segunda-feira, 9 de junho de 2014

A SOCIOLOGIA E SEUS MÉTODOS

A IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA

     A palavra sociologia tem origem na fusão de dois termos: societas, termo em latim que significa sociedade, e logos, termo grego que significa estudo, ciência. A Sociologia, através de um estudo sistemático do comportamento social e dos grupos humanos, busca compreender as relações sociais e como estas influenciam o comportamento dos indivíduos. Procura explicar, ainda, como as sociedade estão estruturadas e como se transformam ao longo do tempo. Assim, como as demais Ciências Humanas, a Sociologia tem como objetivo compreender e explicar as permanências e as transformações que ocorrem nas sociedades humanas. Através de seus métodos de investigação, nos fornece conceitos e outras ferramentas que possibilitam analisar as questões sociais e individuais de um modo mais metódico, organizado, coerente e fundamentado, que ultrapassa o senso comum. 
   Um método muito utilizado pelos sociólogos é a chamada “imaginação sociológica”, conceito desenvolvido por C. Wright Mills, a habilidade desenvolvida pelos cientistas sociais que permite uma analise mais ampla e cuidadosa da realidade a ser estudada, permitindo ir alem das experiências e observações pessoais, ou seja, baseando-se na capacidade de analisar a sociedade como uma pessoa estranha o faria, ao contrário da perspectiva limitada e impregnada de preconceitos daqueles que estão imersos nessa realidade. Trata-se de um recurso que os filósofos costumam chamar de “efeito do estranhamento”, e que permite a um cientista distanciar-se da realidade que ela observa para tentar compreendê-la, com um olhar diferente. A Sociologia se utiliza, também, dos conceitos elaborados pelas outras ciências sociais e faz análise de dados quantitativos que são obtidos pelas estatísticas.

sábado, 7 de junho de 2014

PAÍSES LATINO-AMERICANOS ANUNCIAM QUE NÃO PARTICIPARÃO DA CÚPULA DAS AMÉRICAS SE CUBA FOR EXCLÚIDA

Quatro países latino-americanos anunciaram que não irão participar na Cúpula das Américas em 2015, no Panamá, caso Cuba não seja incluída no encontro. A posição de Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Argentina na Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), que contraria a defendida pelos Estados Unidos, teve apoio de Brasil e México. Somente o Canadá concordou com a opinião dos norte-americanos. O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, respaldou a reivindicação. “Ao celebrar os 20 anos [da Cúpula das Américas], tem que ser uma reunião histórica e creio que mais inclusiva do que nunca e por isso Cuba tem que estar presente”. Na contramão dos pronunciamentos pró-Cuba, a embaixadora norte-americana na OEA, Carmen Lomellin, pediu que um grupo de trabalho analise o tema, mas reafirmou a posição de que é necessário “esperar uma transição democrática” na ilha antes que ela possa integrar um fórum internacional. A Cúpula das Américas é a máxima reunião de chefes de Estado e de governo da América. O último encontro, realizado em 2012 em Cartagena, Colômbia, terminou sem consenso sobre a participação da ilha. O organismo é o único no continente com a presença dos Estados Unidos, uma vez que o país não participa da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), assim como o Canadá. A Assembleia Geral da OEA, cujo tema foi inclusão social, terminou nesta quinta-feira (05/06) com a adoção de uma declaração genérica com o compromisso dos países do continente com a luta contra a fome e a pobreza, o combate à desigualdade, a discriminação e a exclusão social. O teor do documento é parecido com o que foi aprovado em reuniões anteriores, sem avanço de fato nos temas. O documento apresentado pelo Brasil exortando os países do continente a condenar todas as formas de discriminação por razões de preferência sexual, cor da pele ou gênero, foi aprovado com reservas, feitas por países como Paraguai e Estados Unidos. No começo da semana, o senado paraguaio aprovou uma declaração contra a proposta por considerar que ela incentiva o aborto e o casamento homossexual. A Assembleia Geral também abordou temas de destaque para a região, como o apoio ao diálogo entre o governo e a oposição na Venezuela e aos diálogos de paz na Colômbia e o incentivo à retomada das negociações entre a Argentina e a Grã-Bretanha pelas Malvinas. Em outro revés para os Estados Unidos, Insulza lamentou o estancamento do diálogo entre o governo e a oposição na Venezuela e pediu que a comunidade internacional apoie o processo sem pressão ou sanções, em referência às medidas contra o país aprovadas pela Câmara de Representantes dos EUA e cujo projeto segue agora para o Senado. Washington, por sua vez, reiterou que não apoia, por hora, as sanções.

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 3 de junho de 2014

NOVO LÍDER INDIANO REPRESENTA HINDUÍSMO RADICAL E VIOLENTO


Quarenta e sete anos atrás, Narendra Modi ajudava o pai a vender chá na estação de trem de Vadnagar. Seu casamento, arranjado, durou apenas dois meses: um dia disse à esposa que ia a uma peregrinação ao Himalaia, quando ainda tinha 17 anos. Nunca voltou para casa. Depois de fortalecer sua fé, decidiu se dedicar à política para a glória maior do deus Ram e de sua pátria. Modi se transformará, em alguns dias, no 16º primeiro-ministro da Índia. O Bharatiya Janata Party (Partido do Povo da Índia, ou BJP, por sua sigla em hindu) superou o tradicional Partido do Congresso – controlado pelos herdeiros de Jawaharlal Nehru e primeira força política da Índia independente durante décadas – conseguindo a primeira maioria absoluta no parlamento nacional em 30 anos. Hoje, com esse triunfo, se insiste na importância da identidade, mas o certo é que os índices da bolsa estão em alta desde que sua vitória foi confirmada. A notícia aumentou também a inquietude em setores sociais progressistas ou de esquerda, que veem nesse triunfo uma ameaça latente. A feminista Urvashi Butalia, por exemplo, explica que nos principais eventos políticos do BJP nunca figuram mulheres. E é pior, afirma: “Quando mulheres foram estupradas em Gujarat, ele  permaneceu em silêncio. Não expressou simpatia ou apoio em relação às campanhas contra o estupro coletivo de 2012. Para quem aspira uma posição tão alta, era importante falar nesses momentos.” Nas celebrações que aconteceram, Modi demonstrou sua fé e amor pelo futuro da Índia. Isso aconteceu em frente ao rio Ganges, na cidade sagrada de Varanasi, visitando sua mãe idosa. 
Em Mangalore, na costa sudoeste, a marcha que ele presidiu reuniu dezenas de milhares de pessoas, incluindo militantes de seus partido que entraram em uma mesquita atirando pedras e fogos artificiais, gritando aos fiéis que era hora de irem embora da Índia. Algo semelhante aconteceu em 2002 em Gujarat, Estado que Modi governou por mais de 10 anos. Mas naquela ocasião, o horror foi ainda maior. Turbas de hindus, muitos dotados de instrução paramilitar, atacaram dezenas de bairros, mesquitas e comunidades muçulmanas na cidade de Godhra. Foi uma “reação” ao incêndio de um vagão de trem cheio de peregrinos hindus, disseram Modi e seus ministros estatais, mesmo depois de saberem que o fogo tinha sido acidental. Morreram cerca de 1.100 pessoas. Entre as vítimas, estava o ex-deputado do Congresso Eshan Jafri, assassinado a golpes na frente da casa e da família. Modi e seu governo disseram, em um informe oficial, que Jafri provocou a turba. O julgamento pelo massacre provou que, pelo contrário, o político ligou para Modi pelo celular para solicitar proteção policial e recebeu nada mais que negativas e insultos do então governador. Esses fatos, e o prestígio de Jafri como parlamentar, deixaram Modi sem visto para visitar a Europa e os Estados Unidos desde então. A Comunidade Europeia voltou a admiti-lo em janeiro. O governo de Obama não, mas como chefe de Estado reconhecerão seu status diplomático, vão outorgar o visto a ele e já anunciaram que esperam a nova experiência de negociar com Modi no poder em Délhi. Em fevereiro de 2013, Modi explicou sua participação nesse massacre, dizendo que era como viajar no assento traseiro de um carro e ver como o chofer atropelava um cachorrinho. “O que eu poderia fazer?” disse, sorrindo em frente aos microfones. A Suprema Corte o absolveu da responsabilidade há dois meses. 
Essa direita não é novidade na Índia. Tem sua origem moderna na criação em 1925 da Rashtriya Swayamsevak Sangh (Organização Nacional de Voluntariado, ou RSS), em Maharashtra, na época em que o fascismo e o sionismo germinavam na Europa. Não por acaso, os líderes históricos da RSS foram admiradores confessos de Hitler, por sua noção de “raça pura”, e do Estado de Israel, pela “homogeneidade étnica” de sua cidadania. A RSS tem sido, desde então, uma mescla efetiva de organização paramilitar com assistencialismo: o mesmo para ajudar em desastres naturais e para promover linchamentos e estupros ou, como em 1992, na mesquita Babri Masjid, demolições e apropriação de terras em poder de muçulmanos. Todos os líderes do BJP pertenceram à RSS. De fato, fundaram o partido inspirados pela organização, que sempre considerou a Índia um território de hindus onde, por tolerância, há muçulmanos e, às vezes, cristãos. Em seu código de valores, a RSS considera imorais o concubinato e a homossexualidade. Sem esquecer que as militantes aconselham as mulheres que apanharam, como mostrou uma reportagem de Neha Dixit no ano passado, tomar conta do humor do marido e “procurar não irritá-lo”. Modi e seu ex-ministro de Interior em Gujarat Amit Shah se conheceram militando na RSS. Shah, principal artífice do triunfo de Modi, disse há duas semanas que todos os que se oponham a Modi terão de se mudar para o Paquistão quando ele assumir o poder. O semanário EPW (Economical & Political Weekly), voz pública da esquerda hindu, explicou em um editorial que as eleições de 2014 deixaram, talvez, uma mensagem: a Índia está mudando. “Está se transformando em uma sociedade onde os que têm voz são cada vez menos tolerantes, menos compassivos e mais agressivos com os que não a tem. A opressão das minorias religiosas e étnicas será mais sofisticada e os meios de comunicação vão minimizar o problema.” São muitas as vozes nas redes sociais que expressam sua preocupação com o que vem pela frente. Sobretudo em territórios indígenas ricos em minerais e bosques. Os compromissos políticos (e econômicos) de Modi com grupos industriais como Tata, Advani e Ambani  – que o financiaram generosamente – vão se transformar em uma assalto à riqueza natural. Acredita que “o governo entregará mais dinheiro aos adivasis (indígenas) para torná-los servos da economia do dinheiro, fazendo com que eles abandonem suas terras e sua agricultura e sejam reduzidos a proletários. Ou seja, é genocídio com etnocídio.” Nesse país, o mais etnicamente diverso do planeta, essas políticas podem ser complicadas. Modi prometeu que a Índia será a superpotência do século XXI, haverá progresso e, acima de tudo, trabalho para todo mundo.

