domingo, 26 de março de 2017

Civilização Romana - Cultura Romana [História]

Civilização Romana - Império [Parte 5] [História]

Civilização Romana - Império [Parte 4] [História]

Civilização Romana - Império [Parte 3] [História]

Civilização Romana - Império [Parte 2] [História]

Civilização Romana - Império [Parte 1] [História]

sábado, 25 de março de 2017

AS LUTAS DO POVO BRASILEIRO: A BALAIADA (1838-41)

   A Balaiada foi uma revolta muito característica das rebeliões que marcaram o Período Regencial. A divisão política da classe dominante e sua oposição ao poder central abriram caminho para o levante das camadas populares que fugiram do controle da aristocracia rural e dos comerciantes. Na medida em que o movimento popular ultrapassou os limites que interessavam à elite e deixou de ser um mero instrumento na sua luta pela autonomia provincial, a classe dominante regional abandonou os revoltosos e enfraqueceu o movimento. A revolta acabou sendo controlada por Luís Alves de Lima e Silva. Ao vencer os balaios na cidade de Caxias, ele recebeu seu primeiro título de nobreza, barão de Caxias.

   Na época da revolta, o Maranhão vivia uma crise econômica e quase metade da população, cerca de 200.000 pessoas, eram escravos. Grande parcela do povo era formada por sertanejos miseráveis, além de artesãos pobres. A classe dominante era composta por grandes proprietários rurais e por comerciantes ricos. Juntamente com o pequeno segmento de classe média, a elite estava dividida em dois partidos: os bem-te-vis (liberais) e os cabanos (conservadores). Tal como ocorria no resto do país, os liberais reivindicavam mais autonomia para a província. No Maranhão, ainda era forte a presença dos portugueses, tanto no comércio como no exército e nos cargos da administração publica, o que também desagrava os maranhenses. A revolta popular foi liderada por Manuel Balaio, que era seguido pelos artesãos pobres como ele. Aos balaios juntaram-se vaqueiros, comandados por Raimundo Gomes, o Cara Preta, e milhares de escravos fugidos, que seguiam o negro Cosme.


   A elite liberal apoiou o movimento popular, tentando usá-lo na sua luta contra o poder central e, também, para afastar os lusitanos dos postos que ocupavam e, assim, ocupar o poder. O levante se espalhou pela província e, depois de renhida luta, os balaios tomaram a vila de Caxias, em 1839. No ano seguinte, o governo regencial nomeou Luis Alves de Lima e Silva para ser presidente da província. O futuro Duque de Caxias decretou a anistia dos revoltosos que se rendessem. A elite maranhense abandonou o movimento e quem resistiu foi derrotado. Alguns líderes populares foram presos e outros foram perseguidos até serem capturados e executados. Terminava uma das revoltas populares mais significativas da nossa história, que envolveu as camadas mais pobres da população, enquanto setores da elite dominante se acomodavam numa partilha do poder local

O Pensamento Político de Platão - O Rei-Filósofo [Filosofia]

Platão: A Dicotomia Mundo Sensível/Mundo Inteligível

O Idealismo de Platão - O Mundo das Ideias [Filosofia]

Platão - O Processo do Conhecimento [Filosofia]

sexta-feira, 24 de março de 2017

Platão - O Mito da Caverna [Filosofia]

A Obra de Platão [Filosofia]

O Pensamento de Platão - Contexto Histórico [Filosofia]

República Romana [Parte 5] [História]

República Romana [Parte 4] [História]

República Romana [Parte 3] [História]

quinta-feira, 23 de março de 2017

As três Grandes Correntes da Sociologia Clássica

República Romana [Parte 2] [História]

República Romana [Parte 1] [História]

Civilização Romana - Monarquia [História]

Platão (Introdução) [Filosofia]

O Pré-Capitalismo

Civilização Romana - Origens [História]

quarta-feira, 22 de março de 2017

Civilização Romana [História]

Sociologia Brasileira

PARA QUE(M) SERVE O BLOG DO PROFESSOR EDIR

Olá, Viviane.

Fiquei muito contente ao receber sua mensagem. Respondendo, rapidamente, às questões colocadas.
Comecei o blog com a intenção de transformá-lo, gradualmente, numa espécie de enciclopédia de Ciências Humanas que pudesse apoiar os estudantes em suas pesquisas, trabalhos escolares e ampliação do conhecimento sobre determinados temas. O propósito era difundir o conhecimento acumulado nessas ciências, tão importantes para a formação da cidadania, do pensamento crítico e da autonomia de pensamento. Com o tempo, fui percebendo que isso era muito mais significativo para os alunos do que eu imaginara. Subsidiar os jovens para que possam discernir o que é relevante nessa gigantesca quantidade de dados que as tecnologias disponibilizam e organizar essas informações como conhecimento que lhes permita compreender melhor a si mesmos e ao mundo no qual estão inseridos, para que possam agir de modo cada vez mais consciente. Além disso, me dei conta, também, de como o blog se tornou importante para muitos alunos que não podem ter acesso a um ensino de qualidade por falta de recursos ou por viverem em lugares distantes de centros de ensino. Hoje, estou intensificando o trabalho e procurando utilizar as recentes tecnologias de informação para atingir mais pessoas e, juntamente com os materiais de livre acesso, pretendo oferecer alguns dos materiais que produzi nos últimos anos (livros e cursos). Pretendo, gradativamente, transformar o blog em uma plataforma que permita envolver o trabalho de outros professores. Esse projeto é o primeiro passo para a criação de uma escola virtual de estudos em Ciências Humanas que pode se articular com projetos semelhantes de Ciências da Natureza, Linguagens, Matemática. Uma escola alternativa para o futuro, que seja capaz de se autossustentar e possa contribuir para melhorar o mundo.
Saudações
Prof. Edir

Precursores da Sociologia - Herbert Spencer

O Racionalismo Moderno[Filosofia]

Precursores da Sociologia - Augusto Comte

Precursores da Sociologia - Saint-Simon

domingo, 19 de março de 2017

Cultura Grega [Parte 4]: Literatura e História [História]

Cultura Grega [Parte 3]: A Arquitetura [História]

Cultura Grega [Parte 2]: O Teatro [História]

Cultura Grega [Parte 1]: Religião e Mitologia [História]

Precursores da Sociologia

Sócrates e os Sofistas [Filosofia]

sábado, 18 de março de 2017

Os Precursores Do Pensamento Sociológico

O Estruturalismo [Sociologia]

Friedrich Nietzsche - Parte 1 [Filosofia]

SÓCRATES - Um marco na História da Filosofia

Sócrates (470—399 a.C.) nasceu nas proximidades de Atenas e é considerado um verdadeiro marco na história da filosofia. Não deixou nada escrito e o que sabemos dele e de seu pensamento nos chegou através de seus discípulos, como Platão e de outros filósofos. Sócrates, porém, nunca pretendeu elaborar uma doutrina ou coisa semelhante. O que esse pensador inquieto fazia era perguntar coisas diferentes e, muita vezes, embaraçosas. O que é a verdade? O que é a justiça? O que é o bem? E a coragem? E a beleza? E assim por diante.
Embora não vendesse seus conhecimentos, tal como os sofistas Sócrates também voltou suas reflexões para a problemática do homem e se dirigia aos jovens nas praças e lugares públicos. Ensinava que era preciso aproximar a vida material e espiritual, unir a realidade concreta ao pensamento, o saber ao fazer. Para ele, a consciência intelectual (razão) e a consciência prática (moral) deviam se tornar um só “eu consciente”. Nesse ponto, Sócrates discorda radicalmente dos sofistas, quanto ao seu relativismo moral ou sua disposição de usar a retórica para atingir interesses particulares. Queria descobrir o significado verdadeiro das coisas e não se contentava com as aparências ou conveniências. Buscava encontrar a essência do homem e acreditava que através da razão podemos chegar à verdade. Só que para isso, afirmava ele, antes de mais nada o homem deve buscar o autoconhecimento. “Conhece-te a ti mesmo” costumava dizer o grande sábio aos discípulos.
Sócrates utilizava como método para desenvolver sua filosofia o chamado diálogo crítico com seus interlocutores. Esse se dividia em dois momentos: a ironia (interrogação) e a maiêutica (trazer à luz). No primeiro momento, o filósofo indagava as pessoas sobre aquilo que ela pensavam saber. Argumentando habilmente ele desfazia, aos poucos, as certezas de seu oponente e mostrava as incoerências de suas afirmações. Através da ironia, portanto, Sócrates demolia os preconceitos e a presunção de seu opositor fazendo-o perceber a contradição ou limitação de suas idéias. Mas fazia isso com humildade e consciência da própria ignorância. “Só sei que nada sei” reconhecia o filósofo. Liberto do orgulho e da pretensão de que algo ou tudo sabia, seu interlocutor tinha, agora, a possibilidade de começar a construir suas próprias idéias e a formular suas concepções de maneira mais fundamentada e coerente. Nesse segundo momento, a maiêutica, Sócrates ajudava seus discípulos propondo-lhes uma série de questões que metodicamente colocadas, lhes permitiam conceber uma nova visão das coisas, purificada pela crítica. 
Acusado pelas autoridades de Atenas de desrespeitar os deuses e corromper a juventude com suas idéias e comportamento, foi condenado a abandonar a cidade ou beber cicuta (veneno). Enfrentou o julgamento altivo e imperturbável. “Estás enganado se pensas que um homem de bem deve ficar pensando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida ou de morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos ou injustos, corajosos ou covardes” teria afirmado ele aos seus acusadores e discípulos. Viveu de acordo com sua consciência e morreu sem renunciar aos seus valores e idéias.

