hugo Chávez, da Venezuela. Desde então, foi ratificado pelos parlamentos da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, em processo encerrado hoje.
No Paraguai, que ainda não se manifestou, o tema quase foi levado ao Congresso no último mês de agosto. Porém, com medo de que a oposição impedisse a aprovação, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, suspendeu a discussão e o tema continua pendente. No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o protocolo de adesão em dezembro de 2008 (265 votos contra 61, com seis abstenções). Depois disso, o documento passou pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul e, em 29 de outubro, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (12 votos contra 5), abrindo caminho para o último passo, a aprovação de hoje no plenário do Senado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Grandes Batalhas: A Batalha de Waterloo (1815)


Napoleão 1º deixou o seu exílio na ilha de Elba, em 26 de fevereiro de 1815, para retornar à França. Em 20 de março, ele foi recebido com triunfo em Paris. Pouco tempo depois, a Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia decidiram recomeçar a guerra contra Napoleão. O imperador francês aproveitou o entusiasmo na França para organizar um novo exército e, em seguida, marchou com 125 mil homens e 25 mil cavalos para a Bélgica, a fim de impedir a coalizão dos exércitos inglês e prussiano.
Em 26 de junho de 1815, as tropas francesas alcançaram Charleroi. Atrás da cidade, numa encruzilhada, o exército de Napoleão dividiu-se em duas colunas: uma marchou em direção a Bruxelas contra as tropas de Wellington, e outra, sob o comando do próprio Napoleão, em direção a Fleuru, contra o exército prussiano de Blücher.
No cerco das linhas inimigas, Blücher aquartelou-se no moinho de vento de Brye, sem saber que, igualmente a partir de um moinho, Napoleão podia observar, com telescópio, o movimento das tropas inimigas. Às 15 horas do mesmo dia, os franceses começaram a atacar.
O exército da Prússia dispunha de mais de 84 mil homens e 216 canhões, enquanto os franceses tinham 67.800 homens e 164 canhões. Mas os prussianos cometeram um erro grave. Eles confiaram na chegada do exército de Wellington, na parte da tarde, a fim de apoiá-los no combate contra os franceses. Por isso, se entrincheiraram no lugarejo de Ligny para aguardar a chegada dos ingleses.
Os franceses atacaram o lugar com seus canhões. A esperança que os prussianos depositaram em Wellington foi em vão. Os franceses ganharam a batalha. Na mesma noite, Blücher ordenou a retirada para o norte. Os prussianos foram vencidos, deixando 20 mil mortos para trás, mas ainda não haviam sido derrotados definitivamente.
Wellington e sua tropa alcançaram o planalto de Mont Saint Jean, situado na estrada de Bruxelas para Charleroi, em 17 de junho de 1815. Até então, ele ainda não tinha se confrontado com as tropas francesas, porque Napoleão não havia feito novos ataques, depois da vitória de Ligny. Wellington se aquartelou na cavalariça de Waterloo. As fortes chuvas que haviam começado cair à tarde transformaram rapidamente o solo num charco, dificultando o movimento e o posicionamento dos canhões.
Ao cair da tarde, os soldados franceses também alcançaram a fazenda Belle Alliance, na estrada de Bruxelas para Charleroi. Napoleão se aquartelou na fazenda La Caillou e passou a observar como os ingleses se entrincheiravam no planalto. No café da manhã seguinte (18 de junho de 1815), o imperador francês expôs o seu plano de batalha. Ele queria primeiro conquistar a posição ocupada pelos ingleses. Os canhões deveriam atacar o inimigo com fogo cerrado. Napoleão estava seguro da vitória e que derrotaria as tropas de Wellington antes da chegada dos prussianos.
O ataque estava previsto para as nove da manhã, mas sofreu um atraso de duas horas e meia por causa do aguaceiro. Primeiro, os franceses tentaram conquistar o morgadio Hougoumont, mas os ingleses estavam bem posicionados e usaram uma arma nova poderosa contra as fileiras compactas das tropas atacantes. A arma eram as granadas, espécie de balas de chumbo dentro de um invólucro de aço, que podiam ser disparadas a longas distâncias. Os franceses tentaram várias vezes, em vão, tomar Hougoumont, até desistirem às 17 horas. Diante dos muros de Hougoumont ficaram mais de 3 mil mortos.
Enquanto isso, Napoleão dava a ordem de avançar sobre La Haie Sainte para poder atacar os ingleses entrincheirados no planalto. Neste momento, ele já sabia que os prussianos se aproximavam. O comando avançado prussiano chegou, finalmente, ao campo de batalha depois das 19 horas. Para Napoleão, era evidente que tinha de tomar uma decisão e ordenou a sua combativa Guarda Imperial a atacar. A nova arma de destruição em massa atingiu os franceses em cheio. Para piorar a situação das tropas napoleônicas, mais tropas prussianas chegaram pouco depois das 20 horas.
O exército francês ainda tentou fugir, mas a batalha de Waterloo estava decidida. Às 21h30, o prussiano Blücher abraçou o inglês Wellington diante da fazenda Belle Alliance, selando a vitória.

domingo, 13 de dezembro de 2009

África Negra: Presidente de Angola pretende adiar as eleições novamente


O presidente de Angola, Jose Eduardo dos Santos, no poder há 30 anos, indicou nesta quinta-feira que estuda adiar por ao menos três anos as eleições marcadas para este ano --primeiro pleito pós-guerra no país.
Em seu discurso no Congresso Nacional do partido MPLA, em Luanda, Santos disse querer que seu governo sirva seu mandato de quatro anos --o que adiaria as eleições para 2012.
A declaração vem menos de três meses depois de Santos prometer à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, eleições presidenciais "no curto prazo".
Vem também depois do MPLA dizer que usaria sua maioria no Congresso para aprovar uma nova Constituição que permitiria ao presidente e ao Parlamento serem eleitos em um único voto, em vez de votos separados.
"É desejável que o MPLA possa completar seu mandato, que obteve após as eleições do ano passado, para governar o país", disse Santos, diante de aplausos entusiasmados dos cerca de 2.000 membros do partido.
O MPLA ganhou mais de 825 dos votos nas eleições parlamentares do ano passado, as primeiras desde que a guerra de 27 anos no país foi encerrada, em 2002, e a segunda da história do país. Santos disse à época que a eleição presidencial ocorreria já no ano seguinte.
Santos ganhou a primeira eleição presidencial do país em 1992, que ocorreu em meio à disputa entre MPLA e rebeldes do opositor Partido Unita.
O ex-líder da Unita Jonas Savimbi se recusou a aceitar os resultados. Ele foi morto por tropas do governo em 2002.
Os partidos da oposição e grupos de direitos humanos acusam Santos de adiar repetidamente as eleições presidenciais desde o fim da guerra civil para permanecer no poder.
Angola, que é uma das maiores produtoras de petróleo da África, está entre os países mas corruptos do mundo, segundo uma pesquisa da ONG Transparência Internacional.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Relações Exteriores do Brasil: EUA cobram do Brasil pressão por direitos humanos na Coreia do Norte