Fonte: Opera Mundi

domingo, 1 de junho de 2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

domingo, 25 de maio de 2014

ACIONISTAS QUESTIONAM O ENVOLVIMENTO DA VOLKSWAGEN COM A DITADURA DE 1964 E COM REPRESSÃO ATUAL

A Associação de Acionistas Críticos questionou a relação entre a Volkswagen e a ditadura brasileira (1964-1985), durante a reunião anual de prestação de contas da companhia, em Hannover (Alemanha). Os acionistas também pediram explicações sobre a suposta venda de carros e jatos d'água para a repressão de protestos no Rio de Janeiro. “Nós exigimos que a Volkswagen investigue e esclareça imediatamente esses casos, tendo em vista o recente aniversário de 50 anos do Golpe Militar brasileiro. A Volkswagen deve admitir e assumir sua responsabilidade histórica no fato”, argumenta o documento. No caso do envolvimento com a ditadura militar, a Volkswagen deverá responder sobre as contribuições financeiras dadas ao IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e ao GPMI da FIESP (Grupo Permanente de Mobilização Industrial, diretoria criada na federação das indústrias em abril de 1964). De acordo com a Associação de Acionistas Críticos, esse dinheiro teria sido usado para a construção de um complexo industrial-militar no Brasil, sob a orientação da ESG (Escola Superior de Guerra). Além disso, os representantes da empresa alemã serão obrigados a se posicionar sobre a denúncia de que ao menos três funcionários da sua subsidiária Scania foram demitidos e tiveram informações repassadas ao Dops (Delegacia de Ordem Política e Social) depois que a polícia os prendeu por, suspostamente, fazerem parte de um "movimento socialista".A Associação de Acionistas Críticos é um grupo sem fins lucrativos que possui ações em mais de 25 das maiores empresas da Alemanha e, por isso, tem o direito de se posicionar nas reuniões anuais de apresentação de balanço. A companhia questionada é obrigada a responder algo no mesmo evento. Em relação à venda de jatos d'água, a associação argumenta que a simples existência desse produto entre os oferecidos pela Volkswagen “é incompatível com princípios éticos da empresa”. O documento lembra ainda que esse tipo de arma já foi usada na Turquia, quando a população ocupou a Praça Taksim contra a construção de um empreendimento imobiliário. O GPMI foi uma diretoria criada dentro da Fiesp oficialmente em 30 de abril de 1964; caracterizada como o “ponto dos negócios entre a indústria e a ditadura”, segundo o jornalista e ex-militante Antônio Carlos Fon. Seu objetivo oficial seria readaptar o parque industrial brasileiro à produção de equipamentos bélicos. Sua atuação, entretanto, era mais profunda: remonta às células de logística da conspiração que se preparavam para derrubar o presidente João Goulart desde 1961. A empresa Volkswagen do Brasil aparece nas atas de reunião do GPMI como uma das “Firmas que doaram verbalmente” ao grupo. Evidenciando a relação próxima entre as Forças Armadas e as grandes empresas, a diretoria do GPMI era obrigatoriamente composta por membros civis e militares. Uma desses dirigentes era o general e ex-ministro Edmundo Macedo Soares e Silva, militar brasileiro que teve destacada passagem por diversas megaempresas, entre as quais estava a Volkswagen — além de Mercedes Benz, Mesbla, Banco Mercantil de São Paulo e Light, conforme aponta o historiador e cientista político uruguaio René Armand Dreifuss em seu livro 1964: A conquista do Estado.

Fonte: Opera Mundi

sábado, 24 de maio de 2014

GOLPE MILITAR DISSOLVE SENADO NA TAILÂNDIA

A junta militar que deu um golpe de Estado na Tailândia dissolveu o Senado e afastou de suas funções três altos funcionários da área de segurança considerados próximos à corrente política do governo deposto e seu líder, Thaksin Shinawatra. O Senado era até agora o único órgão legislativo ativo no país depois que o Parlamento foi dissolvido no começo do ano pela convocação de eleições antecipadas, canceladas posteriormente pelos tribunais. A medida reforça o controle e a autoridade do Conselho Nacional para a Paz e a Ordem, nome oficial da junta militar, e de seu líder, o general Prayuth Chan-ocha se autoproclamou primeiro-ministro. Os militares assumiram o poder depois de terem deposto o governo. A junta também anunciou a destituição do chefe da Polícia Real da Tailândia, Adul Saengsingkaew, transferido para posto inativo no escritório do primeiro-ministro, segundo informações do jornalBangcoc Post. Além disso, foram transferidos para postos inativos o chefe do Departamento de Investigações Especiais, Tarit Pengdith, e o secretário permanente do Ministério da Defesa, Nipat Thonglek. Os três funcionários eram considerados leais ao governo deposto e a Thaksin, o ex-primeiro-ministro afastado do poder no golpe de Estado de 2006 e exilado em Dubai, onde com isso escapa de uma condenação por corrupção.Nas últimas horas a junta militar também revogou a Constituição e criou um novo governo formado por generais, que pretende realizar reformas políticas e econômicas sem que por enquanto tenha dado um prazo para devolver o poder a um governo civil. Novas eleições na Tailândia estavam previstas para o mês de julho, mas, frente à atual crise, as autoridades estudam a ideia de adiá-las, pelo menos, até o mês de agosto.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