Friedrich Nietzsche - Parte 2 [Filosofia]

Revolução Industrial: Ideologias Do Movimento Operário

Revolução Industrial: Origem Da Classe Operária

Filosofia Pós Moderna - Michel Foucault

sexta-feira, 17 de março de 2017

Período Clássico: A Guerra do Peloponeso [História]

Revolução Industrial: Movimento Operário

OS SOFISTAS [Filosofia]

Em meados do século V a.C., a Grécia vivia seu momento de esplendor, especialmente depois da vitória sobre os persas, numa guerra que se prolongou por décadas. Atenas estende sua influência sobre todo o mundo grego e transforma-se na “escola da hélade”. O comércio e o artesanato trouxeram enorme prosperidade e a cidade passou a atrair sábios e artistas. Assentada numa base econômica escravista, onde os “instrumentos vocais” realizavam todo tipo de trabalho e produziam toda a riqueza, a democracia ateniense atingia seu apogeu. Os poucos cidadãos livres de Atenas podiam, então, se dedicar ao ócio, ao esporte, à guerra ou aos assuntos da pólis. Foi neste contexto que surgiram os sofistas e, também, um pensador que seria um marco na história da filosofia: Sócrates.



Os primeiros filósofos haviam voltado seus esforços para uma compreensão racional dos fenômenos da natureza. Agora, numa nona fase, a filosofia começava a voltar-se para o próprio homem e para as questões da sociedade. Os sofistas foram sábios e professores que se instalaram em Atenas e vendiam ensinamentos práticos de filosofia, de acordo com os interesses de seus alunos. Preparavam seus discípulos para a participação nos assuntos públicos e negócios privados, ensinando eloquência, oratória, raciocínio lógico e técnica de argumentação. Procuravam dar ao conhecimento um caráter prático e útil para as pessoas resolverem seus problemas ou atingirem seus objetivos. Isto levou os sofistas a uma concepção relativista das coisas, já que para eles, não existiria uma verdade absoluta. Tudo, segundo eles, é relativo à cada indivíduo, sociedade ou cultura em determinado momento histórico. As opiniões humanas são tantas e tão diversas, pensavam eles, que não poderiam ser reduzidas a uma única verdade. Suas idéias fundamentavam-se, portanto, numa visão bastante flexível do homem e da sociedade. Filósofos como Platão criticaram os sofistas, acusando-os de serem impostores e manipuladores, capazes de iludir e enganar as pessoas com raciocínios aparentemente corretos, mas que, de fato, são falsos ou inconclusivos. Em outras palavras, o sofista seria um mero mercenário do conhecimento, mestre na arte de convencer ou persuadir as pessoas, sem qualquer compromisso ou preocupação com a verdade.

PROTÁGORAS DE ABDERA (480-410 a.C.), nascido no litoral da Trácia, mudou-se para Atenas onde ensinou durante muitos anos. É considerado o primeiro e, também, o mais importante dos sofistas. Sua doutrina tinha por princípio básico a idéia de que o homem é a medida de tudo o que existe. Todas as coisas seriam relativas às disposições do homem, isto é, o mundo é aquilo que o homem constrói e a realidade é o que ele compreende como tal. Além disso, cada povo e cada cultura tem uma moral própria e uma visão diferente do que é certo e do que é errado, do bem e do mal, do belo e do feio etc.

GÓRGIAS DE LEONTINI (487-380 a.C.) , discípulo de Protágoras, é considerado um dos maiores oradores de sua época. Levou o subjetivismo relativista de seu mestre ao extremo, a ponto de defender um ceticismo absoluto. Górgias entendia que tudo no mundo é circunstancial e que, por isso, qualquer hipótese pode ser virtualmente defendida. Afirmava que nada existia e, se existisse, não poderia ser conhecido ou comunicado.

Revolução Industrial: Exploração da classe trabalhadora

Período Clássico: As Guerras Médicas [História]

O Modo de Produção Escravista [Sociologia]

Os Clássicos Do Pensamento Sociológico

Período Clássico: Atenas - Século de Péricles [História]

Revolução Industrial - Aspectos Sociais

Filosofia Pós Moderna [Parte 2]

O Existencialismo [Parte 2] [Filosofia]

O Existencialismo - Contexto Histórico [Filosofia]

quarta-feira, 15 de março de 2017

As causas da Revolução Industrial

Revolução Industrial - Aspectos Econômicos [Parte 1] [Sociologia]

Atenas: Classes Sociais e Instituições Políticas

Esparta: Classes Sociais e Instituições Políticas

Epistemologia: Racionalismo e Empirismo [Filosofia]

Civilização Grega: Atenas e Esparta

Condições Históricas para o Surgimento da Sociologia

Civilização Grega - Período Arcaico [Parte 1]

terça-feira, 14 de março de 2017

A Sociedade do Brasil Colonial [Sociologia]

O que é Sociologia [Sociologia]

Estudo da Sociologia

Período Homérico [História]

Sociologia Geral [Sociologia]

Civilização Grega - Período Pré-Homérico [História]

Antiguidade Ocidental [História]

segunda-feira, 13 de março de 2017

Os Filósofos Pré-Socráticos [Parte 4] - Demócrito e Empédocles

Os Filósofos Pré-Socráticos [Parte 3]: Heráclito e Parmênides

Os Filósofos Pré-Socráticos [Parte 1]

Os Filósofos Pré-Socráticos [Parte 2]

A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE DE CLASSES

As transformações que ocorreram ao longo do neolítico fizeram desaparecer, aos poucos, o comunismo primitivo que caracterizou a sociedade pré-histórica. Surgiram instituições como a família, organizada em forma de clãs sob a autoridade patriarcal. O clã era constituído por todas as pessoas que descendiam de um mesmo antepassado e estavam ligadas entre si por laços de parentesco. O membro mais velho, o patriarca, exercia uma autoridade política, jurídica e religiosa sobre o grupo. A união de vários clãs, distribuídos em várias aldeias, formava uma comunidade maior que era a tribo.

Em determinadas circunstâncias, que constataremos no estudo das primeiras civilizações, a produção de excedentes econômicos (certa abundância e a possibilidade de armazenar alimentos) permitiu a gradativa separação entre o trabalho braçal e o trabalho intelectual ou especializado em funções dirigentes. Enquanto a maioria da população continuou vinculada ao trabalho produtivo direto, na agricultura, no pastoreio ou no artesanato, alguns passaram a exercer funções administrativas, religiosas, militares.

Por outro lado, esse grupo dirigente, que vai se reproduzindo aos poucos como uma classe dominante, foi se apropriando de parte das terras e rebanhos que, até então, constituíam propriedade coletiva de toda a comunidade. O surgimento da propriedade privada conjugada com a separação entre o trabalho manual e o intelectual originou as primeiras diferenciações dentro da sociedade. Esse processo levou ao aparecimento das classes sociais e, portanto, ao gradativo desaparecimento da sociedade comunal (igualitária).

Em outras sociedades, como entre os gregos e os romanos, a divisão desigual da terra comunitária entre as famílias que formavam um clã também levou, com o tempo, ao aparecimento de uma sociedade de classes. Outro fator que contribuiu para acentuar essa tendência foi o surgimento da escravidão. Seja pela guerra, quando se escravizam outras populações ou povos vizinhos depois de derrotá-los, seja pela instituição da escravidão por dívidas, que permitia escravizar aqueles que, dentro de uma comunidade, não conseguiam pagar seus credores.

Com a formação das primeiras sociedades estratificadas e hierarquizadas surgiram duas instituições importantes que marcaram a passagem para a civilização: o Estado, dirigido por altos funcionários e chefes guerreiros, cuja função passou a ser a defesa e a manutenção da ordem interna (e a conquista externa) e a religião, controlada por uma casta de sacerdotes, que refletiu a passagem de uma época em que ainda era muito precário o domínio sobre a natureza (“espíritos” bons ou maus habitavam todas as coisas), para uma fase em que o homem passou a acreditar que poderia influenciar os acontecimentos através do culto aos deuses e da realização de rituais.