O enviado especial dos Estados Unidos para os Assuntos de Direitos Humanos na Coreia do Norte, Robert King, disse esperar que a nova embaixada do Brasil no país, inaugurada em julho passado, colabore para pressionar o regime de Kim Jong-il. "Espero que a Embaixada do Brasil faça pressão em favor dos direitos humanos", disse o enviado norte-americano.
"Desejo que possa haver um espaço para o diálogo e para tratar sobre questões de direitos humanos", disse o diplomata, recém nomeado para o cargo pelo presidente Barack Obama. O governo brasileiro abriu a embaixada depois de adiar o evento, por alguns meses, devido aos testes nucleares realizados pelo regime de Pyongyang.
Brasil e Coreia do Norte estabeleceram relações diplomáticas em 2001, e o país asiático abriu sua sede diplomática em Brasília em 2005.
King participou do Exame Periódico Universal da ONU (Organização das Nações Unidas) ao qual a Coreia do Norte foi submetida nesta quarta-feira e pelo qual todos os países do mundo devem passar. Nele, representantes do país respondem a perguntas sobre direitos humanos colocadas por outros Estados-membros.
Em junho passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, diversas ONGs do setor aproveitaram e criticaram o país por sua atuação na instituição. Na época, a ONG Human Rights Watch (HRW) afirmou que o Brasil apoia os algozes ao invés de apoiar as vítimas.
Naquela ocasião, as críticas eram direcionadas justamente ao fato de o Brasil ter votado contra resoluções que condenavam a Coreia do Norte e o Sri Lanka por violar os direitos humanos sob o argumento de que diálogo é mais eficaz do que sanções para fomentar a cooperação com esses países.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Oriente Médio: Síria denuncia manobra israelense para anexar colinas de Golã


O Ministério das Relações Exteriores da Síria denunciou, como um "desafio flagrante" à comunidade internacional, a aprovação preliminar pelo Parlamento de Israel de um projeto de lei que exige a realização de um referendo sobre qualquer acordo de paz que leve os israelenses a abrir das Colinas de Golã, capturadas da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Segundo Chancelaria síria, a decisão israelense, é "ilegal" porque contradiz o direito internacional e resoluções da ONU.
A declaração da Síria foi feita um dia depois que o Parlamento unicameral israelense aprovou, por 68 votos a 22, a obrigatoriedade de referendo, que se aplica também a Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como capital de um futuro Estado, ocupada também em 1967. Os deputados israelenses ainda precisam votar outras duas vezes o projeto. Durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou Cisjordânia, Gaza, Jerusalém Oriental, as Colinas do Golã sírias e o Sinai, devolvido ao Egito após a assinatura de um acordo de paz em 1979.
Um porta-voz do Ministério de Exteriores sírio disse que Israel renovou seu desafio à vontade da comunidade internacional de conseguir uma paz global na região de acordo com o princípio de "paz em troca de territórios". Para ele, Israel desafiou a maioria de seus aliados e amigos, já que a decisão do Parlamento confirmaria que o Estado rejeita a paz e prefere manobras políticas a um acordo. Além disso, destacou que a decisão do Parlamento israelense não tem nenhum valor legal porque contradiz a legislação e às resoluções internacionais que estabelecem como inadmissível a aquisição de um território pela força.
A Síria desmentiu também a afirmação do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que há dois dias afirmou que Damasco tinha retirado a condição de Israel deixar as colinas de Golã para retornar à mesa de negociações. Nesse sentido, o porta-voz sírio lembrou que todos os chefes de governo israelenses, desde o começo de negociações com a conferência de Madri em 1991, se comprometeram a uma retirada completa de Golã até as fronteiras em junho de 1967. A fonte ressaltou que o governo de Netanyahu sabe bem que a Síria não voltará ao diálogo de paz com mediação turca a menos que Israel se comprometa em desocupar Golã.
"A devolução do território sírio ocupado é um direito reconhecido por resoluções da ONU e não objeto de negociação", disse o porta-voz.
A retirada israelense de Golã foi sempre uma condição de Damasco para iniciar as negociações de um acordo de paz. Damasco suspendeu por tempo indefinido as conversas indiretas que mantinha com Israel, com mediação da Turquia, desde maio do ano passado pela ofensiva israelense no começo de 2009 contra Gaza, controlada pelo Hamas, cujo líder máximo, Khaled Meshaal, vive exilado na Síria.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

História do Século XX: A crise do comunismo e a desintegração da URSS


Depois período de governo de Leonid Brejnev (1964-82), que corresponde ao momento de apogeu do modelo econômico planificado, teve início a crise que culminaria com o colapso do comunismo e a desintegração da própria URSS. Entre 1982-85, a União Soviética foi governada por Tchernenko, e depois por Andropov. Com a morte deste último, a direção do país passou para as mãos do líder Mikhail Gorbatchev (1985-91).
Quando Gorbatchev assumiu o poder, o modelo econômico soviético já dava sinais claros de esgotamento: a baixa produtividade do trabalho e da agricultura coletivizada, a escassez constante e a baixa qualidade dos bens de consumo, e a incapacidade do modelo planificado e excessivamente centralizado de acompanhar o ritmo das transformações econômicas que o mundo ocidental passou a viver com a chamada revolução científico-tecnológica.
Forçada a manter os altos gastos militares devido à nova guerra fria desencadeada pelo governo Reagan, a combalida URSS ainda sofria o desgaste provocado pela guerra no Afeganistão. Pressionado pela guerrilha muçulmana, o governo afegão de Babrak Karmal pedira apoio para Moscou que, em 1979, enviou tropas para a região. A guerra no Afeganistão se transformou num pesadelo para as tropas soviéticas, que enfrentaram uma desgatante guerra de gerrilhas contra os mujahedins alojados nas montanhas que tinham o apoio logístico dos EUA e do Irã.
No plano político, a repressão e a censura durante décadas levaram à desmobilização e à apatia da sociedade e a política de partido único, ao eliminar qualquer espaço para a crítica e para a oposição contribuiu para a burocratização e corrupção de um regime que, nessa altura dos acontecimentos, não tinha mais qualquer apoio popular e se sustentava exclusivamente no seu aparato policial e em setores das forças armadas além, obviamente, dos quadros do Partido Comunista.
As reformas de Gorbatchev, que pretendiam reverter esse quadro de crise, através da reestruturação econômica (Perestorika) e da liberalização política (Glasnost), chegaram tarde demais. No fim da década, movimentos separatistas nas repúblicas bálticas e transformações no leste europeu precipitaram o colapso do comunismo. Em 1991 os comunistas tentaram reagir através de um golpe que foi frustrado pela resistência dos reformistas encabeçados por Boris Ieltsin, e no final de 1991 a URSS se desintegrou.