AS DITADURAS MILITARES DA AMÉRICA LATINA

          Na América Latina, depois da morte de Kennedy, os EUA abandonaram a política da Aliança para o Progresso e voltaram a promover intervenções e golpes de estado para derrubar regimes desafetos. Governos nacionalistas, reformistas ou que simplesmente tentassem manter uma política externa independente passaram a ser alvo da pressão desestabilizadora conduzida pelo governo norte-americano. No contexto da Guerra Fria, o não-alinhamento aos EUA era visto como uma ameaça a sua hegemonia e, qualquer que fosse a matiz do governo, era inevitavelmente rotulado como esquerdista. Uma intensa propaganda anti-comunista ajudava a convencer a opinião pública da necessidade de afastar tais governos para a segurança do continente e do “mundo livre”.
          Com a “Operação Brother Sam”, em 1964, Washington atuou ostensivamente no golpe militar que afastou João Goulart no Brasil. No ano seguinte, os EUA desembarcaram tropas na República Dominicana para impedir as reformas do presidente Juan Bosch, que afetavam os interesses das companhias americanas instaladas no país. Durante o governo Nixon, os EUA apoiaram os golpes que implantaram regimes ditatoriais no Uruguai e no Chile, em 1973, e na Argentina em 1976. No Chile, o golpe liderado pelo general Pinochet derrubou o governo socialista democraticamente eleito de Salvador Allende e instalou a ditadura mais brutal que o continente conheceu nessa época. Na Argentina, onde o regime militar instalado pelo golpe liderado pelo General Videla foi responsável pelo seqüestro, tortura e assassinato de dezenas de milhares de cidadãos, destacou-se a resistência do movimento das Mães da Praça de Maio. As ditaduras do cone sul chegaram a se articular, através da chamada “Operação Condor”, para coordenar a repressão aos grupos democráticos e esquerdistas nesses países. No fim da década de 70, a democracia havia praticamente desaparecido na América Latina.

A REDEMOCRATIZAÇÃO
          Na década de 80, o contexto era outro e a fase de maior tensão da Guerra Fria já havia sido ultrapassada. A crise econômica, o endividamento externo e as pressões sociais e a oposição política cresceram em toda a América Latina. Os sociedade civil  voltava a se mobilizar, os movimentos sociais se rearticulavam e a luta dos setores que reivindicavam a volta da democracia ganhou força. A redemocratização, entretanto, seguiu uma trajetória peculiar em cada país, em ritmos diferentes e com desdobramentos também diferentes. No Brasil, por exemplo, a abertura “lenta gradual e segura” promovida pelos militares conseguiu deixar impunes todos os envolvidos nos crimes de seqüestro, tortura e assassinato de supostos “subversivos” pelos órgãos repressivos da ditadura. Já em países como a Argentina e o Uruguai, a luta para levar a julgemento as autoridades e agentes da repressão responsáveis por estes crimes nunca cessou e muitos, de fato, foram condenados.
          A Guerra das Malvinas (1982) foi um mecanismo utilizado pelo governo militar argentino para aliviar a pressão da sociedade contra o regime ditatorial, que crescia sem parar no início da década de 80. Tropas argentinas ocuparam as ilhas, mas a Inglaterra enviou uma força militar para recuperar as Falklands que, além da superioridade bélica, contou com apoio logístico norte-americano. Recrutas argentinos despreparados e mal equipados foram facilmente derrotados pelos ingleses e a derrota na guerra precipitou a queda da ditadura argentina. No ano seguinte, as eleições foram restabelecidas e Raúl Alfonsin, da União Cívica Radical se elegeu para a presidência. O Uruguai seguiu o mesmo caminho e, em 1984, elegeu presidente o colorado Julio Maria Sanguinetti. No Brail, no mesmo ano, desenrolava-se a “Campanha das Diretas Já” que, embora frustrada, anunciava a volta das eleições livres para a presidência. Gradualmente, foram restabelecidas eleições livres em todos os países e, na década de 1990 a democracia começava a se afirmar em quase todo o continente.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

FILOSOFIA - O PENSAMENTO POLÍTICO DE PLATÃO

A tarefa da Filosofia Política consiste em investigar o que é e para que serve o poder político. Nesse campo, os filósofos procuram entender como se constituem e como funcionam as relações de poder. Mas para compreender o pensamento político de Platão é preciso antes conhecer os fundamentos de sua filosofia.  A base da filosofia platônica é a contraposição entre o mundo sensível e o mundo das idéias. No homem, essa contraposição está expressa na existência do corpo e da alma. Em sua obra A República, Platão explica que a alma, porção ideal, se dividiria em três partes:

- Racional: A cabeça, que deve reger as outras partes. É a parte que busca o conhecimento, tendo como virtude essencial a sabedoria.
- Irascível: O tórax, parte da impetuosidade. É a parte que se ocupa da defesa e da guerra, tendo como virtude essencial a coragem.
- Concupiscente: O baixo ventre, o desejo, que está ligado às paixões e visa a satisfação dos instintos e dos impulsos. Parte que tem como virtude essencial a moderação ou temperança.

Através da educação o indivíduo seria capaz de atingir as virtudes essenciais correspondentes a cada uma dessas três esferas, respeitando-se a supremacia da porção racional sobre as demais.
A pólis, como reunião de indivíduos, também manifestaria, uma tripartição análoga a que vimos no plano individual, dividindo-se em três grupos sociais:

- Governantes: Correspondente à alma racional, esse grupo seria responsável pelo governo da cidade.
- Guardiões: Correspondente à alma irascível, esse grupo, composto basicamente por soldados seria responsável pela defesa da cidade.  
- Produtores: Correspondente à alma concupiscente, se compõe por artesãos, agricultores, criadores de animais, entre outros. Esse grupo tem a responsabilidade pelo trabalho e pela produção econômica.

Seguindo esse raciocínio, Platão demonstra que a justiça na polis dependeria do equilíbrio entre esses três grupos, e a manutenção da hierarquia entre eles. Assim, cada um cumpriria com sua função precípua, estando todos submetidos à autoridade dos governantes.
Assim, a concepção de política em Platão é aristocrática (aristoi=melhores; cracia=poder), ou seja, supõe que a grande maioria não é capaz nem de se auto-governar, que dirá exercer o poder político. O governo dos melhores deveria, então, ser exercido por uma elite (do latim eligere=escolhido), que se destacaria pelo saber.
Com base nisso, é importante destacar que a aristocracia platônica não estaria assentada no poder econômico, mas na capacidade racional dos indivíduos. Para isso, Platão propunha que todos tivessem igual acesso à educação, independentemente do grupo social de que fossem originários. Ao longo de sua formação as crianças seriam submetidas a sucessivas seleções, que as encaminhariam a um dos três grupos sociais de acordo com suas capacidades e méritos.

Fica evidente, portanto, que o regime político defendido por Platão não seria a democracia. Isso é perfeitamente justificável se tivermos em mente a já estudada “alegoria da caverna”: o filósofo se destaca dos demais, saindo do mundo das trevas e da ilusão, buscando a verdade e o conhecimento no mundo das idéias. Percorrido esse caminho, deve ele voltar para dirigir as pessoas que não alcançaram esse ponto. Para Platão, os governantes devem ser filósofos. O rei-filósofo, pela contemplação das idéias conhece a essência da justiça e deve governar a polis.