A formação do Estado, e com ele o surgimento dos primeiros registros escritos feitos pelo homem, marca o aparecimento das primeiras civilizações. Nessa época, ou seja, no IV milênio antes de Cristo, a substituição de instrumentos de pedra por instrumentos, ferramentas e armas de cobre, de bronze e, depois, de ferro assinalam o início da Idade dos Metais, que se prolonga pelo período histórico propriamente dito. Por volta de 3.200 a.C., no sul da Mesopotâmia (atual Iraque) nasceram as primeiras cidades, centros religiosos em torno de um templo, local de intenso comércio e artesanato especializado. A “revolução urbana” coincide, portanto, com a passagem da barbárie para a civilização e o início da História.

Filósofos Pré-Socráticos (Introdução) [Filosofia]

O Surgimento da Filosofia [Parte 2]

O Surgimento da Filosofia [Parte 1]

Origens da Filosofia [Filosofia]

domingo, 12 de março de 2017

Filosofia Antiga [Filosofia]

História da Filosofia [Filosofia]

Paleolítico [História]

A PRÉ-HISTÓRIA [História]

Durante o longo período denominado Paleolítico (600.000-10.000 aC.), também conhecido como estágio da selvageria, os antepassados do homem sobreviveram graças a uma economia coletora. Viviam em bandos ou hordas que praticavam o nomadismo, usando cavernas como abrigo e se alimentando da coleta de frutos e raízes, da caça e da pesca. Os homens primitivos utilizavam instrumentos rudimentares de pedra lascada e aprenderam a usar o fogo encontrado na natureza. Ambos tiveram enorme importância na sua evolução biológica, além de complexas implicações no plano psicológico e no processo de socialização.

Na fase final do Paleolítico, além de já existirem alguns instrumentos mais sofisticados (como arco e flecha) aparecem também manifestações de uma incipiente vida espiritual. Ritos funerários parecem indicar o surgimento de uma crença na vida pós-morte e monumentos megalíticos sugerem, para muitos, o que seriam os primeiros templos. Outras importantes manifestações do Paleolítico Superior, que atestam uma significativa capacidade de abstração, são a magia simpática, prenúncio de um sentimento religioso, e a pintura rupestre, que anunciava o surgimento da arte. Pinturas feitas nessa época ainda são encontradas em cavernas localizadas em diversas partes do mundo.

No período conhecido como Neolítico (10.000-4.000 a.C.) começou a se estabelecer um gradativo domínio do homem sobre o meio ambiente. A descoberta da agricultura e a domesticação de animais promoveram a passagem para uma economia produtora. A partir das mudanças que Gordon Childe denominou “revolução neolítica”, o homem passou a produzir, através do trabalho, as condições materiais de sua existência e um conhecimento cada vez maior da natureza.

O desenvolvimento da agricultura se deu primeiramente no Egito, na Mesopotâmia, na Índia e na China. Nessas regiões, populações foram se fixando em terras férteis próximas aos grandes rios e teve início um processo de sedentarização dos grupos humanos. Nas comunidades neolíticas, normalmente as mulheres, que antes eram coletoras, passaram a cultivar a terra, enquanto os homens, que antes caçavam, foram se dedicando ao pastoreio.

Esse estágio cultural, conhecido como fase da barbárie, também foi marcado pela invenção da cerâmica e das técnicas de fiação e tecelagem. Os instrumentos de pedra lascada foram sendo substituídos por instrumentos e armas de pedra polida, que eram mais diversificados e eficientes. A invenção da roda, por sua vez, revolucionou o transporte terrestre enquanto a construção de canoas, jangadas e barcos permitiu a navegação fluvial e marítima.

O desenvolvimento de uma economia produtora, a partir da “revolução agrícola” e do desenvolvimento da pecuária e do artesanato, permitiu a normalização e a organização regular das condições de reprodução da vida humana e o primeiro “salto” de crescimento demográfico experimentado pela humanidade. Além disso, tornou possível a produção, pela primeira vez, de um excedente econômico que favoreceu uma maior divisão e uma verdadeira especialização do trabalho.

A capacidade de produzir excedentes alimentares, aliada à gradual especialização do artesanato, teve também outro desdobramento importante: o desenvolvimento das trocas que prenunciaram o comércio. Ainda no neolítico, já existiam rotas mais ou menos regulares que ligavam regiões próximas ou mesmo mais distantes, o que contribuía para difundir, também, técnicas, conhecimentos, crenças e idéias.

O que é História [História]

Pré-História [História]

A Origem do Homem [História]

CONSCIÊNCIA RELIGIOSA [Filosofia]

A consciência religiosa coincide com a consciência mítica por seu caráter metafísico, ou seja, ambas buscam explicações para a existência das coisas num universo não material. Esses dois modos ou tipos de consciência compartilham uma concepção do mundo baseada em elementos sobrenaturais, como a existência de um ser supremo criador, superior, inteligente e divino. A religião, provavelmente, é uma forma de consciência que deriva e ultrapassa a consciência mítica, embora possa conviver com ela. Normalmente, passa a incorporar os aspectos morais/éticos de maneira mais explícita, em especial nas religiões monoteístas. A consciência religiosa, ao longo da história, também dialogou e conviveu com os saberes da ciência e da filosofia, que são modos de consciência que se apóiam nos conhecimentos produzidos pela razão. A diferença da consciência religiosa com relação a outros modos de consciência está, sobretudo, no fato de que ela se baseia em verdades que foram reveladas e se sustentam somente na fé. As pessoas, de maneira geral, crescem aceitando sem questionar as explicações dadas pelos mitos da sua cultura ou pela sua religião, não só para a realidade física do mundo, mas também para os papéis e a posição que lhes são determinados nessa formação social, como se tudo fosse parte de uma ordem natural e inevitável das coisas. Nesse sentido, os mitos e a verdade revelada numa religião nunca podem ser questionados ou contestados.

Consciência Religiosa [Filosofia]

REFORMA DO ENSINO MÉDIO

CONSCIÊNCIA MÍTICA [Filosofia]

A consciência mítica é constituída por narrativas e ritos tradicionais, parte integrante da cultura de cada povo (principalmente povos primitivos), que utilizam elementos simbólicos para explicar a realidade e dar sentido à existência humana. Eles descrevem, de maneira fantástica e alegórica, acontecimentos que teriam ocorrido num tempo primordial, explicando a origem das coisas da natureza e dos próprios homens. Segundo os mitos, a ação de entes sobrenaturais ou as façanhas de seres heróicos fizeram a realidade existir, tal como ela é. Embora não seja um conhecimento de tipo racional, o mito constitui uma forma de explicar a realidade, de transmitir valores e de atribuir significado à vida humana. A consciência mítica relaciona o humano com o sagrado e o natural através
de processos simbólicos e de uma linguagem metafórica. Através deles, os homens criaram meios para lidar com os desafios que a natureza lhes colocou, gerando uma sensação de amparo ou segurança frente à vida. Por intermédio de ritos sagrados as comunidades afirmavam e renovavam sua aliança com as forças da natureza, ou tentavam aplacar seus males. A consciência mítica tem, portanto, um caráter prático e um sentido operativo, transmitindo conhecimentos, valores, noções e padrões de conduta importantes para a reprodução de uma formação social e sua relação com o meio ambiente. Por isso mesmo, os mitos e as lendas são sempre ricos em ensinamentos e reflexões sobre o homem e sua condição no mundo, embora representem isso por metáforas e alegorias. Eles sempre falam da origem do mundo, do homem, das plantas e animais com os quais ele convive, mas também sobre o significado da vida e da morte, das leis e dos costumes, etc.

Consciência Mítica [Filosofia]

Os Fenícios [História Antiga]

Os Persas [História Antiga]

sábado, 11 de março de 2017

Idade dos Metais [História]

Consciência e Modos de Consciência [Filosofia]

Formas de Consciência [Filosofia]

A CONSCIÊNCIA E SUAS FORMAS (Filosofia)


A CONSCIÊNCIA DE SI E DO MUNDO

O que melhor diferencia o ser humano das outras formas de existência é a consciência. Se a Antropologia e a Ciência, de modo geral, se referem ao homem atual como homo sapiens sapiens, isso se deve ao fato de que ele é um ser que sabe que sabe, isto é, sabe que existe e está no mundo. Esse ser/estar no mundo com ciência dessa realidade é o que nos particulariza entre todos os seres. O homem sabe que sabe, logo, a consciência é um conhecimento, em primeiro lugar, das coisas e de si próprio, e, em um segundo plano, um conhecimento desse conhecimento, ou seja, aquilo que em filosofia chamamos de reflexão).