A CRISE DO COMUNISMO NO LESTE EUROPEU
O primeiro país a abrir suas fronteiras para o ocidente foi a Hungria, mas o ponto de partida para a crise do comunismo nos países da Europa Oriental foi a queda do muro de Berlim, em 1989. O fato repercutiu imediatamente em todo mundo. Na China, o Partido Comunista precisou reprimir grandes manifestações pró-democracia, numepisódio que ficou conhecido como “massacre da Praça da Paz Celestial”.
Na Europa, os acontecimentos se processaram num ritmo surpreendentemente rápido e, no ano seguinte, se dava a reunificação da Alemanha e a queda do regime comunista na Polônia, Tchecoslováquia e Bulgária. De maneira geral, os partidos comunistas que governavam esses países mudaram de denominação ou seus quadros se fundiram com outros grupos políticos mas, na prática, continuaram controlando as instituições de poder.
A transição para uma economia de mercado e a realização de eleições pluripartidárias ocorreu de maneira pacífica, com exceção da Romênia, onde o ditador Nicolau Ceaucescu tentou resistir às mudanças e foi derrubado por um levante popular. Ainda em 1990, a Iugoslávia começava a se desintegrar, com a independência da Croácia e da Eslovênia. A reação sérvia aos movimentos separatistas na Bósnia e em Kosovo geraria dois conflitos violentos na região balcânica. Um plebiscito, realizado em 1993, promoveu a separação entre a República Tcheca e a Eslováquia, episódio que ficou conhecido como “Revolução de Veludo”.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Leste Europeu: Oposição contesta o resultado das eleições na Romênia


O principal partido da oposição na Romênia, Social Democrata, contestou a apertada vitória do presidente Traian Basescu no segundo turno das eleições, por cerca de um ponto percentual. O partido diz que o esquerdista e ex-ministro de Relações Exteriores Mircea Geoana ganhou a disputa numa eleição vista como crucial para tirar o país de uma crise política e dolorosa recessão.
"Os romenos votaram por Mircea Geoana, mas o aparato do Estado de Basescu está tentado fazê-lo ser o vencedor através de fraude", disse membro do alto escalão do partido Liviu Dragnea. Ele não forneceu, contudo, maiores detalhes sobre como soube da fraude ou provas de que ela é real. Os apoiadores de Basescu disseram que ele venceu legitimamente, mas não responderam diretamente às acusações.
Com 99,95% das urnas apuradas, Basescu ganhou 50,33% dos votos contra 49,66% de Geoana, segundo os resultados oficiais do Escritório Central Eleitoral. Geoana, que proclamou vitória assim que as urnas fecharam no domingo, não concedeu a vitória. Já seu companheiro de chapa e candidato a premiê, Klaus Johannis, foi mais realista: 'Minha estrada acaba aqui', disse, em entrevista a jornalistas.
Dragnea disse que houve 138 mil votos fraudados --o suficiente para mudar o cenário eleitoral (a diferença de votos entre os dois candidatos é de apenas 70 mil). Ele afirmou ainda que alguns locais de votação alteraram a documentação final, forjando votos, antes de enviar às autoridades eleitorais. Ele citou ainda o que chamou de "turismo eleitoral maciço", ao se referir aos 617 mil votos em centros de votação especiais, muitos dos quais já teriam votado em outro local.
"Nós contestamos a eleição. é um dever democrático para com os 5 milhões de romenos que estão prestes a serem enganados", disse dragnea, em referência ao número de votos de Geoana.
A eleição deste domingo foi uma das mais importantes do país dos Bálcãs desde a era stalinista do ditador Nicolae Ceausescu, há 20 anos. O presidente deverá agora nomear um governo que possa retomar os esforços para cumprir as condições para receber o pacote de ajuda de 20 bilhões de euros do FMI para pagamento de salários do Estado e pensões.
Estas preocupações aumentaram ainda mais depois que Basescu disse que o FMI adiou a missão de revisão do órgão que seria realizada em novembro alegando querer um governo funcional antes do processo. Os analistas dizem que Basescu pode ter dificuldades para formar o governo com outros grandes partidos com os quais teve grandes discussões por medidas anticorrupção no seu mandato de cinco anos.
Um país relativamente pobre dos Bálcãs, a Romênia tem cerca de 22 milhões de habitantes e enfrentou uma grave crise econômica no ano passado pela crise financeira global e políticas econômicas ruins. O país deixou de ser uma das economias de maior crescimento da União Europeia e destino interessante para investidores para uma zona problemática e que necessita de ajuda urgente.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Geopolítica: EUA e Rússia vão acelerar acordo para reduzir arsenais nucleares


Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgaram uma declaração conjunta na qual dizem querer fechar o mais rápido possível um novo acordo de desarmamento nuclear em substituição ao tratado Start, que expira neste sábado. A declaração foi divulgada pelo Kremlin e destaca o desejo bilateral de "manter a estabilidade estratégica entre Rússia e EUA".
"Exprimimos nosso compromisso de continuar a trabalhar juntos e dentro do espírito do Tratado START após sua expiração e temos a firme intenção de assegurar que um novo tratado sobre armas estratégicas entre em vigor o mais rápido possível", enfatizaram os presidentes.
Esta breve declaração conjunta acontece horas antes da expiração do tratado de desarmamento nuclear Start (iniciais em inglês para Tratado sobre Revisão de Armas Estratégicas), um programa de desarmamento nuclear assinado em 1991, no fim da Guerra Fria. Obama e Medvedev concordaram em julho passado com os contornos de um acordo preliminar para substituir o Start (iniciais em inglês para Tratado sobre Revisão de Armas Estratégicas), um programa de desarmamento nuclear assinado em 1991, no fim da Guerra Fria.
O Departamento de Estado americano admitiu a impossibilidade de assinar o novo tratado de desarmamento antes que o Start expire e disse que Washington estabeleceu como meta concluir a minuta do acordo antes do final de ano. As consultas de Genebra, das quais participam cerca de cem especialistas russos e americanos, começaram em 9 de novembro e, ultimamente, têm funcionado de forma quase ininterrupta.
O Ministério de Relações Exteriores russo declarou nesta que os preparativos para a assinatura do novo acordo de desarmamento nuclear que substituirá o Start entraram na reta final. O Kremlin divulgou uma segunda declaração na qual EUA e Rússia cumprimentam Belarus, Cazaquistão e Ucrânia por terem se juntado ao Start. O documento ressalta que a decisão destes três países de renunciar às armas nucleares que tinham herdado da União Soviética após sua desintegração em 1991 representou uma "substancial contribuição" à bem-sucedida implantação do tratado.
"A atitude destes Estados fortaleceu o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, contribuiu para a segurança internacional e a estabilidade estratégica e criou condições favoráveis para os posteriores passos de redução de armamento atômico", diz a declaração.
Moscou e Washington assinaram em Budapeste, em 1994, acordos nos quais garantiam a segurança destes países em troca de abrirem mão do arsenal nuclear herdado da época da Guerra Fria. A declaração do Kremlin diz que ambos os países se comprometem a aplicar as determinações dos acordos depois do vencimento do Start.
O Start impõe limites estritos aos arsenais russo e americano e é considerado vital para o controle de armas estratégicas. Segundo o acordo preliminar, o total de ogivas nucleares de cada país deve ser reduzido até 2016 para entre 1.500 e 1.675, o menor patamar já definido entre os dois países. O acordo anterior previa um total de 1.700 a 2.200 ogivas. Já os mísseis de longo alcance capazes de levar armas nucleares foram revistos para entre 500 e 1.100. O acordo anterior previa um limite de 1.600 mísseis.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