sábado, 17 de maio de 2014

BACHELET IMPÕE REFORMA TRIBUTÁRIA RADICAL ÀS EMPRESAS CHILENAS

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, aprovou na Câmara uma reforma tributária que impõe um significativo aumento dos impostos sobre o capital. Empresas que hoje pagam 20% sobre lucros devem pagar 35% em tributos a partir do próximo ano. O projeto de lei agora vai à votação no Senado, onde a oposição admite que não têm votos suficientes para derrubá-lo. O governo e partidos aliados intensificam a campanha explicativa na televisão
O Chile arrisca-se numa radical mudança de rumo na política econômica, a partir de profundas alterações na estrutura tributária em vigor há quatro décadas — incluindo a criação de imposto sobre a emissão de gases de efeito estufa. O objetivo é aumentar a receita governamental em dois pontos percentuais do Produto Interno Bruto, um adicional estimado em US$ 8 bilhões em arrecadação.
Desde a ditadura do general Augusto Pinochet, nos anos 70, o país convive com um sistema pelo qual o ganho salarial pode ser tributado em até 40% e o lucro empresarial no máximo 20% (empresas estrangeiras têm isenção quase total). Essa política liberal teve resultados concretos — o mais destacável é o crescimento econômico acelerado em ambiente de inflação baixa, durante três décadas.
Algumas consequências sociais são perceptíveis. Uma delas é que o país se tornou o mais próspero da América do Sul. Sua renda per capita era de US$ 5 mil em 1990, saltou para US$ 19 mil. A pobreza caiu, de 45% da população em 1985, para 14% atualmente.
Outra é a desigualdade social produzida por uma economia que ficou muito mais concentrada, nesse período. Com uma carga tributária reduzida, os mais ricos (10% da população) têm ganhos 27 vezes superiores aos dos mais pobres.
Isso levou a uma situação na qual 84% dos gerentes das 100 maiores empresas instaladas no Chile foram educados em escolas privadas, cuja tabela de preços só permite acesso a apenas 7% da população em idade escolar. E metade dessa elite gerencial saiu de apenas cinco escolas particulares, todas mantidas pela Igreja Católica.
A oposição chilena acha que a socialista Michelle Bachelet, com essa reforma, conduz o país a um salto no escuro. “Quem vai pagar a conta é a classe média e as pequenas e médias empresas”, argumenta o deputado oposicionista José Manuel Edwards. Oswaldo Andrade, presidente do Partido Socialista, retruca: “Os poderosos reagem quando se mexe no bolso deles”.
Controvérsia à parte, o Chile está diante de uma proeza política. Com apenas 63 dias no poder, Michelle Bachelet colocou seus ministros para viajar pelo país, explicando os objetivos da mais ampla reforma tributária das últimas quatro décadas. Com o apoio conquistado, já conseguiu percorrer metade do caminho legislativo.
Ao mesmo tempo, avança na garantia de respaldo ao seu projeto de reforma educacional, que deve entrar em pauta no Senado na próxima semana. E o governo prevê, ainda, chegar ao final deste ano com a aprovação parcial de uma nova Constituição — a atual é de 1980, aprovada em plebiscito no ocaso da ditadura.
A socialista Bachelet, de 57 anos, foi eleita em dezembro com 62% dos votos no segundo turno de uma disputa marcada pela ausência de 51% do eleitorado nas urnas. Está no segundo mandato, tem o hábito de falar pouco e trabalhar muito. Pode-se discordar do mérito das iniciativas, mas é inegável que ela está fazendo exatamente aquilo que, como candidata, havia previsto — por escrito — no seu detalhado programa de governo.

Fonte: O Globo

sexta-feira, 16 de maio de 2014

CIVILIZAÇÃO GREGA - A CIDADE-ESTADO DE ATENAS

Atenas situa-se na Ática, região no sudeste da Península Balcânica. A cidade foi fundada por descendentes dos jônios, indo-europeus que avançaram na região balcânica por volta do século XV a.C., e cresceu numa planície próxima do litoral e do porto de Pireu. Cercada por pequenas montanhas e voltada para o mar, Atenas logo estabeleceu contatos externos e dela partiram muitos gregos que foram instalar colônias em outras regiões. A região da Ática, pelo seu isolamento terrestre, não sofreu diretamente com a devastação ocorrida com a invasão dos dórios e teve uma passagem da sociedade gentílica para a sociedade de classes causada pela partilha da terra, no final do período homérico, quando surgiu a propriedade privada. Com o desenvolvimento do comércio e do artesanato a estrutura sócio-econômica passou por mudanças que determinaram, por sua vez, transformações nas instituições políticas. Além disso, o contato com outros povos e culturas contribuiu para que em Atenas surgisse uma mentalidade mais aberta e progressista.

   A desagregação da sociedade gentílica dividiu a sociedade ateniense, inicialmente, e três camadas: os eupátridas, que eram aristocratas grandes proprietários de terras, os georgoi, que eram pequenos agricultores e, ainda, os demiurgos, que formavam a classe dos comerciantes e artesãos. Na medida em que se desenvolveu o comércio com as colônias e com outros povos, cresceu também o número de metecos, ou seja, forasteiros e seus descendentes, mesmo nascidos em Atenas. O desenvolvimento do comércio e do artesanato fizeram com que a camada dos demiurgos prosperasse mas, por outro lado,  a concorrência dos produtos agrícolas importados das colônias contribuiu para arruinar os pequenos proprietários e aumentar a concentração de erras. Isso significa que cresceu o número de miseráveis, os tetes, sem terra e sem trabalho. Aumentou, também, o número de escravos, seja pela escravidão por dívidas, seja pelo desenvolvimento do comércio.

   No Período Arcaico, as cidades gregas eram governadas por um rei denominado basileus. Em Atenas o rei era assessorado por um conselho de nobres, o Areópago, que limitava o poder do monarca. Aos poucos, o poder de fato foi sendo transferido para as mãos dos nove arcontes, magistrados nomeados pelo conselho pelo prazo de um ano, que eram responsáveis pelas funções executivas. O conselho, que possuía o poder legislativo, apresentava as propostas de leis ou medidas que podiam ser aprovadas ou reprovadas pela Eclésia, a Assembléia popular. Nessa época, somente os eupátridas, isto é, os “bem-nascidos” podiam participar da Assembléia, ocupar um lugar no conselho ou exercer o arcontado. Na medida em que se desenvolveram a agricultura, o comércio e o artesanato novas camadas sociais emergiram com força na pólis e passaram a reivindicar direitos políticos. Por outro lado, a difusão da escravidão por dívidas e a pauperização dos pequenos proprietários geraram tensões e fizeram aumentar o descontentamento de boa parte do povo ateniense. Nesse contexto de transformações econômicas e de pressões sociais ocorreu uma polarização das forças políticas. De um lado a aristocracia procurava preservar seus privilégios, de outro, o demos procurava conquistar direitos. Foi nesse quadro de crise que surgiram os legisladores e os tiranos.

terça-feira, 13 de maio de 2014

CIVILIZAÇÃO GREGA - A CIDADE-ESTADO DE ESPARTA


   A cidade-estado de Esparta foi fundada, no século X, por tribos de pastores e guerreiros que eram descendentes dos dórios, na planície da Lacedemônia, no Peloponeso. Cercada por montanhas e com acesso difícil ao mar, Esparta quase não teve desenvolvimento do comércio e do artesanato especializado. A economia permaneceu essencialmente agrária e a ausência de setores médios permitiu que a nobreza militar controlasse os cargos e as funções políticas da cidade. Isolada, Esparta não sofreu influências externas e a mentalidade muito conservadora que predominava em sua sociedade não recebia de bom grado os forasteiros, mesmo gregos vindos de outros lugares. A chegada violenta e a dominação pela força das populações nativas explicam o caráter militarista e fechado da sociedade espartana. A necessidade de manter subjugada boa parte da população, além da beligerância permanente com as outras cidades, transformou Esparta numa cidade que estava permanentemente mobilizada para a guerra.

   A estrutura social, rigidamente dividida, não apresentava qualquer espaço de mobilidade e estava dividida, basicamente, em três camadas. Os esparciatas formavam a elite guerreira que descendia dos dórios. Dedicavam-se exclusivamente à vida militar, da qual só eram dispensados aos 60 anos de idade. Seu sustento era garantido pelo estado espartano, do qual cada guerreiro, ao chegar à idade adulta, recebia um lote de terra, o kleros, que era cultivado por servos. A aristocracia guerreira monopolizava todas as funções política na cidade. Os periecos eram homens livres sem cidadania, isto é, eram destituídos de quaisquer direitos políticos. Eram os agricultores livres ou os poucos comerciantes e artesãos que existiam em Esparta. Os hilotas constituíam a maioria da população e viviam em regime de servidão. Eram considerados como propriedade do Estado espartano e utilizados especialmente na agricultura. Estavam submetidos a uma constante vigilância, o que não impediu que se rebelassem em diversas ocasiões. Para impedir que a massa servil ultrapassasse certo limite demográfico, uma parcela era periodicamente massacrada no ritual de passagem dos jovens espartanos para a vida adulta conhecido como krypteia.