É no aprofundamento desse processo de conhecimento interior e exterior, num movimento dialético eu→mundo / mundo→eu, que se dá o despertar da consciência crítica. Dotado dessa criticidade, o indivíduo é capaz de compreender sua condição física, mental, social, cultural e histórica, gozando de liberdade para fazer suas escolhas e agir dentro de seus limites morais.
A consciência, como forma de o ser humano relacionar-se com a realidade, pode se dar de diversas formas:


CONSCIÊNCIA RACIONAL

Trata-se da tentativa de compreender a realidade por meio de princípios estabelecidos pela razão, como a observação de relações de causa e efeito, por exemplo. Busca-se, portanto, adequar pensamento e realidade.
A ciência e a filosofia são campos do saber racional. A ciência, a partir da experimentação, observa os fatos, organizando de forma especializada os dados colhidos em teorias capazes de demonstrar o que é universal em relação ao fenômeno estudado. A filosofia, por seu turno, não busca a descrição objetiva e especializada da realidade, mas uma avaliação crítica e global do mundo que nos cerca.


CONSCIÊNCIA MÍTICA E RELIGIOSA

A tradição filosófica moderna, sobretudo a partir do Iluminismo, afirma que há uma evolução do mito (irracional) à lógica (racionalidade), sendo esta a etapa posterior e evoluída do pensamento e da civilização. Não é à toa que o mito é hoje associado, em geral, à idEia falsa, desprovida de credibilidade.
Embora não seja um conhecimento do tipo racional, o mito foi e continua sendo uma forma de explicar a realidade, de transmitir valores e de atribuir significado à vida humana. Diferencia-se do conhecimento conceitual e objetivo, pois relaciona o humano ao sagrado e à natureza através de processos simbólicos, metafóricos.
A consciência religiosa aproxima-se da consciência mítica por seu caráter metafísico, ou seja, por buscar explicações para a existência em um universo não material. Nesse caso as verdades são reveladas por força da fé religiosa.


CONSCIÊNCIA INTUITIVA

A intuição é uma forma de conhecimento imediata, que ocorre de forma repentina (insight), diferenciando-se do processo lógico, sistemático que pauta o saber racional.
Para Aristóteles existiriam duas formas de saber intuitivo:
▪ Intuição intelectual: conhecimento imediato de algo universalmente válido e evidente, que poderia ser demonstrado racionalmente, através de argumentos.
▪ Intuição sensível: conhecimento imediato restrito ao contexto das experiências individuais, singulares.
De qualquer forma, a consciência intuitiva pode servir de mediação ao conhecimento racional.


FILOSOFIA E CONSCIÊNCIA CRÍTICA

Historicamente, a palavra filosofia teria sido cunhada por Pitágoras (Séc. VI a.C.), que se dizia “amante do saber”. Assim, o sentido original de filosofia, implica a noção de busca da verdade.
Com o decorrer do tempo, na própria Grécia Antiga, a noção de filosofia passa a encerrar um tipo específico de saber: o conhecimento que surge a parir do uso metódico da razão, confundindo-se com a idEia de saber científico (matemática, astronomia, física, biologia, lógica, ética seriam ramos da filosofia). Essa concepção universalista subsistiu até a Idade Média.
Com a Idade Moderna e com a especialização do saber científico a filosofia passa a assumir uma natureza reflexiva, no sentido de investigar a validade de critérios e métodos das ciências agora autônomas. Mais do que isso, a filosofia passou a voltar-se para a investigação do ser, do conhecer e do valor das coisas.
Em síntese, podemos compreender o papel da filosofia hoje como instrumento para o questionamento da realidade, como um caminho para superar as distorções do senso comum no sentido de encontrar respostas mais satisfatórias acerca do sentido e do valor da existência.

Senso crítico [Filosofia]

Senso Comum [Filosofia]

SENSO COMUM E SENSO CRÍTICO

O SENSO COMUM


Chamamos de senso comum o conhecimento que é adquirido naturalmente pela tradição e pelo costume. É um conhecimento herdado das outras gerações, ao qual se acrescenta o resultado da experiência de cada indivíduo dentro da comunidade em que vive. Trata-se de um conjunto de idéias e valores que permitem às pessoas interpretarem a realidade, estabelecendo uma avaliação ou juízo que lhes permite interagir com o mundo.

Todos nós fazemos julgamentos e emitimos opiniões acerca da realidade que vivemos. O senso comum constitui-se como um conjunto de conhecimentos intuitivos admitidos como verdade por um grupo social e que tem uma tendência à universalidade. Esses saberes intuitivos podem facilmente ser identificados com o que costumamos chamar de “sabedoria popular”. Embora não sejam dotadas de um caráter científico, o conhecimento típico do senso comum atende, de certo modo, às necessidades de orientação para a vida prática das pessoas e para as situações cotidianas. Por outro lado, é uma forma de conhecimento que tende a resistir às mudanças, ou seja, se apresenta e se organiza de uma maneira conservadora.



O SENSO CRÍTICO


O senso comum pode conter idéias falsas e preconceituosas, pois uma das suas características elementares é justamente a ausência de criticidade. Ele estabelece uma concepção do mundo sem bases muito precisas, metódicas ou sistemáticas e acaba conferido a um saber prático, comum e cotidiano, um “status” de conhecimento verdadeiro, definitivo e absoluto. Por não ser um conhecimento refletido, e por estar misturado com crenças e preconceitos diversos, o senso comum é um conhecimento ingênuo, difuso e fragmentado. Por isso, está sujeito, muitas vezes a incoerências e até mesmo contradições. Além disso, é uma forma de pensar normalmente conservadora, que resiste às mudanças.

Quando surge a dúvida ou o questionamento das verdades estabelecidas pelo senso comum começamos a desenvolver uma consciência crítica. Um esforço racional e metódico, que busca explicar de maneira coerente e precisa aquilo que queremos conhecer, nos leva ao que se denomina senso crítico. Na origem da Filosofia, e com ela as ciências que depois se separaram como conhecimento especializado, está o espanto diante da realidade e a disposição de produzir um conhecimento em bases críticas.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Teoria Do Conhecimento - Epistemologia [Filosofia]

Epistemologia - Empirismo [Filosofia]

O NEOLÍTICO [Pré-História]

O ENGENHO E A SOCIEDADE COLONIAL

O Engenho era a unidade de produção típica da economia do Brasil colonial. Inicialmente, o termo se referia exclusivamente ao maquinário utilizado na obtenção do açúcar, mas com o tempo passou a designar, também, todo o complexo das terras cultivadas, dos currais, do conjunto das instalações destinadas ao seu preparo e, ainda, as habitações e os outros prédios necessários à vida de toda a população ligada direta ou indiretamente à sua produção.

O processo de produção do açúcar envolvia várias etapas, que começavam pelo corte e limpeza da cana. Depois, vinha a moagem da qual resultava o caldo (a garapa) que era fervido e transformado em melaço. Este, por sua vez, era depositado em formas de cerâmica e levado para a casa de purgar, onde ele evaporava e ia, aos poucos, endurecendo. Depois, era feito o branqueamento do produto, através de sucessivas lavagens e, finalmente, as pedras de açúcar eram trituradas e depois acondicionadas em caixas para o transporte.


Normalmente, os engenhos maiores eram instalados perto de algum rio, para utilizar a água como força motriz. Uma boa reserva de mata também era importante, na medida em que as fornalhas para aquecer as caldeiras consumiam muita lenha. Quase toda área cultivada era tomada pelo canavial e apenas uma pequena extensão de terra era utilizada para uma roça de subsistência. A parte edificada incluía a moenda e algumas oficinas, a casa-grande, onde vivia o senhor com sua família e agregados, as habitações destinadas aos feitores e aos poucos homens livres e suas famílias e a senzala, que servia para abrigar os escravos. Por fim, a capela, local de culto e de encontro para as diversas festividades religiosas, completava a paisagem de um engenho típico da era colonial.


A SOCIEDADE AÇUCAREIRA

A sociedade colonial da zona açucareira se caracterizava por ser essencialmente rural, conservadora e patriarcal. Era uma sociedade marcada, também, pela forte polarização e pela rígida estratificação. No topo da pirâmide social se encontrava a figura do senhor de engenho, o grande proprietário que era um dos “homens bons” da região. Tinha total autoridade, não só sobre a sua família, mas também sobre todos aqueles que viviam em suas terras e que dele dependiam. Além disso, existia toda uma clientela de pequenos e de médios lavradores que dependia da sua moenda ou de seus favores e, assim, lhe prestava obediência ou reverência.