América Latina: Evo Morales ganha eleições na Bolívia e consegue maioria no Parlamento


O presidente da Bolívia, Evo Morales, dedicou sua ampla vitória nas eleições gerais deste domingo aos "governos anti-imperialistas" --um discurso comum ao colega venezuelano, Hugo Chávez. O segundo lugar, o direitista Manfred Reyes Villa, admitiu a derrota e prometeu uma oposição "construtiva", um desafio diante do controle do governista Movimento ao Socialismo (MAS) também no Congresso.
"Este triunfo não é só dos bolivianos. Dedicaremos ele a todos os governos e povos anti-imperialistas", disse Morales, em discurso de vitória.
Morales pediu ainda para os bolivianos se unirem e trabalharem pelo processo de mudança. "Convoco os prefeitos, os dirigentes cívicos que, todavia, se distanciam, os intelectuais, que têm dúvidas, que venham trabalhar pela Bolívia", afirmou o presidente.
Os resultados oficiais devem sair ao longo do dia, mas as pesquisas de boca-de-urna mostram Morales com ao menos 63% dos votos, pouco menos de dez pontos percentuais a mais do que o resultado que obteve nas eleições de 2005. Seu resultado está ainda 35 pontos percentuais a frente de Reyes Villa, do Plano Progresso para a Bolívia (PPB).
As pesquisas mostram também que Morales ganhou em Departamentos (Estados) em que havia perdido nas eleições presidenciais de 2002 e no referendo constitucional realizado no último mês de janeiro, como Cochabamba, Tarija, Chuquisaca.
As pesquisas de boca-de-urna mostram ainda que o MAS levará ainda o controle da Câmara baixa do Congresso e uma maioria absoluta de dois terços do Senado, onde a oposição foi resistente durante seu mandato, vetando medidas esquerdistas e atrasando a votação da nova Constituição.
Com o controle do Legislativo, Morales tem agora o caminho livre para aplicar as reformas esquerdistas de maior poder aos indígenas, programas sociais assistencialistas e o controle estatal da indústria como estratégia de geração de renda e emprego. Os analistas alertam, contudo, que Morales não vai conseguir atrair investimentos sem moderar sua retórica.
"Agora temos o caminho livre para aplicar a primeira Constituição aprovada pelo povo", disse o mandatário.
"Obrigado ao povo boliviano por dar mais cinco anos de governo ao presidente e ao vice-presidente [Álvaro García Linera]. Esta votação não vai ser em vão. Muito obrigado ao povo boliviano, isto nos demonstra que é possível mudar a Bolívia com base no voto", exaltou Morales, encerrando seu discurso com um grito de "pátria ou morte".
Com minoria no Legislativo e enfraquecida diante da grande popularidade de Morales, a oposição deve focar os esforços na disputa pelos governos dos Departamentos na eleição de abril próximo.
O primeiro mandato de Morales foi marcado por uma oposição feroz e confrontos violentos. O candidato a vice-presidente de Villas, o ex-governador do Departamento de Pando Leopoldo Fernández, foi preso como líder do massacre de 11 de setembro de 2008 que deixou 11 pessoas mortas, a maioria camponeses pró-Morales.
O massacre causou a fuga de ao menos três grandes apoiadores da chapa e, agora, Reyes Villa parece preferir um discurso mais pacífico. Ele prometeu "uma oposição construtiva, em defesa da democracia".

domingo, 6 de dezembro de 2009

Relações Internacionais: UE e Mercosul assinam o maior acordo de cooperação entre os dois blocos


A UE (União Europeia) e o Mercosul fecharam neste domingo o maior acordo de cooperação já assinado entre os dois blocos, de um total de 18 milhões de euros destinado ao desenvolvimento sustentável da região, informaram hoje fontes diplomáticas.
A UE colaborará com 12 milhões de euros de fundos não reembolsáveis, e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) fornecerão 6 milhões de euros como contrapartida.
O acordo, assinado no sábado, tem o objetivo de impulsionar o programa de apoio ao aprofundamento do progresso de integração econômica e desenvolvimento sustentável do bloco sul-americano, conhecido como Econormas Mercosul.
O programa tem como principal objetivo apoiar a consolidação do bloco sul-americano e o desenvolvimento sustentável da região, acrescentaram os informantes, por meio da promoção de práticas de produção e consumo sustentável e do fortalecimento da proteção do meio ambiente e da saúde.
Além disso, buscará aumentar o comércio através da convergência de regulamentos e procedimentos técnicos, ressaltou o chefe da Delegação da UE para o Uruguai e Paraguai, Geoffrey Barrett.
Pelo Uruguai, que exerce neste semestre a Presidência pro tempore do Mercosul, o diretor de Assuntos Políticos, Integração e Mercosul do Ministério das Relações Exteriores, Walter Cancela, assinou o acordo.
Funcionários dos outros três países integrantes do bloco também assinaram o tratado.
A cerimônia foi realizada na sede do Mercosul, pouco antes da cúpula do bloco que no dia 8 de dezembro reunirá na capital uruguaia os líderes de Estado dos quatro países-membros, mais alguns dos presidentes das nações associadas.
Na cúpula, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, passará a Presidência pro tempore do bloco à líder argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que exercerá a função durante o primeiro semestre de 2010.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Aquecimento Global: Manifestação em Londres exige acordo entre líderes em Copenhage