   Segundo s lenda, a Constituição de Esparta e o seu regime político teriam sido estabelecidos por Apolo e transmitidos a Licurgo, um legislador lendário, pelo oráculo de Delfos. Por ter um caráter divino, a constituição não poderia ser modificada, o que justificava a perpetuação do domínio oligárquico da cidade. O Estado era dirigido por dois reis (diarquia), que pertenciam as duas famílias mais poderosas de Esparta, mas seu poder era simbólico. A Gerúsia era o conselho formado por vinte e oito velhos espartanos com funções legislativas. A assembléia dos cidadãos, da qual participavam todos os guerreiros com mais de trinta anos, podia aprovar ou reprovar as medidas que eram propostas pelo conselho. O poder de fato, porém, era exercido pelos cinco Éforos, magistrados com plenos poderes, inclusive o de destituir os reis, que fiscalizavam rigorosamente a vida pública e privada de todos os cidadãos. As instituições políticas de Esparta, muito rígidas e conservadoras, nunca passaram por  transformações.


   A vida do cidadão espartano estava inteiramente submetida aos interesses do Estado. Nesse sentido, sua educação estava dirigida exclusivamente para a vida guerreira e cidadã. Quando nascia, a criança era submetida à avaliação dos eforato e, em caso de debilidade ou de defeito físico, podiam decidir pela sua morte. Caso contrário, permanecia com a família até os sete anos de idade, quando era tomado pelo Estado e passava, daí para frente, a viver em comunidade com as outras crianças. As meninas também eram educadas e exercitadas fisicamente, de modo que se tornassem mães de futuros guerreiros corajosos e saudáveis. Aprendiam a ler e escrever, entoavam os hinos e cantos marciais, conheciam as épicas façanhas dos heróis, etc. Aos doze anos passavam a viver em acampamentos, treinados para a atividade militar e o manejo de armas. Aos vinte anos, depois do ritual de passagem, passava a integrar as fileiras do exército e a participar das campanhas. A mulher espartana era bastante prestigiada, pelo seu papel reprodutor, e desfrutava de relativa liberdade, ao contrário do que ocorria nas outras cidades gregas.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

DONETSK E LUGANSK PROCLAMAM SUA INDEPENDÊNCIA DA UCRÂNIA

As regiões de Donetsk e Lugansk declararam sua independência da Ucrânia, um dia depois de referendos terem validado a separação, com apoio, segundo os insurgentes, de 89,7% e 96% dos eleitores, respectivamente.A primeira a se declarar independente foi a autoproclamada RPD (República Popular de Donetsk), cujo governo provisório pediu a Moscou que considere a integração do novo país à Federação Russa.
“Nós, o povo da República Popular de Donetsk, de acordo com os resultados do referendo realizado em 11 de maio de 2014 e em virtude da declaração de soberania da RPD, declaramos que ela constitui um Estado soberano”, diz o texto da proclamação da independência, lido pelo copresidente Denis Pushilin.
Pushilin acrescentou que, “de acordo com a vontade manifestada pelo povo e para restabelecer a justiça histórica”, a República Popular de Donetsk desejava unir-se à Rússia, uma vez que a região “sempre foi parte do mundo russo, independentemente de sua origem étnica".A região de Donetsk foi parte do Império Russo e “só depois da sangrenta catástrofe de 1917 [a Revolução Russa] foi separada com fronteiras administrativas da Grande Rússia”, lembrou Pushilin. Minutos depois da declaração de Donetsk, a chamada República Popular de Lugansk também proclamou sua independência, durante um grande comício realizado no centro da cidade.
"O povo de Lugansk proclama a criação do Estado soberano da República Popular de Lugansk", diz a declaração que foi lida perante a multidão concentrada. "De acordo com o direito internacional e com base na igualdade, o território e suas fronteiras são indivisíveis e invioláveis”.
Assim como em Donetsk, o referendo que validou a independência de Lugansk não foi reconhecido pelas autoridades ucranianas. Segundo os separatistas, a participação popular superou os 75%, mas o presidente interino da Ucrânia, Aleksander Turchinov, argumenta que esse número não ultrapassou os 32% em Donetsk e os 24% em Lugansk. Mais cedo, os líderes pró-Rússia de Lugansk e Donetsk haviam afirmado que não participarão das eleições presidenciais da Ucrânia, marcadas para o dia 25 de maio.
"Talvez as eleições pudessem ser realizadas no território da região de Lugansk. Mas agora somos a 'República Popular de Lugansk' e, por isso, não haverá eleições", afirmou Vasyl Nikitin, chefe de imprensa do chamado Exército do Sudeste, formado em Lugansk. Pushilin confirmou que em Donetsk também não haverá votação.
Em Donetsk, o comandante das “forças armadas” da RPD, Igor Strelkov, anunciou o início de uma “operação contraterrorista” para fazer frente à ofensiva de Kiev contra os ativistas pró-Rússia.Em documento, Strelkov declarou que “todas as formações militares, órgãos de segurança e polícia” estão submetidos às suas ordens, uma vez que se autoproclamou comandante das forças armadas da região. Além disso, Strelkov estabeleceu que todos os soldados e comandantes das Forças Armadas da Ucrânia "têm 48 horas para jurar lealdade à RPD ou abandonar seu território. Todos os que ficarem sob o comando da RPD terão garantidos manutenção do grau militar, salário e contribuições sociais". É  "ilegal a partir de agora" qualquer presença das forças de segurança e da ordem ucranianas na região de Donetsk.  Turchinov, por sua vez, já afirmou que os referendos separatistas não têm nenhum valor jurídico e declarou que a votação “foi iniciada pela Federação Russa com o objetivo de desestabilizar completamente a situação na Ucrânia, abortar as eleições presidenciais e derrubar as autoridades ucranianas”. 
Além do governo interino da Ucrânia, os Estados Unidos também declararam não reconhecer os referendos. Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki, o país considera que a votação "não é nada além de um esforço para criar novas divisões" na região.

Fonte; Opera Mundi 

sábado, 10 de maio de 2014

CIVILIZAÇÃO GREGA - Período Arcaico (750-500 a.C.)

   O surgimento da pólis resultou do sinecismo, isto é, da fusão de várias aldeias, enquanto se processava a desagregação da sociedade gentílica. Seu crescimento ocorreu com o comércio e o desenvolvimento da agricultura e do artesanato. A cidade-estado possuía suas próprias leis e governo autônomo. Quase sempre se constituía em torno de uma fortaleza dentro da qual a população se refugiava quando era atacada. No interior das muralhas que cercavam a acrópole, estavam os templos das divindades protetoras da comunidade, além da ágora, a praça onde ocorria o comércio e que servia, também, de ponto de encontro dos cidadãos. Inicialmente, as cidades-estado eram governadas por um rei que era chamado de basileus, e cujo poder era limitado por um conselho de aristocratas guerreiros. Algumas cidades gregas mantiveram governos aristocráticos, enquanto outras evoluíram para regimes democráticos.

   As cidades que tinham uma economia agrária e eram mais interioranas, como era o caso de Esparta, de maneira geral, possuíam uma estrutura social polarizada e uma aristocracia guerreira sempre monopolizou as instituições políticas, que permaneceram inalteradas. Por outro lado, nas cidades-estado com economia mercantil, como era caso de Atenas e de muitas colônias fundadas pelos gregos, que possuíam uma estrutura social mais diversificada, a emergência de setores enriquecidos pelo comércio e pelo artesanato, que passaram a pressionar as instituições, contribuiu para que ocorressem transformações políticas importantes e mudança na mentalidade. A fundação de colônias na Jônia, como Mileto, Bizâncio,  Odessa, Tarento, Marselha e muitas outras espalharam a cultura grega por toda a orla do Mar Negro e do Mar Mediterrâneo.A colonização, inicialmente de caráter agrícola, assumiu com o passar do tempo um cunho cada vez mais mercantil, gerando transformações sócio-econômicas que se refletiram, também, nas próprias metrópoles. 