Os escravos formavam a maioria da população e viviam em condições de extrema exploração, submetidos pela violência. Aqueles que trabalhavam e viviam na casa-grande tinham um tratamento, naturalmente, diferenciado dos outros escravos. Existia, também, um contingente de trabalhadores livres ou de assalariados, como pedreiros, carpinteiros ou caldereiros. A população móvel contava com clérigos e funcionários da Coroa, mascates e traficantes de escravos, mestiços, negros forros, mendigos, prostititutas, etc.

O Pensamento de Platão [Parte 1] - Contexto Histórico [Filosofia Antiga]

quinta-feira, 9 de março de 2017

Epistemologia: Racionalismo E Empirismo [Parte 1] - [Filosofia]

AS CIVILIZAÇÕES MESOPOTÂMICAS

O MEIO GEOGRÁFICO E A POPULAÇÃO

Os historiadores usam a expressão “crescente fértil” para designar a região banhada pelos rios Nilo, Jordão e Eufrates-Tigre que se estende do nordeste da África até o Golfo Pérsico. Nessa região desenvolveram-se as civilizações egípcia, hebraica, fenícia e mesopotâmica. Na Mesopotâmia, extenso vale fértil situado entre o Tigre e o Eufrates floresceram, sucessivamente, varias civilizações: dos sumérios, dos acádios, dos amoritas, dos assírios e dos caldeus. Embora existam especificidades que marcaram a evolução de cada uma dessas civilizações, existe, também, uma unidade histórica que vincula todas elas através de um patrimônio cultural comum. De fato, a par de suas particularidades, os povos mesopotâmicos desenvolveram uma cultura assentada numa mesma base material e espiritual, o que permite falar de uma Civilização Mesopotâmica.

A diversidade e a interação de vários povos que marcaram a história dessa região estão relacionadas com suas condições geográficas. Situada num ponto de intersecção entre o Oriente Médio e a Ásia, a Mesopotâmia foi um ponto de passagem quase obrigatório para as grandes levas migratórias dos povos da Antiguidade. Ao contrário do Egito, que foi protegido por certo isolamento geográfico, a região mesopotâmica era um grande espaço aberto à invasão e à conquista. Isso tornou a região palco de uma constante e violenta disputa entre os povos agrícolas sedentários das planícies e os povos nômades pastoris, essencialmente guerreiros, oriundos dos planaltos e desertos vizinhos. Esse conflito, tão típico do mundo antigo, explica, em última instância, a ascensão e queda dos diversos impérios mesopotâmicos, bem como o processo de decadência que permitiu aos persas dominarem a região no século VI a.C.



O termo “mesopotâmia”, de origem grega, significa entre rios. Ela designa uma região delineada pelos rios Tigre e Eufrates, que nascem nas montanhas da Armênia e deságuam no Golfo Pérsico. Ela pode ser dividida em duas partes que possuem características bem distintas. Ao norte fica situada a Assíria, região montanhosa e mais árida. A Caldéia, situada mais ao sul, é uma região de planícies com pântanos e terrenos alagadiços. Os sumérios, povo com provável origem asiática, se instalaram na região mais ao sul, chamada de Baixa Mesopotâmia, por volta de 4.000 a.C. Eles desenvolveram a primeira cultura avançada da mesopotâmia, cujo legado influenciou as demais civilizações que floresceram, posteriormente, na região. No milênio seguinte, outros povos conquistaram o território e se fundiram com as populações de origem suméria e assíria.

Apesar da diversidade e da instabilidade que marcaram a história mesopotâmica, existem elementos de continuidade e traços gerais que nos permitem enquadrar essas civilizações no conceito de “Modo de Produção Asiático”. Isso é possível especialmente pelas suas evidentes semelhanças com modelo econômico, social e político que caracterizou as civilizações da Antiguidade Oriental, como a egípcia e a chinesa.

ECONOMIA, SOCIEDADE E POLÍTICA

Assim como ocorreu em outras civilizações da Antiguidade Oriental, a agricultura irrigada foi a base do desenvolvimento da civilização mesopotâmica. A economia predominantemente agrícola dependia de complexas técnicas de drenagem e de irrigação das terras. Um vasto sistema de canais, aquedutos e barragens era utilizado para controlar a distribuição de água. A agricultura irrigada permitia colheitas abundantes de cereais (trigo e a cevada) e uma intensa atividade pastoril de rebanhos bovinos e ovinos. Por estarem situadas numa região por onde passavam várias caravanas e rotas de comércio, muitas cidades mesopotâmicas transformaram-se em prósperos entrepostos mercantis e em centros de produção artesanal especializada. Elas fabricavam armas, ferramentas e artigos de cerâmica. Exportavam manufaturas e produtos de luxo e importavam estanho, cobre, marfim e pedras preciosas.

Nas civilizações mesopotâmicas a sociedade era estratificada e estava dividida em castas rigidamente hierarquizadas. Nelas, a posição social do indivíduo era estabelecida pelo nascimento e os cargos e profissões eram, normalmente, transmitidos por hereditariedade. Os sacerdotes, os aristocratas e guerreiros e os comerciantes formavam a casta dominante, que ocupava o topo da pirâmide social e monopolizava o poder, a riqueza e o conhecimento. Essa elite sustentava seu modo de vida suntuoso através da apropriação, sob a forma de tributos, do excedente econômico produzido pelo trabalho de uma imensa população formada por camponeses, artesãos e escravos que constituía a base da sociedade.

O estreito vínculo entre política e religião caracterizava os poderosos Estados teocráticos surgidos na Mesopotâmia da Antiguidade. Um poder estatal fortemente centralizado se estabelecia sobre imensas populações que viviam submetidas a um regime de servidão coletiva. O Estado, proprietário das terras e dos rebanhos, realizava as grandes obras de irrigação e promovia a construção de grandes templos e monumentos. O poder político, despótico e teocrático, era personificado na figura dos reis e dos imperadores que, embora não tivessem uma condição divina, como acontecia com os faraós egípcios, eram considerados representantes da vontade dos deuses. O soberano, expressão viva do poder, concentrava em suas mãos, simultaneamente, as funções de sumo sacerdote, supremo juiz e comandante militar.


CIÊNCIA, LITERATURA, ARTE E RELIGIÃO

O limite que separava a ciência da religião não era muito claro entre os mesopotâmicos. Eles quase não diferenciavam a medicina da magia e a astronomia da astrologia. A matemática teve notável desenvolvimento, especialmente com os caldeus, que fizeram avanços na álgebra e na geometria. As ciências tinham caráter utilitário, voltadas para a solução de problemas práticos e, por isso, a astronomia foi a ciência que fez progressos mais significativos. Os sacerdotes mesopotâmicos chegaram a prever eclipses solares e também elaboraram um aperfeiçoado calendário lunar.

A escrita “cuneiforme” (sinais em forma de cunha) inventada pelos sumérios, foi usada, depois, pelos outros povos da Mesopotâmia. A escrita, feita com estilete em tábuas de argila, foi criada para organizar a contabilidade dos templos e das transações comerciais. Mais tarde, seu uso foi estendido para outros tipos de registro, mas ela foi sempre monopólio de uma reduzida casta de sacerdotes e escribas. A literatura épica foi um gênero bastante apreciado e seu melhor exemplo é a Epopéia de Gilgamesh. Uma das realizações mais importantes da Civilização Mesopotâmica se deu no campo do Direito. O Código de Hamurabi é o mais antigo código escrito de leis que se conhece. Seus 282 artigos legislam sobre assuntos econômicos, sociais, familiares, etc. Ele estava baseado no “princípio de talião”, quando tratava de um homem livre, e na compensação pecuniária, quando tratava de servos e escravos.