Milhares de pessoas se manifestaram neste sábado em Londres a favor de um rigoroso acordo global contra a mudança climática. Elas pressionaram os líderes mundiais para que alcancem esse pacto na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que começa na segunda-feira, em Copenhague.
A reunião, que contará com a presença de mais de 100 líderes de Estado e de governo, será realizada na capital dinamarquesa até 18 de dezembro.
O objetivo é alcançar um acordo para determinar um corte das emissões de gases que provocam o efeito estufa, além de buscar um consenso para fornecer ajuda financeira aos países em desenvolvimento, para ajudá-los a enfrentar os efeitos da mudança climática.
Com a proximidade da cúpula, vários protestos em conjunto, que ficaram conhecidos como "A Onda", reuniram 20 mil pessoas nas ruas do centro de Londres, segundo a Polícia, embora os organizadores cifrem este número em 40 mil.
O ato principal foi organizado pela coalizão "Stop Climate Chaos", formada por grupos como a Oxfam, o Greenpeace, a Friends of the Earth e a WWF. A manifestação saiu da praça de Grosvenor, onde fica a Embaixada dos Estados Unidos, e foi até o Parlamento britânico.
O diretor da coalizão, Ashok Sinha, pediu ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que defenda em Copenhague "um compromisso dos países ricos para reduzir suas emissões em, pelo menos, 40% durante os próximos dez anos".
Sinha também acredita que as nações mais avançadas deveriam "pôr finalmente sobre a mesa o dinheiro para ajudar os países pobres" e "começar urgentemente o processo de substituir o carbono como fonte de energia".
O ministro britânico de Mudança Climática, Ed Miliband, estava presente na marcha e prometeu que o governo de seu país fará o que for possível para alcançar "o acordo mais ambicioso" em Copenhague.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Separatismo: Diplomacia brasileira em Haia reprova independência de Kosovo


O Brasil afirmou nesta sexta-feira, perante a Corte Internacional de Justiça, em Haia, que é contra a declaração de independência do Kosovo feita em fevereiro de 2008, já que entende que o princípio de integridade territorial, neste caso da Sérvia, foi violado.
Representando o país, o embaixador do Brasil na Holanda, José Artur Denot Medeiros, disse que "as instituições de governo provisório [estabelecidas na resolução 1.244 da ONU, datada de 1999] tinham um grau substancial de autogoverno, mas em sua atribuição de poderes não menciona, nem implícita nem explicitamente, o da independência".
Para o Brasil, diante de um fracasso como o que ocorreu nas negociações de paz entre Sérvia e Kosovo, caberia ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), e não ao governo provisório kosovar, decidir sobre uma possível declaração de independência.
Também houve rejeição da Bolívia, e o embaixador do país na Holanda, Roberto Calzadilla, disse aos juízes que a declaração unilateral de independência do Kosovo "não está de acordo com o direito internacional".
Para a Bolívia, a secessão kosovar representou uma violação da resolução 1.244, que não "oferecia ao governo provisório do Kosovo a capacidade de se declarar independente". "O direito de autodeterminação só deve ser contemplado em um contexto de colonialismo", no qual existe uma "ocupação estrangeira" sobre um território, segundo a Bolívia.
Também discursaram na CIJ, nesta sexta-feira, a Bulgária e Burundi. O primeiro defendeu a independência do Kosovo, ao considerar que o caso da Província sérvia é "único". Já Burundi surpreendeu com uma argumentação diferente das apresentadas até o momento.
Sem dizer claramente se considerava legal ou ilegal a independência kosovar, este Estado africano afirmou que, embora os juízes cheguem a considerar que a secessão foi ilegal do prisma do direito internacional, isso não pode ter consequências sobre a "validade" da atual situação no Kosovo.
"A Corte não tem a obrigação de anular a declaração unilateral de independência", disse, em nome do Burundi, o especialista em direito da Universidade de Amsterdã, Jean d'Aspremont.
A CIJ realiza, a partir de 1º de dezembro e até o final da próxima semana, audiências orais com a participação de cerca de 30 países para ajudar os juízes no momento de emitir o que se conhece como uma "opinião consultiva" sobre a legalidade da declaração de independência do Kosovo.
Solicitadas diretamente à CIJ pela ONU, estas opiniões não são formalmente vinculativas, mas costumam ser respeitadas, por serem respaldadas pelo prestígio internacional desta organização judicial.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Terrorismo: Atentado atinge ministros e membros do governo na Somália


Um suicida que usava roupas de mulher detonou explosivos em um hotel na Somália nesta quinta-feira, matando ao menos 14 pessoas --entre elas três ministros de gabinete e dois jornalistas.
Centenas de estudantes e seus convidados estavam reunidos no hotel Shamo, onde ocorria uma cerimônia de graduação para estudantes de medicina, ciência da computação e engenharia da Universidade Benadir.
"O que ocorreu hoje foi um desastre nacional", disse o ministro somali da Informação, Dahir Mohamud Gelle. Ele confirmou que os ministros da Educação, Educação Superior e Saúde morreram na ação. Dois outros ministros de gabinete --Esportes e Turismo-- se feriram.
Entre os três ministros mortos, um era mulher -- Qamar Aden Ali (Saúde). Os outros dois eram Ibrahim Hassan Adow (Educação superior) e Ahmed Abdullahi Wayel (Educação).
Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque, mas há suspeitas de que o atentado tenha sido perpetrado pelo grupo Al Shabab, que mantém laços com a Al Qaeda.
Dois jornalistas também morreram, e outros dois ficaram feridos. A rede de TV saudita Al Arabiya informou que o cinegrafista somali Hassan Zubeir morreu. A segunda vítima do atentado seria um repórter somali que trabalhava para a mídia local.
A Somália é alvo de ataques desde que senhores da guerra depuseram o ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, e passaram a disputar o poder entre si. Um islâmico moderado foi eleito presidente em janeiro, na tentativa de estabilizar o país, mas a violência se manteve.
Em outubro, insurgentes lançaram morteiros contra o aeroporto, no momento em que o presidente embarcava em um vôo, matando 24 pessoas. De acordo com testemunhas, morteiros também foram lançados contra o aeroporto no momento de seu retorno da viagem.
Em setembro, insurgentes islâmicos que se passaram por funcionários da ONU detonaram carros-bomba em uma base de forças de paz da União Africana, matando 21 pessoas.
A Somália vive uma guerra civil e não tem um governo central efetivo desde 1991. O atual governo do presidente Sharif Ahmed, apoiado pelo Ocidente, enfrenta uma resistente milícia insurgente chamada al Shabaab --que os Estados Unidos acusam de servir como braço da rede terrorista Al Qaeda no país.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Oriente Médio: Assentamentos instalados por Israel na Cisjordânia podem inviabilizar Estado Palestino