   O comércio e o artesanato, até então desenvolvidos em pequena escala, no âmbito local e regional, ganharam proporções internacionais. Uma rica e poderosa classe média formada por comerciantes e artífices emergiu em muitas póleis gregas, com força e peso suficientes para aspirar direitos políticos que, até então, eram privilégio da aristocracia. Por outro lado, a concorrência dos produtos agrícolas oriundos das colônias provocou a queda dos preços e a gradativa ruína dos pequenos agricultores, fazendo aumentar a concentração da propriedade da terra nas mãos da aristocracia fundiária. A pauperização dos pequenos proprietários, a marginalização de homens sem terra ou sem trabalho e a difusão da escravidão por dívidas desencadearam uma série de conflitos e fizeram a tensão social crescer no interior das cidades gregas. Os setores despossuídos, liderados pelas camadas médias enriquecidas se articularam em torno de um partido popular e pressionaram as instituições exigindo reformas. De outro lado, os segmentos da aristocracia cerraram fileiras para impedir as transformações e preservar seus privilégios. Conforme o desfecho do conflito, as cidades permaneceram com seus regimes oligárquicos (Esparta) ou evoluíram para a democracia (Atenas). 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Prêmios Nobel de Economia afirmam que guerra às drogas é um grande fracasso

   Cinco ganhadores do prêmio Nobel de Economia, entre outros especialistas, afirmam que a guerra às drogas é um grande fracasso, uma enorme carga financeira e uma violação dos direitos humanos básicos, em um informe divulgado pela London School of Economics (LSE). “A implantação de uma estratégia mundial de guerra às drogas militarizada e de observância legal produziu enormes consequências negativas e danos colaterais”, conclui o grupo de especialistas da LSE que redigiu o informe sobre a economia das políticas antidrogas. Esse grupo é integrado por 13 acadêmicos, apoiados por sete personalidades, entre elas cinco economistas ganhadores do Nobel, o ex-secretário de Estado norte-americano, George Shultz e o atual vice-primeiro-ministro do Reino Unido, Nick Clegg. Durante anos, a oposição à proibição das drogas foi associada a setores marginalizados, como os próprios usuários ou os familiares de condenados pela posse de quantidades mínimas de substâncias ilegais.
   Agora, os economistas, as mais improváveis vítimas da guerra às drogas, mas atores vitais para seu desarmamento, dão sua contribuição. “O informe da LSE articula em muitos sentidos o que se disse antes, que estamos desperdiçando enormes recursos financeiros e humanos em nome de um modelo falido”, afirmou Kasia Malinowska Sempruch, diretora do Programa Mundial de Políticas sobre Drogas da Open Society Foundations. Essa organização, do magnata, investidor e filantropo George Soros, busca promover a adoção de políticas públicas que respeitem a democracia e os direitos humanos. Cada vez mais países estão expressando seu descontentamento com as políticas proibitivas que lhes impuseram potências como os Estados Unidos, até agora o maior mercado de drogas ilegais.   
   Em 2012, um comunicado dos chefes de Estado da Colômbia, Guatemala e do México solicitou ao secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, a revisão “urgente” das políticas antidrogas. No ano passado, a OEA (Organização dos Estados Americanos) publicou um informe que pedia a flexibilização dessas políticas e que se levasse em conta a possibilidade de sua despenalização. Na Assembleia Geral da ONU de 2013, o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, qualificou de “visionária “ a legalização da produção e do consumo de maconha adotada pelo Uruguai, e, com diferentes alcances, os Estados de Washington e Colorado, nos Estados Unidos. Em dezembro de 2013, vazou um documento interno contendo recomendações dos Estados membros da ONU, que revelava a disposição de muitos países em expressar sua inquietação particularmente.    
   O informe da LSE sustenta que as medidas de intervenção não conseguem nem mesmo seus objetivos mais elementares. “A evidência mostra que os preços das drogas baixaram enquanto sua pureza aumentou”, afirmam seus autores. Os US$ 100 bilhões de dólares gastos a cada ano em todo o mundo na aplicação de medidas legais e policiais relacionadas com as drogas se desperdiçam em sua maior parte e geram custos maiores para o futuro. Um estudo da ONU, mencionado por esse documento, determina que cada dólar gasto em terapias de substituição de opiáceos, como a metadona, “pode produzir um retorno entre US$ 4 e US$ 7 por redução da delinquência, dos custos judiciais e dos furtos relacionados com as drogas”.      Quando se contabiliza os custos de cuidados de saúde, “a economia total pode superar os custos na proporção de 12 para um”. Mas, quando se favorece a proibição, o consumo de drogas pode provocar crises sanitárias.   As leis draconianas contra as drogas podem ter um efeito punitivo para toda a força de trabalho de um país. Em 2000, o governo da Polônia penalizou a posse de quantidades menores de drogas ilícitas. Nos dez anos posteriores, mais de cem mil poloneses passaram a ter antecedentes penais por esse motivo, e agora não podem conseguir empregos no setor público. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos o negócio das prisões privadas e das empresas de defesa se beneficiou em grande parte graças ao investimento na aplicação das leis antidrogas e em alojar os presos condenados por esses crimes. Entre 1979 e 2009 a população carcerária norte-americana cresceu 480%, chegando a 2,2 milhões de pessoas. Vinte por cento delas e a metade das que estão em prisões federais cumprem pena por crimes relacionados às drogas.   
   Informes como o da LSE preparam o cenário para 2015, quando a Assembléia Geral da ONU realizará uma sessão especial dedicada ao futuro das políticas antidrogas. Em 2013, pela primeira vez, a maioria dos norte-americanos se mostrou a favor da legalização da maconha. Mas, nos Estados Unidos e no resto do mundo, as leis estão atrás da evolução dos costumes. Apesar das vitórias legislativas no Uruguai, em Portugal e alguns Estados norte-americanos, a grande maioria dos 230 milhões de consumidores de drogas em todo o mundo vive em países que gerenciam essas substâncias de acordo com dois rigorosos tratados da ONU: a Convenção Única sobre Entorpecentes (1961) e o Convênio sobre Substâncias Psicotrópicas (1971).      
   Porém, há países que preferem ignorar a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, órgão de supervisão da ONU com poderes praticamente judiciais, se ao se desconhecer as convenções consegue-se benefícios. Há cerca de duas décadas a adesão aos convênios implicava poucas consequências políticas para os Estados membros, e menos ainda para aqueles, como os Estados Unidos, que as redigiam nos bastidores. Mas eliminar suas inumeráveis ramificações nos acordos comerciais e no direito internacional exigirá muito mais do que o uso da caneta. Muitos países pequenos que se veem prejudicados pela guerra contra as drogas preferem arriscar seu capital político em temas menos problemáticos.

Fonte: Opera Mundi.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

CIVILIZAÇÃO GREGA - Período Homérico (1.200-750 a.C.)

   Esse período, inicialmente marcado por um retrocesso sócio-cultural, pode ser conhecido através da Ilíada e da Odisséia, poemas épicos escritos por Homero, de onde deriva a denominação dessa época. A Ilíada narra o cerco, e a destruição da rica cidade de Tróia pelos micênicos para resgatar Helena, esposa de Menelau, que havia sido raptada por Páris, um príncipe troiano. A Odisséia descreve a epopéia de Ulisses, chefe guerreiro que tenta voltar para casa depois da guerra mas precisa enfrentar muitas dificuldades e perigos, enquanto realiza inúmeras façanhas. Na ilha de Ítaca, onde Ulisses era rei, esperava por ele sua fiel esposa Penélope. Enquanto aguardava seu regresso, ela tecia (sem nunca terminar) um longo manto, para não ter que casar com os pretendentes que a assediavam.

   Nas duas principais obras da mitologia helênica, atribuídas a Homero, e também naquilo que foi relatado por Hesíodo em Os Trabalhos e os Dias, temos informações importantes sobre o modo de vida dos antepassados dos gregos, que viviam um uma sociedade comunal. Apesar de existirem referências às desigualdades sociais, como um escravo que trabalha na terra ao lado de Ulisses ou o tetes miserável que Aquiles dizia que preferia ser entre os vivos, que ser o rei do Hades, a sociedade grega daquela época ainda não estava dividida em classes. Era uma sociedade gentílica, ou seja, estava organizada em clãs (genos) que cultivavam a terra e criavam rebanhos em regime de comunidade. Ainda não existia a propriedade privada e a riqueza produzida pelo esforço conjunto do clã era distribuída segundo as necessidades de cada família. Os membros do clã, que estavam ligados por laços de parentesco e por um mesmo ancestral, seguiam a autoridade do patriarca (pater), isto é, seu membro mais velho e vários clãs formavam uma tribo.