Na arte mesopotâmica tanto a pintura quanto a escultura estavam submetidas às exigências da arquitetura, que era a arte predominante. A grandiosidade das obras arquitetônicas, especialmente dos templos e palácios, tinha por finalidade exaltar e fortalecer o poder do Estado e de seus deuses. Os templos possuíam normalmente uma construção escalonada, denominada zigurat. A religião, politeísta, estava intimamente ligada ao Estado. Além de inúmeras divindades, das quais esperavam proteção, mesopotâmicos adoravam deuses de origem cósmica: Anu (rei do céu), Enlil (rei da Terra), Ea (rei do oceano), Chamach (deus-sol), Sin (deus-lua). A unificação política, promovida no II milênio a.C., elevou o deus babilônico Marduk à condição de principal divindade mesopotâmica.

segunda-feira, 6 de março de 2017

FILOSOFIA DA HISTÓRIA (I)

Sei que a filosofia da história está hoje desacreditada, particularmente no ambiente cultural italiano, depois que Benedetto Croce decretou-lhe a morte. Hoje, a filosofia da história é considerada uma forma de saber típica da cultura do século XIX, algo já superado. Talvez a última grande tentativa de filosofia da história tenha sido a obra de Karl Jaspers, Vom Ursprung und Ziel der Geschichte, que – apesar do fascínio que emana da representação do curso histórico da humanidade através de grandes épocas – foi rapidamente esquecida e não provocou nenhum debate sério. Mas, diante de um grande tema, como o dos direitos do homem, é difícil resistir à tentação de ir além da história meramente narrativa.
De acordo com a opinião comum dos historiadores, tanto dos que a acolheram como dos que a recusaram, fazer filosofia da história significa, diante de um evento ou de uma série de eventos, pôr o problema do “sentido”, segundo uma concepção finalística ou teleológica da história (e isso vale não só para a história humana, mas também para a história natural), considerando o decurso histórico em seu conjunto, desde sua origem até sua consumação, como algo orientado para um fim, para um télos. Para quem se situa desse ponto de vista, os eventos deixam de ser dados de fato a descrever, a narrar, a alinhar no tempo, eventualmente a explicar segundo as técnicas e procedimentos de investigação, consolidados e habitualmente seguidos pelos historiadores, mas se tornam sinais ou indícios reveladores de um processo, não necessariamente intencional, no sentido de uma direção preestabelecida. A pesar da desconfiança, ou até mesmo da aversão, que o historiador experimenta diante da filosofia da história, será que podemos excluir inteiramente que, na narrativa histórica de grandes eventos, oculta-se uma perspectiva finalista, ainda que o historiador não tenha plena consciência disso?

(Norberto Bobbio - Cientista político)

domingo, 5 de março de 2017

CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA: EVOLUÇÃO HISTÓRICA

A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO EGITO

A evolução histórica da civilização egípcia não se processou de forma linear. Pelo contrário, os três milênios que se desenrolam desde o início da centralização política até a dominação persa, em 525a.C., foram marcados por uma descontinuidade estrutural, em que se alternam períodos de paz, grandes realizações e prosperidade, com fases de invasões, anarquia, crise e decadência.

No plano interno, períodos de estabilidade, centralização e desenvolvimento alternam-se com fases de regressão feudal, descentralização política, instabilidade, crise ou estagnação econômica e cultural. O isolamento que marcou o primeiro milênio da sua história foi substituído, depois, por contatos cada vez mais intensos com outras civilizações. Externamente, o Egito foi constantemente pressionado por povos nômades pastoris, especialmente na fase inicial da sua história. Mais tarde, foi atacado por povos belicosos, como os hicsos, ou pelos impérios que se sucederam na região Mesopotâmica.

O militarismo do império egípcio era inicialmente voltado para a autodefesa e obtenção de materiais ou escravos nas regiões mais ao sul. Depois que absorveu dos hicsos suas técnicas militares, o Egito desenvolveu uma tendência expansionista e conquistadora que se voltou em direção às regiões da Palestina, Fenícia e Mesopotâmia. Passou a sofrer, em contrapartida, a pressão dos povos guerreiros dos desertos e planaltos próximos ao seu império.




O PERÍODO PRÉ-DINÁSTICO

Essa fase caracterizou-se pela inexistência do Estado e, portanto, de um governo centralizado. As populações que foram, gradativamente, se fixando às margens do Nilo acabaram se agrupando em unidades políticas locais, os nomos, que cultuavam a figura de um totem e eram chefiados por um nomarca. A partir do V milênio a.C. teve início um lento processo de centralização do poder que culminou, por volta de 3.500 a.C. na formação dos reinos. O reino do Alto Egito, situado ao Sul, tinha sua capital em Hieracômpolis e o reino do Baixo Egito localizado ao norte, na região do delta, tinha capital em Buto.

Em 3.200 a.C., Menés unificou os reinos do norte e do sul, fundindo as duas coroas e transformando-se no primeiro faraó do Egito unificado. Tinha início, assim, a I dinastia e o chamado Antigo Império. A formação de um poderoso Estado com um governo e uma administração centralizados resultou da necessidade de integrar e coordenar as forças necessárias para a execução de obras públicas como barragens, diques e canais de irrigação. O excedente econômico, que era gerado pelo desenvolvimento dessa agricultura de regadio, por sua vez, acentuava a divisão e a especialização do trabalho e fortalecia ainda mais o poder do Estado.



O ANTIGO IMPÉRIO (3.200-2.300 a.C.)

No governo da I e II dinastias, a capital foi Tínis, situada mais ao sul. Buscando integrar melhor a administração das regiões do delta e do vale, a III dinastia transferiu a capital para Mênfis, situada mais ao norte e durante os governos da IV e V dinastias o Antigo Império atingiu seu momento de apogeu. Nessa fase, o império egípcio é essencialmente pacifista e o Estado está voltado para as obras de drenagem e irrigação. Foi nesse período de paz e prosperidade que os faraós da IV dinastia – Qéops, Quefrem e Miquerinos - construíram as pirâmides de Gizé, nas proximidades de Mênfis.

A partir da VI dinastia teve início uma lenta decadência do Antigo Império. Durante vários séculos, a nobreza e o clero, que eram os setores dominantes da sociedade, receberam do poder imperial terras, cargos administrativos, isenção de impostos e outros privilégios. Foram aumentando assim, gradativamente, seu poder e suas prerrogativas, ganhando cada vez mais autonomia. Disso resultou, naturalmente, um lento enfraquecimento da autoridade dos faraós e uma tendência à descentralização política, com o aumento do poder dos nomarcas e dos sacerdotes representantes das divindades de cada região.

Seguiu-se um período de feudalização e anarquia, marcada também por revoltas camponesas. O enfraquecimento do poder central, provavelmente, limitou bastante as grandes obras de irrigação e a organização econômica em nível estatal, que permitia armazenar excedentes para épocas de escassez. Além disso, deve ter debilitado também a capacidade de defesa, pois essa crise culminou com a invasão do Egito por tribos vindas da Núbia e da Ásia. Essa fase de decadência estende-se até a X dinastia e é chamada de Primeiro Período Intermediário. O império fragmentou-se em quatro regiões, com centros decisórios no Delta, em Mênfis, em Heracleópolis e em Tebas, respectivamente.



O MÉDIO IMPÉRIO (2050-1750 a.C.)

Provável fundador da XI dinastia, Mentuhotep I, conseguiu restabelecer a unidade e a centralização do poder, em torno de Tebas. Teve início o chamado Médio Império, que na dinastia seguinte atingiria seu apogeu. O maior representante da XII dinastia foi o faraó Amenemat III, que mandou construir a grande represa de Faium. Nessa época, o Egito estabeleceu relações comerciais com a Fenícia, a Síria e a ilha de Creta. Outro faraó importante dessa fase, Sesóstris III, conquistou a Núbia, região situada ao sul, onde os egípcios obtinham ouro, marfim e também escravos.

Em seguida, começou um novo período de decadência que se estendeu até a XV dinastia, quando ocorreu a invasão dos hicsos. A derrota dos egípcios frente aos novos invasores se deu não só pela fraqueza do poder imperial, mas também pela superioridade bélica dos hicsos, que usavam armas de bronze e ferro (desconhecidos pelos egípcios), além de cavalos e carros de combate. Com o domínio estrangeiro e o término do Médio Império, tinha início o Segundo Período Intermediário da história do Egito.



O NOVO IMPÉRIO (1580-1080 a.C.)

O faraó Amósis I foi responsável pela expulsão definitiva dos invasores hicsos, povo que dominou por cerca de dois séculos o delta e a região norte do Egito. Com Amósis foi inaugurada a XVIII dinastia e teve início o chamado Novo Império, período que se estendeu até a XX dinastia e correspondeu à fase de apogeu da civilização egípcia. Esse foi o momento de maior esplendor da civilização do Nilo e, também, a etapa da sua história em que se intensificaram os contatos com outros povos e culturas.

Nesse período, o Estado egípcio assumiu um caráter essencialmente militarista e burocrático. A antiga postura pacifista e isolacionista cedeu lugar a uma política nacionalista e expansionista, que marcou toda essa fase. O imperialismo e o belicismo egípcios entraram em choque com os impérios vizinhos daquela época e conduziram a um lento, mas constante, esgotamento dos recursos econômicos e humanos do país. Como resultado, não será capaz de resistir a uma nova onda de invasões ao final desse período.

Destacaram-se, nessa fase da história da civilização egípcia, os faraós: Tutmés III, Amenófis IV e Ramsés II.

Tutmés III – Costuma ser citado como o verdadeiro fundador do Novo Império. Durante seu governo, ele empreendeu quase vinte campanhas militares que anexaram a Núbia, a Etiópia, a Palestina, a Síria e a Fenícia. Estendeu, com suas conquistas, as fronteiras do Império da quarta catarata do Nilo até o Eufrates. As façanhas desse grande faraó guerreiro foram imortalizadas nos baixos-relevos esculpidos nas paredes do templo dedicado a Amon, em Carnac.