Palestinos podem ter que abandonar a meta de um Estado independente se Israel continuar com a expansão dos seus assentamentos na Cisjordânia e se os Estados Unidos não agirem logo para impedi-lo, afirmou o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, nesta quarta-feira.
Pode ser a hora de o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, "dizer ao seu povo a verdade, que com a continuação das atividades nos assentamentos, uma solução de dois Estados não é mais uma opção", disse Erekat, em entrevista.
Israel rejeita a ideia de uma anexação de fato da Cisjordânia ocupada, incorporando palestinos como seus cidadãos, argumentando que isso seria uma "bomba-relógio demográfica" que faria dos judeus uma minoria.
Citando o "mapa da paz" de 2003, Abbas fez do congelamento da expansão dos assentamentos israelenses uma precondição para o reinício das negociações com Israel. O plano também prevê que palestinos desarmem grupos como o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, em um desafio direto ao mandato de Abbas.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que se reuniu com os líderes israelense e palestino no sábado (31), pediu, em vão, que Abbas negocie com Israel e resolva a questão dos assentamentos como parte das conversas.
Erekat disse que Hillary --que elogiou uma oferta inédita de Netanyahu de restringir temporariamente a construção de 3.000 residências adicionais em colônias ilegais na Cisjordânia-- está apenas abrindo a porta para que mais assentamentos surjam, nos próximos dois anos.
A alternativa deixada aos palestinos é "repensar a solução de um único Estado onde muçulmanos, cristãos e judeus possam viver lado a lado", disse Erekat. "É muito sério. Este é o momento da verdade para nós".
Erekat disse que o conceito de Binyamin Netanyahu de um Estado palestino independente ao lado de Israel, com poderes limitados de soberania, e sua posição sem compromissos sobre o futuro de Jerusalém são equivalentes a ditar os termos da paz.
Netanyahu disse ao Abbas "que Jerusalém será a capital eterna e indivisível de Israel, que [a questão dos] refugiados palestinos não será discutida, que nosso Estado será desmilitarizado, que teremos que reconhecer o Estado judeu, que o espaço aéreo será de controle deles. Isto é ditado e não negociação", disse Erekat.
Netanyahu e Abbas se encontraram pela última vez em Nova York em setembro passado, em uma reunião mediada pelo presidente Barack Obama.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

América Latina: Presidente eleito do Uruguai diz que vai seguir o exemplo de Lula


O candidato governista José Mujica venceu as eleições deste domingo no Uruguai e afirmou que seguirá durante seu governo o exemplo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
A Corte Eleitoral afirmou que, com 74,53% das urnas contabilizadas, Mujica obteve 881.811 votos contra 730.605 do conservador Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional, que já admitiu a derrota. Os votos em branco somam 38.284 e os nulos 29.747. Pesquisas de boca-de-urna das empresas Cifra, Factum e Equipos Mori já indicavam que Mujica tem 51% dos votos contra 44% de Lacalle.
"O próximo governo vai ser um governo que sempre vai negociar e negociar até o fim, e quando dizemos negociar, significa tentar um acordo, por isso adotei como símbolo o Lula, um gigante da negociação", declarou Mujica ao Canal 10.
Em abril, Mujica já havia indicado em seu site que admirava Lula e que o governo do presidente brasileiro era um exemplo a seguir. "Lula não fez nenhuma revolução, mas tirou 50 milhões de pessoas que estavam mergulhadas na indigência e lhes deu dignidade e esperança", afirmou na ocasião. Lula recebeu Mujica no início de agosto em Brasília.
Mujica, 74, será o segundo guerrilheiro latino-americano a chegar ao poder pelas urnas, depois de Daniel Ortega, na Nicarágua.
No discurso ante seus partidários, Mujica proclamou que não há "nem vencidos nem vencedores" e se mostrou conciliador para com os partidos opositores. "É o mundo do revés, aqui deveriam estar vocês e nós aplaudindo porque esta batalha foi travada por vocês", afirmou.
"Mas também recordemos que há compatriotas que estão tristes e que são nossos irmãos de sangue, e por isso não há nem vencidos nem vencedores!", proclamou.
Também saudou os "irmãos da América Latina, os que representam bem, mal ou regularmente as esperanças frustradas de um continente que tenta se unir como pode; todos nos ligaram para nos dar um abraço, obrigado, irmãos".
O atual presidente, Tabaré Vázquez, festejou com um abraço a vitória de seu candidato e pediu que a "calma, o respeito e a tolerância devem acompanhar todos os uruguaios no que deve ser um festejo geral".
Candidato da coalizão de governo Frente Ampla (FA), Mujica foi recebido pelos simpatizantes com fogos de artifício no momento em que foi votar durante a manhã. No entanto, o candidato se mostrou pouco entusiasmado com o ato.
"Isto não tem emoção, a esta altura é como dançar com a irmã", declarou, acrescentando que dedicava o voto "amigos e amigas que já não estão aqui".
De fato, havia menos fervor nas ruas neste segundo turno, ao contrário do que foi registrado no primeiro, em 25 de outubro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Filosofia Política: O pensamento político de Platão


A tarefa da Filosofia Política consiste em investigar o que é e para que serve o poder político. Nesse campo, os filósofos procuram entender como se constituem e como funcionam as relações de poder. Mas para compreender o pensamento político de Platão é preciso antes conhecer os fundamentos de sua filosofia. A base da filosofia platônica é a contraposição entre o mundo sensível e o mundo das idéias. No homem, essa contraposição está expressa na existência do corpo e da alma. Em sua obra A República, Platão explica que a alma, porção ideal, se dividiria em três partes:
- Racional: A cabeça, que deve reger as outras partes. É a parte que busca o conhecimento, tendo como virtude essencial a sabedoria.
- Irascível: O tórax, parte da impetuosidade. É a parte que se ocupa da defesa e da guerra, tendo como virtude essencial a coragem.
- Concupiscente: O baixo ventre, o desejo, que está ligado às paixões e visa a satisfação dos instintos e dos impulsos. Parte que tem como virtude essencial a moderação ou temperança.
Através da educação o indivíduo seria capaz de atingir as virtudes essenciais correspondentes a cada uma dessas três esferas, respeitando-se a supremacia da porção racional sobre as demais.
A pólis, como reunião de indivíduos, também manifestaria, uma tripartição análoga a que vimos no plano individual, dividindo-se em três grupos sociais:
- Governantes: Correspondente à alma racional, esse grupo seria responsável pelo governo da cidade.
- Guardiões: Correspondente à alma irascível, esse grupo, composto basicamente por soldados seria responsável pela defesa da cidade.
- Produtores: Correspondente à alma concupiscente, se compõe por artesãos, agricultores, criadores de animais, entre outros. Esse grupo tem a responsabilidade pelo trabalho e pela produção econômica.
Seguindo esse raciocínio, Platão demonstra que a justiça na polis dependeria do equilíbrio entre esses três grupos, e a manutenção da hierarquia entre eles. Assim, cada um cumpriria com sua função precípua, estando todos submetidos à autoridade dos governantes.
Assim, a concepção de política em Platão é aristocrática (aristoi=melhores; cracia=poder), ou seja, supõe que a grande maioria não é capaz nem de se auto-governar, que dirá exercer o poder político. O governo dos melhores deveria, então, ser exercido por uma elite (do latim eligere=escolhido), que se destacaria pelo saber.
Com base nisso, é importante destacar que a aristocracia platônica não estaria assentada no poder econômico, mas na capacidade racional dos indivíduos. Para isso, Platão propunha que todos tivessem igual acesso à educação, independentemente do grupo social de que fossem originários. Ao longo de sua formação as crianças seriam submetidas a sucessivas seleções, que as encaminhariam a um dos três grupos sociais de acordo com suas capacidades e méritos.
Fica evidente, portanto, que o regime político defendido por Platão não seria a democracia. Isso é perfeitamente justificável se tivermos em mente a já estudada “alegoria da caverna”: o filósofo se destaca dos demais, saindo do mundo das trevas e da ilusão, buscando a verdade e o conhecimento no mundo das idéias. Percorrido esse caminho, deve ele voltar para dirigir as pessoas que não alcançaram esse ponto. Para Platão, os governantes devem ser filósofos. O rei-filósofo, pela contemplação das idéias conhece a essência da justiça e deve governar a polis.