   Essa sociedade gentílica começou a desaparecer no final do Período Homérico, quando se deu a partilha da terra e surgiu a propriedade privada. A divisão da terra e dos rebanhos, que teria sido realizada pelo pater, provavelmente beneficiou seus filhos e os parentes mais próximos. Assim, algumas gerações mais tarde, era possível perceber, nitidamente, o surgimento de uma sociedade dividida em classes. Com a desagregação da sociedade gentílica surgiu, de um lado, uma classe de grandes proprietários que passou a formar uma poderosa aristocracia, de outro, emergiu um amplo segmento constituído de pequenos proprietários pobres e, especialmente, de homens sem terra que, para poder sobreviver, precisaram se colocar sob a dependência dos aristocratas. Outros encontraram no comércio e no artesanato uma alternativa para garantir seu sustento. Por outro lado, a pressão gerada pelo crescimento demográfico e pela escassez de terras fez com que migrassem muitos gregos em busca de vida melhor. Uma segunda grande diáspora espalhou colônias gregas na orla do Mar Negro, no sul da Itália e no norte da África. Surgiram, entre os séculos IX e VII a.C., na Grécia e nas regiões que os gregos colonizaram, mais de trezentas póleis, as cidades-estado que caracterizaram, daí para frente, a evolução histórica da civilização grega.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ataque do Boko Haram mata mais de 200 na Nigéria


   Em novo ataque na Nigéria atribuído ao grupo radical islâmico Boko Haram, mais de 200 pessoas foram mortas em um atentado cometido no estado de Borno, região nordeste do país. A organização fundamentalista tem sido notícia nas últimas semanas após sequestrar centenas de garotas nigerianas de um colégio. Até o momento, o Boko Haram não assumiu a autoria da ação.
O novo ataque foi realizado por homens armados em veículos de combate, caminhonetes e motocicletas e ocorreu na tarde do dia 05 de maio, mas só foi divulgado no dia 7, pela imprensa local. Segundo informou o deputado federal Abdulrahman Terab, o atentado aconteceu na cidade de Gamboru, próxima à fronteira com Camarões, região em que o grupo tem atuação mais forte.
   "As pessoas ainda estão contando os corpos. Contaram mais de 200 e ainda não acabaram", disse o deputado, representante da região na câmara baixa do parlamento nacional. "Não há família que não se tenha visto afetada em Gamboru", disse Terab. As famílias já estão realizando os funerais das vítimas, segundo o deputado.
   Um sobrevivente do massacre, Mohammed Abari, de 60 anos, relatou a jornalistas que as vítimas fatais poderiam chegar a 300. Os agressores, que usavam roupas militares, invadiram a cidade à noite e destruíram mais de 250 casas e dispararam contra os moradores, segundo as testemunhas.    Os criminosos também teriam usado explosivos e lança-granadas. "Quando os pistoleiros chegaram, muita gente estava dormindo. Eu despertei pelo barulho dos disparos e os gritos de angústia dos que foram baleados ou forçados a sair de suas casas incendiadas. Não recebemos nenhuma ajuda", acrescentou Abari. A testemunha se escondeu em uma floresta durante várias horas antes de poder fugir para a capital de Borno, Maiduguri, a cerca de 200 km da cidade atacada.
   O ataque não foi reivindicado por nenhum grupo, mas se suspeita que deve ser obra do Boko Haram, autor de vários ataques no estado de Borno, base espiritual e de operações do grupo islâmico. O grupo armado divulgou na segunda-feira um vídeo no qual se atribuiu o sequestro de mais de 200 meninas em uma escola de Chibok, também em Borno, e disse que venderia as estudantes. No domingo, supostos membros da seita sequestraram outras oito meninas, de entre 12 e 15 anos, na cidade de Warabe, em Borno. Para conseguir mais informações sobre o sequestro das garotas, a polícia da Nigéria está oferencendo uma recompensa de 50 milhões de nairas (carca de R$ 669 mil) para quem fornecer dados factívies sobre o paradeiro das vítimas. A polícia anunciou a recompensa um dia após os Estados Unidos terem oferecido ajuda para a Nigéria solucionar o crime.
   O Boko Haram, que significa em língua local "a educação não islâmica é pecado", luta para impor a "sharia" (lei islâmica) na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul. Desde que a polícia matou em 2009 o líder do Boko Haram, Mohammed Yousef, o grupo mantem uma sangrenta campanha que deixou mais de três mil mortos. Com 170 milhões de habitantes integrados em mais de 200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais populoso da África, sofre múltiplas tensões por suas profundas diferenças políticas, religiosas e territoriais.

Fonte: Opera Mundi.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A CIVILIZAÇÃO CRETO-MICÊNICA

   Na origem da civilização grega estão os povos indo-europeus que penetraram na península balcânica durante o II milênio a.C. Os aqueus, os primeiros que se instalaram na região, acabaram entrando em contato uma cultura adiantada que florescia na Ilha de Creta, ao sul da Grécia, por volta de 1.700 a.C. A civilização cretense, ou minóica, prosperou com o comércio marítimo, que seus mercadores controlavam no Mediterrâneo oriental, na época. Escavações feitas em Creta, no início do século XX mostraram vestígios dessa brilhante civilização, cujos principais centros urbanos se encontravam Cnossos, Faístos e Malia. Nelas foram encontrados os grandiosos palácios que, provavelmente, inspiraram lendas como a Teseu e o Minotauro ou que se referem ao rei Minos. Os aqueus que, inicialmente, absorveram os conhecimentos e as técnicas da cultura cretense, acabaram, por volta de 1.400 a.C., invadindo a Ilha de Creta e destruindo a sua talassocracia.

   A civilização aquéia é também denominada creto-micênica pela forte influência dos elementos cretenses porque seu mais importante centro de difusão foi a cidade de Micenas. Depois de destruírem a civilização minóica, os micênicos dominaram o comércio marítimo na região e viveram um período de apogeu até cerca de 1.200 a.C., quando os últimos invasores indo-europeus, os dórios, avançaram na península balcânica. Os dórios, bem mais belicosos e com arma de ferro, avançaram de maneira violenta na região, destruindo e saqueando as cidades e massacrando parte da população. Aqueles que conseguiram fugir do avanço dório se refugiaram nas ilhas próximas do mar Egeu ou no litoral da Ásia Menor. Esse episódio contribuiu para uma primeira expansão da cultura que originou, séculos depois, a civilização helênica. Esse movimento ficou conhecido como a primeira diáspora grega.


   O início da Idade do Ferro na região balcânica, a partir da chegada dos dórios, coincidiu, então, com o período que os historiadores denominam “Idade das Trevas”. De fato, a região  mergulhou num verdadeiro caos e viveu um retrocesso que só foi revertido nos séculos seguintes. A introdução da técnica de fundição do ferro, entretanto, motivou dois desdobramentos importantes. Como é um minério mais abundante na natureza, o uso de armas e instrumentos de metal deixou de ser um privilégio de poucos homens ou comunidades. Em primeiro lugar, isso disseminou a guerra que se tornou algo quase ritual para os gregos. Além disso, fez avançarem as forças produtivas, o que teve como conseqüência, a longo prazo, a desagregação da sociedade gentílica, ou seja, da sociedade comunal.