Amenófis IV – é um dos faraós mais conhecidos e o mais controverso da história do Egito. Seu casamento com Nefertiti, uma princesa de origem mitani, indica a preocupação do Império em articular alianças com os reinos e impérios vizinhos, com os quais começava a ter conflitos ou interesses comuns. Aquenaton, como passou a se chamar, é célebre por ter realizado uma reforma religiosa de caráter monoteísta, substituindo o tradicional politeísmo do povo egípcio pelo culto ao deus Aton, representado pelo disco solar. Por isso, também mandou construir uma nova cidade – Aquetaton – para onde transferiu a capital do Império. A reforma atoniana, além dos seus aspectos de cunho exclusivamente religioso, tinha também um caráter marcantemente político. Significava, por um lado, uma tentativa de afirmar a supremacia da autoridade do faraó, que sempre foi rivalizada pelo poder, riqueza e influência dos sacerdotes tebanos; por outro lado, representava um esforço no sentido de criar uma religião de caráter universalista para justificar o domínio sobre os povos que haviam sido subjugados pelos egípcios. A nova religião buscava por meio do culto ao Sol, que era uma divindade comum a todos os povos do Oriente Médio, integrar os povos conquistados, legitimando sua dominação. Após a morte de Aquenaton, que foi sucedido por Tutankamon, o clero tebano promoveu uma reação que culminou com a proibição do culto a Aton, e restabeleceu a preponderância de Amon.

Ramsés II – Foi o último dos grandes faraós do Novo Império. Retomou a política expansionista do tempo de Tutmés III e acabou entrando em choque com o Império dos hititas, povo da Ásia Menor. Em 1278 a.C. a guerra chegou ao fim com a assinatura de um tratado de paz, citado como o primeiro de que se tem notícia, que estabelecia uma fronteira comum e um condomínio dos dois impérios na região. Depois do reinado de Ramsés, o Egito foi, gradualmente, perdendo seus domínios na região.
Com a XX dinastia começou um novo período de decadência da civilização egípcia. O Novo Império terminava exaurido e esgotado economicamente pelas longas campanhas militares. Enfraquecido, o Império passou a ser atacado por sucessivas levas invasoras por parte dos “povos do mar” e também dos líbios, núbios e etíopes. Cada vez mais debilitado, o Egito foi finalmente conquistado pelos assírios em 662 a.C. Essa fase final é denominada Baixo Império.



O RENASCIMENTO SAÍTA E O FIM

O Egito viveu um último momento de autonomia e desenvolvimento a partir da XXVI dinastia. Psamético I, seu fundador, expulsou os assírios e instalou a capital na cidade de Saís. Nesse período, também conhecido como Baixo Império, a civilização egípcia recuperou, momentaneamente, seu antigo brilho e esplendor. A obra restauradora iniciada por Psamético teve prosseguimento com seu sucessor, o faraó Necau, que mandou construir o canal que ligava o Nilo ao Mar Vermelho. Nessa época, os egípcios tiveram contato intenso com os gregos que, além do comércio, muitas vezes lutaram como mercenários a serviço dos faraós.

Em 525 a.C., no reinado de Psamético III, os egípcios foram derrotados por Cambises, o imperador dos persas, na Batalha de Pelusa. Depois do domínio persa, o Egito foi incorporado pelos gregos e macedônios, em333 a.C. Depois da morte de Alexandre, tornou-se um reino helenístico herdado por um dos seus generais. A dinastia ptolomaica governou até a época de Cleópatra, quando o Egito passou para o domínio romano. A região ficou sob controle bizantino depois da queda de Roma e, no início da Idade Média, o país foi islamizado pelos árabes. Em 1517, o Egito foi transformado numa província do Império Turco-Otomano.

CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA [Parte 1] [História]

sexta-feira, 3 de março de 2017

A ECONOMIA AÇUCAREIRA NO BRASIL COLONIAL

Produzir açúcar foi a alternativa encontrada pela Coroa portuguesa para poder transformar o Brasil numa fonte regular de riquezas. A exploração colonial exercida por Portugal sobre o Brasil estava baseada nos princípios mercantilistas, que predominavam na Europa durante a Idade Moderna. Nesse sentido, a colônia deveria produzir riquezas que pudessem ser comercializadas na Europa e, ao mesmo tempo, servir de mercado consumidor para os produtos manufaturados e os escravos fornecidos pela metrópole. Em síntese, o papel das colônias, nessa fase de formação do capitalismo, era promover acumulação de capitais nas mãos da burguesia europeia. A escolha portuguesa recaiu sobre o açúcar, verdadeira "especiaria" daquela época, por diversos motivos, destacando-se entre eles:

• A cana-de-açúcar se adaptava quase perfeitamente às condições naturais de clima quente e chuvoso do litoral brasileiro. Além disso, o solo de massapé, típico da zona da mata nordestina, se mostrou bastante propício para o cultivo da planta.

• Os portugueses tinham adquirido alguma experiência, porque vinham produzindo açúcar em pequena escala nas Ilhas Atlânticas, onde haviam se estabelecido décadas antes do descobrimento do Brasil.

• Havia disposição dos capitais holandeses (inclusive de judeus que tinham sido expulsos de Portugal) para investir na produção açucareira. Além de financiar o empreendimento, os holandeses se encarregavam do transporte, refino e distribuição do produto.

• O açúcar era considerado uma verdadeira especiaria daquela época e tinha mercado consumidor garantido na Europa. Uma pequena quantidade do produto podia ser vendida por valores elevados e, portanto, assegurar altos lucros.


Na primeira metade do século XVII, a estrutura produtora de açúcar montada especialmente no litoral nordestino, graças aos investimentos holandeses, já contava com centenas de engenhos instalados. A região se tornou a maior produtora de açúcar no mundo daquela época e proporcionou uma riqueza fabulosa para os que controlavam sua comercialização, ou seja, os mercadores flamengos. O açúcar era produzido numa colônia portuguesa, mas era uma empresa, basicamente, de capital holandês. A estrutura de produção açucareira estava organizada nos moldes de uma “plantation”, ou seja, estava baseada em três elementos básicos: latifúndio, trabalho escravo e monocultura voltada para a exportação.

Latifúndio:

Como era bastante alto o investimento inicial que precisava ser feito, a produção também tinha que se dar em larga escala. A disponibilidade de terras era imensa e a extensão dos canaviais podia aumentar quase ilimitadamente, só dependendo da disponibilidade de mão-de-obra para o corte da cana e sua transformação. Além disso, a pequena propriedade, que tenderia a uma cultura de subsistência, fugia completamente ao sentido da exploração colonial mercantilista, que buscava uma produção para o mercado. Embora a vinda de colonos fosse necessária para garantir o povoamento e a exploração da colônia, a Coroa portuguesa, com raras exceções, nunca incentivou a vinda de pequenos produtores que desviassem a terra da produção do único gênero que lhe interessava: o açúcar. Isso explica uma questão aparentemente paradoxal, ou seja, o problema da fome e da escassez de alimentos que marcou o Brasil, desde a época colonial até recentemente, apesar da grande quantidade de terras cultivadas.

Trabalho escravo:

Além das limitações que existiam quanto ao uso de trabalhadores livres, também se costuma explicar a utilização do trabalho compulsório de africanos na produção açucareira, alegando a “incapacidade” do índio se adaptar ao trabalho na lavoura. Isso não impediu, obviamente, que eles fossem largamente explorados desse modo, mas costuma ser usado como argumento para justificar a vinda dos africanos para o Brasil. Na verdade, o tráfico negreiro foi um dos mais importantes instrumentos usados no processo de acumulação de capitais nas mãos da burguesia européia na Idade Moderna. O direito exclusivo de fornecer escravos aos colonos permitia à burguesia metropolitana cobrar preços extorsivos e obter altos lucros com o tráfico. Os escravos eram trocados, em geral, por aguardente ou fumo em alguns pontos do litoral africano onde desembocavam as rotas de comércio. Eram vendidos pelas tribos que os haviam derrotado ou então por traficantes que os tinham capturado. Os africanos que foram trazidos para o Brasil eram originários de dois grupos étnicos principais: os bantos e os sudaneses. As péssimas condições em que eram transportados nos navios negreiros faziam quase metade deles perecer durante a viagem. Trabalhavam sob a vigilância de um feitor em regime de quase exaustão e sofriam castigos terríveis quando tentavam fugir.