domingo, 29 de novembro de 2009

Geopolítica: Colômbia boicota reunião da Unasul e coloca tropas na fronteira com Brasil e Venezuela


A pequena participação de titulares marcou a reunião de ministros da Defesa e de Relações Exteriores da (Unasul) União de Nações Sul-americanas em Quito. A ausência de ministros colombianos foi duramente criticada pelo representante venezuelano, que reclamou do "desprezo" da Colômbia pela organização.
Só a metade dos 12 países integrantes do organismo está representada por algum ou pelos dois titulares das pastas. Destes só o Brasil, com Celso Amorim e Nelson Jobim, e Equador, com Fander Falconi e Javier Ponce, participam com os dois.
Apesar do quorum baixo de ministros, o chanceler equatoriano, Fander Falconi, demonstrou confiança em que o encontro será "frutífero" e considerou necessário que os participantes da reunião tenham "convicção integracionista e flexibilidade nos argumentos".
Só essa atitude "nos permitirá tornar a reunião frutífera, adequada e capaz de cumprir a expectativa fundamental traçada pelos nossos chefes de Estado e sobre nossos povos", assinalou o ministro equatoriano.
Por causa das recentes críticas ao governo colombiano, o chanceler Jaime Bermúdez e o ministro da Defesa Gabriel Silva não compareceram à reunião. O governo colombiano disse nesta quinta-feira que não era possível prever se as discussões iriam se desenvolver em tom de "respeito, objetividade e equilíbrio temático" e, por isso, enviou um grupo de técnicos ao encontro.
Presente à reunião, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse que a ausência de ministros colombianos revela um "desprezo" do país em relação à organização.
"[É] um vazio inexplicável, um erro gigantesco, um desprezo pela Unasul", disse Maduro em um diálogo informal com jornalistas, durante o encontro.
"Temos que exigir que se acabem as bases militares estrangeiras em nosso território", acrescentou o chanceler, referindo-se às sete instalações militares colombianas que ficarão abertas para militares e civis americanos que trabalham no país para combater o narcotráfico e as guerrilhas de esquerda.
O acordo militar é um dos temas que serão debatidos pelos delegados da Unasul está uma análise da situação regional marcada pelas tensões entre Colômbia e Venezuela.
Os países do grupo devem discutir se o acordo de segurança não viola a "soberania" e "integridade" dos países da região. Também deve ser debatida a proposta do Peru de um acordo de não agressão na América do Sul.
A Unasul é formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
A reunião em Quito é uma consequência ao acordo na cúpula presidencial dos 12 países-membros que ocorreu em 28 de agosto em Bariloche, na Argentina, em referência ao desenho de Medidas de Fomento da Confiança e a Segurança na região.
A Colômbia criou uma VIII Divisão do Exército, com 16 mil homens, cuja jurisdição envolverá as fronteiras com Brasil e Venezuela. O início das atividades da VIII Divisão foi marcado por uma cerimônia em Yopal, capital do departamento de Casanare, presidida pelo comandante das Forças Armadas, general Freddy Padilla.
A nova Divisão terá a missão de "incrementar o poder de combate para enfrentar a ameaça procedente dos grupos narcoterroristas", especialmente "desarticulando as estruturas do 'Bloco Oriental' das Farc" (guerrilla das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A medida ocorre no momento em que o ministro colombiano da Defesa, Gabriel Silva, denuncia a presença de guerrilheiros das Farc e do ELN (Exército de Libertação Nacional) no território da Venezuela.
"Sabemos que (o líder das Farc) Iván Márquez está na Venezuela, que comandantes de várias Frentes (da guerrilha) derrotados na costa Atlântica (norte) se refugiaram naquele país", disse Silva à rádio Caracol.
A tensão entre Colômbia e Venezuela é crescente desde julho passado, quando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, decidiu "congelar" as relações bilaterais devido ao acordo militar entre Washington e Bogotá. Colômbia e Estados Unidos fecharam um acordo para que militares americanos utilizem sete bases no território colombiano em missões de combate ao narcotráfico e à narcoguerrilha, o que Caracas vê como uma ameaça a sua soberania.

sábado, 28 de novembro de 2009

Crise em Honduras: Anistia Internacional alerta para tensão na véspera de eleição


A AI (Anistia Internacional) advertiu que Honduras se encontra em uma situação de "tensão" e "incerteza" perante o pleito neste domingo (29) e denunciou que as autoridades armazenaram milhares de granadas de gás lacrimogêneo. Javier Zuñiga, chefe de uma missão da ONG que chegou esta semana a Tegucigalpa, disse que puderam constatar a existência "de um perceptível medo perante o que possa acontecer no domingo" à população.
O ativista indicou que o organismo tem informação de que o Governo de Roberto Micheletti adquiriu recentemente "10 mil granadas de gás lacrimogêneo e 5 mil projéteis para as mesmas". Zuñiga indicou que, além disso, foram informados da recente aquisição de um tanque de água pressurizada e assinalou que a organização teme que todo este material possa ser utilizado nos próximos dias. Lembrou que há poucos meses o uso de gás lacrimogêneo provocou a morte de uma pessoa, que sofria de asma, em Tegucigalpa.
"Não sabemos o que vai acontecer, de fato ninguém sabe que pode acontecer antes, no dia e depois das eleições", disse o chefe da missão, que estará até o próximo dia 4 em Tegucigalpa realizando um "inventário dos afetados pelo golpe" e recopilando informação sobre as eleições.
Disse que existe um grande número de rumores sobre supostas ameaças tanto para ir quanto para não ir votar, que o temor a que se produzam incidentes e outros elementos que "podem fazer mudar totalmente o sentido da abstenção". Além disso, advertiu de uma "repressão de baixa intensidade" com a fustigação a membros do movimento de resistência ao golpe de Estado e inclusive a existência de uma carta de uma autoridade militar na qual pede a um prefeito que facilite uma lista de nomes e telefones de seguidores do deposto presidente, Manuel Zelaya.
Evitou pronunciar-se sobre as eleições do domingo, amplamente rechaçadas pela comunidade internacional, mas censurou a forma como o Supremo Tribunal Eleitoral hondurenho pretende empregar políticos e empresários convidados como observadores, perante a ausência dos analistas dos organismos internacionais.
"O trabalho dos observadores é muito técnico, muito qualificado e com um grande desdobramento de meios, o que querem fazer aqui não tem nada a ver com isso", disse.
Zuñiga indicou que até o momento tiveram informação que desde o golpe de Estado, em 28 de junho, morreram entre 20 e 30 pessoas, mas não têm o número de feridos e de detidos por delitos de consciência, porque as autoridades golpistas não têm um registro desses casos.
"O que temos são dados de organismos de direitos humanos, o governo não tem números, o que implica que não tem vontade política para ser transparente com o que está sucedendo", disse.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Energia Nuclear: Agência da ONU aprova resolução que condena programa do Irã