domingo, 4 de maio de 2014

GOVERNO URUGUAIO REGULAMENTA PRODUÇÃO E CONSUMO DE MACONHA

O governo do Uruguai apresentou a regulamentação da lei para a produção e a comercialização da maconha no país e informou que os uruguaios poderão comprar até dez gramas da droga por semana. A lei de 104 artigos estabelece o preço de cada grama (deverá ser menos que um dólar), a quantidade máxima que se poderá cultivar em casa ou em clubes, o que se poderá comprar nas farmácias e até mesmo a forma como os consumidores deverão se identificar. A norma deve ser aprovada pelo Conselho de Ministros. Serão identificadas as empresas que desejem cultivar a cannabis e, se tudo ocorrer como previsto, no começo de dezembro as vendas poderão começar nas farmácias, segundo o jornal El País. 
Haverá três formas de acesso à maconha: na farmácia, mediante o cultivo em casa e associando-se a um clube de consumo. Para que ninguém compre mais do que o permitido, cada usuário deverá identificar-se por meio da impressão digital. A princípio, o governo havia oferecido três possibilidades: um carnê, um "cartão com um chip" e a impressão digital, a qual foi escolhida porque alguns consumidores reclamaram e deixaram claro que não desejavam ter seus nomes em nenhuma lista. O requerente se dirigir a qualquer repartição do Correio e se registrar por intermédio de um funcionário público que vai pedir seu documento. O funcionário fará o registro, utilizando o software que permitirá enviar as informações sem que o documento fique na base de dados. Depois, vai captar as impressões digitais dos dedos indicadores. O sistema verifica a digital para ver se já não foi registrada e, se não foi, será criado um algoritmo com o qual ele será identificado. 
Depois do registro, o sistema concederá um número a cada usuário. A pessoa poderá ir à farmácia e solicitar a compra de até 40 gramas mensais de maconha. O farmacêutico terá um terminal no qual colocará a digital e identificará o algoritmo sem que apareçam os dados pessoais da identidade e o sistema estabelecerá se a pessoa está autorizada a comprar. Como nos pacotes de cigarro, cada recipiente de maconha vendido em farmácias, contendo não mais que dez gramas, será acompanhado de um aviso sobre os riscos que o consumo da droga oferece. Será proibido fumar maconha nos mesmos lugares em que não se pode fumar tabaco. 
 Segundo estimativas, o volume total que se consome no Uruguai estaria em torno de 18 a 22 toneladas de maconha ao ano. Em função disso, calcula-se que seria necessário um máximo de dez hectares para produzir para esse universo de usuários. As plantações privadas serão feitas em um prédio militar cuja localização permanece secreta por razões de segurança e a previsão do governo é que não haverá um aumento de consumo, mas um consumo muito mais visível. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

DIREITOS HUMANOS: ONU ALERTA PARA CATÁSTROFE NO SUDÃO DO SUL

O país mais novo do mundo, em que mais de nove mil crianças foram forçadas a lutar na guerra civil, está à beira de uma catástrofe, segundo a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay. Ela também criticou o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e o líder dos rebeldes, Riek Machar, por sua aparente falta de preocupação com a ameaça de fome depois de quatro meses de conflito. 
"A Unicef [Fundo das Nações Unidas para Crianças] relata que mais de nove mil crianças foram recrutadas pelas forças armadas de ambos os lados", afirmou Pillay em coletiva de imprensa na capital do Sudão do Sul, Juba, nesta quarta-feira (30/04). "Trinta escolas foram tomadas por forças militares e houve mais de 20 ataques a clínicas e centros de saúde". 
"Muitas mulheres e meninas foram estupradas, muitas vezes brutalmente e às vezes por diversos homens. Outras foram sequestradas. Crianças foram mortas em ataques indiscriminados a civis de ambos os lados. O quanto a situação deve piorar antes que os que podem acabar com esse conflito, especialmente o presidnete Kiir e o senhor Machar, decidam fazê-lo?", questionou a chefe de direitos humanos. 
Pillay afimou que, além de se encontrar com Kiir, ela também foi enviada para investigar mortes recentes em Bor, onde habitantes da etnia predominante Dinka atacaram uma base da ONU em que pessoas da etnia Nuer estavam abrigadas. Dezenas foram mortos. 
Quando chegou ao país, ela disse ter se surpreendido com a aparente falta de preocupação de Kiir e Machar com a fome. "A reação a um pedido de 30 dias de tranquilidade para que as pessoas pudessem ir para casa e plantar - apesar de que pode ser tarde demais, com o fim das chuvas - foi morna: os dois líderes disseram que o fariam se o outro também fizesse e em seguida deixaram claro que não confiavam nas palavras um do outro", relatou.
Em Adis Abeba, na Etiópia, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que "a matança deve parar" e que seu país e as nações da África Oriental estão comprometidos a enviar uma força militar predominantemente regional o mais breve possível para interromper o derramamento de sangue no Sudão do Sul. 
Etiópia, Quênia, Burundi, Djibuti e Ruanda concordaram em contribuir com soldados para essa força. Não ficou claro qual seria o papel dos Estados Unidos na intervenção. Segundo Kerry, os soldados enviados formariam "uma força legítima que tem habilidade de ajudar a promover a paz" e que "precisa entrar em ação o mais rápido possível". Ele deve viajar a Juba ainda nesta semana. 

O Sudão do Sul conseguiu independência do Sudão em 2011. A guerra civil começou em dezembro do ano passado, entre os apoiadores de Kiir e os simpatizantes de Machar, ex-vice-presidente. Desde então, milhares de pessoas morreram, muitas em ataques étnicos.

Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A CIVILIZAÇÃO GREGA (I)

GEOGRAFIA, POPULAÇÃO E CULTURA


   A Península Balcânica, onde se originou a Civilização Grega, tem um relevo montanhoso e acidentado. O solo rochoso não favorece o desenvolvimento da agricultura, praticada somente em alguns poucos vales férteis. O pastoreio se mostrou uma atividade mais propícia num território de vegetação não muito densa. O clima, de tipo mediterrâneo, tem chuvas moderadas e distribuídas pelo ano. O verão é bastante quente e o inverno costuma ser bem rigoroso. O terreno íngreme e pedregoso não favorece as comunicações internas e dirige as comunicações e contatos externos para o mar. O litoral contribui para acentuar essa tendência, pois é recortado por inúmeras baías, golfos e enseadas que facilitam a instalação de portos e ancoradouros. Essas condições geográficas contribuíram para que os gregos se tornassem navegadores e comerciantes e explica, também, o fato dos gregos nunca terem constituído um reino ou Estado centralizado. Sua organização política, baseada em cidades que eram politicamente autônomas, cidades-Estado, proporcionou as condições necessárias para o surgimento da democracia e de uma cultura radicalmente humanista que nos influencia até os dias de hoje.

   Os gregos descendiam de povos indo-europeus ou arianos – aqueus, jônios, eólios e dórios – que durante o II milênio a.C. avançaram em sucessivas levas migratórias na região balcânica. Os invasores assimilaram ou expulsaram os habitantes nativos, chamados de pelasgos. Depois, absorveram a ciência, a técnica e a arte da navegação de uma brilhante civilização marítimo-mercantil que existia na ilha de Creta e que, mais tarde, eles acabaram por destruir. Esse período está retratado em lendas, como a de Teseu e o Minotauro, assim como o período caótico que se inaugurou com a chegada violenta dos dórios, a última leva invasora indo-européia, por volta de 1.200 a.C. A fase que se inaugurou, conhecida como a “Idade das Trevas” da região balcânica está descrita em lendas, como a Ilíada e a Odisséia. A partir do século VIII a.C., a gradual desagregação da sociedade gentílica levou muitos gregos a migrar em busca de terras onde fundaram colônias e desenvolveram o comércio. A colonização grega se espalhou pelas ilhas do Mar Egeu e pela costa da Ásia Menor. Fundaram colônias, também, na orla do Mar Negro, no sul da Itália e no norte da África, por onde difundiram a sua brilhante civilização.
 
   A Civilização Grega foi marcada pela diversidade política e pela unidade sócio-cultural. Os gregos produziram uma cultura totalmente diferenciada dos outros povos da Antiguidade, pelo seu caráter profundamente humanista e racionalista. Nela se encontram as origens da Ciência e da Filosofia, das instituições políticas que fundamentaram a civilização ocidental moderna, dos seus valores éticos e dos seus padrões estéticos. No cerne da história grega estava a polis, a cidade-estado, independente politicamente autônoma, com seu governo e suas leis. Nela, os homens livres, em pé de igualdade passaram a decidir sobre a sua vida e os destinos da cidade, fundamento do civismo e do espírito de liberdade que fundamenta a democracia. Mas foi a falta de unidade política, por outro lado, o ponto fraco dessa civilização. Enfraquecidas por intermináveis guerras, travadas entre si, as cidades foram dominada pelos macedônios. Com as conquistas de Alexandre, a cultura grega se uniu a cultura do Oriente, resultando dessa fusão a civilização helenística que os romanos dominaram nos séculos que antecedem o início da era cristã. Desaparecida no ocidente desde a queda do império romano, no século V, a tradição da cultura clássica greco-romana foi resgatada pelo movimento renascentista, a partir do fim da Idade Média.

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