Monocultura para exportação:

Sendo o açúcar a única riqueza que interessava ao senhor de engenho produzir, toda terra disponível, com exceção de uma pequena roça de subsistência, era aproveitada para o canavial. Outros latifundiários, ou proprietários médios, mesmo não possuindo sua própria moenda, plantavam cana que abastecia o engenho da região. O cultivo de alimentos era mínimo e também o de algodão para produzir tecido e panos para os escravos. O fumo era cultivado, no litoral da Bahia, para ser usado como moeda na compra de escravos no litoral da África. Por fim, lembremos que a monocultura interessava a Coroa portuguesa, também, porque aumentava a dependência dos colonos dos produtos vindos de Portugal.

sábado, 14 de janeiro de 2017

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A SOCIOLOGIA E SEUS MÉTODOS

A IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA

     A palavra sociologia tem origem na fusão de dois termos: societas, termo em latim que significa sociedade, e logos, termo grego que significa estudo, ciência. A Sociologia, através de um estudo sistemático do comportamento social e dos grupos humanos, busca compreender as relações sociais e como estas influenciam o comportamento dos indivíduos. Procura explicar, ainda, como as sociedade estão estruturadas e como se transformam ao longo do tempo. Assim, como as demais Ciências Humanas, a Sociologia tem como objetivo compreender e explicar as permanências e as transformações que ocorrem nas sociedades humanas. Através de seus métodos de investigação, nos fornece conceitos e outras ferramentas que possibilitam analisar as questões sociais e individuais de um modo mais metódico, organizado, coerente e fundamentado, que ultrapassa o senso comum. 
   Um método muito utilizado pelos sociólogos é a chamada “imaginação sociológica”, conceito desenvolvido por C. Wright Mills, a habilidade desenvolvida pelos cientistas sociais que permite uma analise mais ampla e cuidadosa da realidade a ser estudada, permitindo ir alem das experiências e observações pessoais, ou seja, baseando-se na capacidade de analisar a sociedade como uma pessoa estranha o faria, ao contrário da perspectiva limitada e impregnada de preconceitos daqueles que estão imersos nessa realidade. Trata-se de um recurso que os filósofos costumam chamar de “efeito do estranhamento”, e que permite a um cientista distanciar-se da realidade que ela observa para tentar compreendê-la, com um olhar diferente. A Sociologia se utiliza, também, dos conceitos elaborados pelas outras ciências sociais e faz análise de dados quantitativos que são obtidos pelas estatísticas.

terça-feira, 3 de junho de 2014

NOVO LÍDER INDIANO REPRESENTA HINDUÍSMO RADICAL E VIOLENTO


Quarenta e sete anos atrás, Narendra Modi ajudava o pai a vender chá na estação de trem de Vadnagar. Seu casamento, arranjado, durou apenas dois meses: um dia disse à esposa que ia a uma peregrinação ao Himalaia, quando ainda tinha 17 anos. Nunca voltou para casa. Depois de fortalecer sua fé, decidiu se dedicar à política para a glória maior do deus Ram e de sua pátria. Modi se transformará, em alguns dias, no 16º primeiro-ministro da Índia. O Bharatiya Janata Party (Partido do Povo da Índia, ou BJP, por sua sigla em hindu) superou o tradicional Partido do Congresso – controlado pelos herdeiros de Jawaharlal Nehru e primeira força política da Índia independente durante décadas – conseguindo a primeira maioria absoluta no parlamento nacional em 30 anos. Hoje, com esse triunfo, se insiste na importância da identidade, mas o certo é que os índices da bolsa estão em alta desde que sua vitória foi confirmada. A notícia aumentou também a inquietude em setores sociais progressistas ou de esquerda, que veem nesse triunfo uma ameaça latente. A feminista Urvashi Butalia, por exemplo, explica que nos principais eventos políticos do BJP nunca figuram mulheres. E é pior, afirma: “Quando mulheres foram estupradas em Gujarat, ele  permaneceu em silêncio. Não expressou simpatia ou apoio em relação às campanhas contra o estupro coletivo de 2012. Para quem aspira uma posição tão alta, era importante falar nesses momentos.” Nas celebrações que aconteceram, Modi demonstrou sua fé e amor pelo futuro da Índia. Isso aconteceu em frente ao rio Ganges, na cidade sagrada de Varanasi, visitando sua mãe idosa. 
Em Mangalore, na costa sudoeste, a marcha que ele presidiu reuniu dezenas de milhares de pessoas, incluindo militantes de seus partido que entraram em uma mesquita atirando pedras e fogos artificiais, gritando aos fiéis que era hora de irem embora da Índia. Algo semelhante aconteceu em 2002 em Gujarat, Estado que Modi governou por mais de 10 anos. Mas naquela ocasião, o horror foi ainda maior. Turbas de hindus, muitos dotados de instrução paramilitar, atacaram dezenas de bairros, mesquitas e comunidades muçulmanas na cidade de Godhra. Foi uma “reação” ao incêndio de um vagão de trem cheio de peregrinos hindus, disseram Modi e seus ministros estatais, mesmo depois de saberem que o fogo tinha sido acidental. Morreram cerca de 1.100 pessoas. Entre as vítimas, estava o ex-deputado do Congresso Eshan Jafri, assassinado a golpes na frente da casa e da família. Modi e seu governo disseram, em um informe oficial, que Jafri provocou a turba. O julgamento pelo massacre provou que, pelo contrário, o político ligou para Modi pelo celular para solicitar proteção policial e recebeu nada mais que negativas e insultos do então governador. Esses fatos, e o prestígio de Jafri como parlamentar, deixaram Modi sem visto para visitar a Europa e os Estados Unidos desde então. A Comunidade Europeia voltou a admiti-lo em janeiro. O governo de Obama não, mas como chefe de Estado reconhecerão seu status diplomático, vão outorgar o visto a ele e já anunciaram que esperam a nova experiência de negociar com Modi no poder em Délhi. Em fevereiro de 2013, Modi explicou sua participação nesse massacre, dizendo que era como viajar no assento traseiro de um carro e ver como o chofer atropelava um cachorrinho. “O que eu poderia fazer?” disse, sorrindo em frente aos microfones. A Suprema Corte o absolveu da responsabilidade há dois meses. 
Essa direita não é novidade na Índia. Tem sua origem moderna na criação em 1925 da Rashtriya Swayamsevak Sangh (Organização Nacional de Voluntariado, ou RSS), em Maharashtra, na época em que o fascismo e o sionismo germinavam na Europa. Não por acaso, os líderes históricos da RSS foram admiradores confessos de Hitler, por sua noção de “raça pura”, e do Estado de Israel, pela “homogeneidade étnica” de sua cidadania. A RSS tem sido, desde então, uma mescla efetiva de organização paramilitar com assistencialismo: o mesmo para ajudar em desastres naturais e para promover linchamentos e estupros ou, como em 1992, na mesquita Babri Masjid, demolições e apropriação de terras em poder de muçulmanos. Todos os líderes do BJP pertenceram à RSS. De fato, fundaram o partido inspirados pela organização, que sempre considerou a Índia um território de hindus onde, por tolerância, há muçulmanos e, às vezes, cristãos. Em seu código de valores, a RSS considera imorais o concubinato e a homossexualidade. Sem esquecer que as militantes aconselham as mulheres que apanharam, como mostrou uma reportagem de Neha Dixit no ano passado, tomar conta do humor do marido e “procurar não irritá-lo”. Modi e seu ex-ministro de Interior em Gujarat Amit Shah se conheceram militando na RSS. Shah, principal artífice do triunfo de Modi, disse há duas semanas que todos os que se oponham a Modi terão de se mudar para o Paquistão quando ele assumir o poder. O semanário EPW (Economical & Political Weekly), voz pública da esquerda hindu, explicou em um editorial que as eleições de 2014 deixaram, talvez, uma mensagem: a Índia está mudando. “Está se transformando em uma sociedade onde os que têm voz são cada vez menos tolerantes, menos compassivos e mais agressivos com os que não a tem. A opressão das minorias religiosas e étnicas será mais sofisticada e os meios de comunicação vão minimizar o problema.” São muitas as vozes nas redes sociais que expressam sua preocupação com o que vem pela frente. Sobretudo em territórios indígenas ricos em minerais e bosques. Os compromissos políticos (e econômicos) de Modi com grupos industriais como Tata, Advani e Ambani  – que o financiaram generosamente – vão se transformar em uma assalto à riqueza natural. Acredita que “o governo entregará mais dinheiro aos adivasis (indígenas) para torná-los servos da economia do dinheiro, fazendo com que eles abandonem suas terras e sua agricultura e sejam reduzidos a proletários. Ou seja, é genocídio com etnocídio.” Nesse país, o mais etnicamente diverso do planeta, essas políticas podem ser complicadas. Modi prometeu que a Índia será a superpotência do século XXI, haverá progresso e, acima de tudo, trabalho para todo mundo.

Fonte: Opera Mundi

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