O Conselho da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) aprovou--pela primeira vez desde 2006-- uma resolução condenatória ao Irã por seu programa nuclear e pela falta de cooperação na investigação de suas atividades atômicas. Ontem, o diretor-geral da agência, Mohamed ElBaradei, afirmou que a investigação sobre as atividades de Teerã teria chegado a "um beco sem saída", do qual não se sairia "se o Irã não cooperar plenamente".
O texto exige que Teerã "suspenda imediatamente" a construção de uma nova fábrica de enriquecimento de urânio na cidade de Qom, cuja existência só foi divulgada em setembro. A resolução aprovada --- que será encaminhada ao Conselho de Segurança da ONU-- pede ainda que o Irã dê mais detalhes a respeito dos objetivos da instalação e expressa uma "séria preocupação" de que Teerã continue "desafiando as exigências da comunidade internacional".
O documento exige ainda a suspensão completa do enriquecimento de urânio pelo Irã. Entre os 35 países-membros da junta, 25 votaram a favor, três contra e seis se abstiveram, enquanto o Azerbaijão deixou a sala antes da votação. Os três países que votaram contra são Cuba, Venezuela e Malásia. A Turquia, o Paquistão, o Afeganistão, o Brasil, a África do Sul e o Egito se abstiveram.
O texto, elaborado pela Alemanha em coordenação com as cinco potências do Conselho de Segurança --Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China-- vinha sendo redigido enquanto a AIEA esperava uma resposta iraniana para sua proposta de transferir a maior parte do urânio enriquecido no Irã ao exterior. Em 21 de outubro passado, em Viena, como parte de uma reunião entre o Irã, França, Rússia e os Estados Unidos, a AIEA apresentou um projeto de acordo que permitiria a Teerã garantir a entrega de combustível nuclear para seu reator de pesquisa.
O acordo visa definir os termos do envio de cerca de 1.200 dos 1.500 quilos de urânio enriquecido a 3,5% que o país possui à Rússia, onde deve ser enriquecido até 19,75% de pureza --o suficiente para gerar energia e incapaz de produzir armas nucleares. Para fabricar uma bomba atômica, são necessários cerca de 2.000 quilos de urânio enriquecido acima de 90%.
O urânio enriquecido seria então transferido à França, onde seria transformado em combustível nuclear e depois devolvido ao Irã para uso em um reator científico em Teerã que produz medicamento para tratamento de câncer. Esse reator funcionava até agora com combustível atômico de fabricação argentina, recebido em 1993 e que está acabando. O texto estabelece ainda a supervisão da AIEA sobre o processo.
Segundo a resolução aprovada nesta sexta-feira, a construção sem aviso prévio da nova fábrica na cidade de Qom, a sudoeste de Teerã, e o fato de que o Irã não informou à AIEA sobre a existência da instalação "não contribui para a criação de confiança" entre as partes. A fábrica de Qom levanta suspeitas sobre a suposta existência de "outras instalações nucleares no Irã que não foram declaradas", adverte a resolução.
O Irã reconheceu, em setembro passado, que está construindo em Qom uma segunda planta de enriquecimento de urânio, muito menor que o centro de Natanz, o que causou inquietação na comunidade internacional. A preocupação se deu porque muitos especialistas consideram que o tamanho da instalação - que entrará em funcionamento em 2011-- não é compatível com um programa nuclear civil. Estados Unidos e União Europeia suspeitam que o Irã esteja trabalhando em um programa nuclear militar clandestino, algo que o país nega, alegando necessidades médicas e energéticas para seu programa atômico.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

História do Século XX: Pol Pot e o governo do Khmer Vermelho no Camboja (1975-78)


Em 17 de abril de 1975, quando as tropas do Khmer Vermelho entraram em Phnom Penh, os sofridos cambojanos as saudaram como libertadoras. A euforia durou pouco. Logo começaria a transferência forçada das cidades para o campo, porque para Pol Pot a cidade era a fonte de todo o mal. Os cambojanos deveriam eliminar os vícios "burgueses" e se reeducar com as massas camponesas, como ensinava o não menos ditador da China, Mao Tsé-tung. As primeiras medidas: a moeda local foi abolida, bibliotecas foram transformadas em chiqueiros e intelectuais, profissionais liberais eram sumariamente executados. Calcula-se que 15 mil dos 20 mil professores do país foram mortos, assim como 90% dos monges budistas e um em cada cinco médicos. Até hoje as vítimas do genocídio de Pol Pot são contadas: as estimativas variam de um a três milhões de mortos, num país que tem sete milhões de habitantes.
Pol Pot (nome verdadeiro Saloth Sar), nasceu em 19 de maio de 1928 na Província de Kompong Thom, na então Indochina, dominada pela França. Foi em Paris que tomaria contato na década de 40 com a literatura comunista e o movimento anticolonialista. Em 1953 voltou ao seu país e aderiu aos movimentos clandestinos de independência da Indochina - o Camboja se tornaria independente dois anos depois. Em 1968, liderou os guerrilheiros do Khmer Vermelho em seus primeiros ataques ao governo do então príncipe Norodom Sihanouk, que pretendia manter o país neutro na Guerra do Vietnã. Sihanouk foi deposto e substituído pelo general Lon Nol, aliado dos EUA. Pol Pot tomou o lugar do general em 1975. O Khmer Vermelho cometeu tamanhas atrocidades que o governo comunista do Vietnã, que promovia a reunificação do país após a retirada definitiva dos norte-americanos, acabou por intervir no país vizinho. O regime do Khmer acabaria com a invasão do Camboja por tropas vietnamitas, no Natal de 1978.

Refugiados no Mundo

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