Grandes Batalhas: Batalha Aérea da Inglaterra (1940)


A Batalha da Inglaterra, entre a Royal Air Force (RAF) a a Luftwaffe alemã está relacionada com a tentativa de Hitler de invadir a Inglaterra - a Operação Leão-Marinho. Ele pretendia abrir o caminho para uma invasão marítima arrasando, primeiro, a aviação e parte do poderio naval inglês.. Quando o número de suas baixas aumentou consideravelmente, os alemães esqueceram sua meta principal e passaram a desferir ataques contra Londres e outras cidades, numa operação conhecida comumente como "Blitz". A marinha alemã sofrera sérias baixas durante a campanha da Noruega e não estava em condições de escoltar as tropas nem mesmo pelo caminho marítimo mais curto, cruzando o Canal da Mancha. Obviamente, o desembarque seguro desses soldados dependeria mais da Luftwaffe do que da pequena marinha alemã. A Inglaterra e o seu império estavam agora praticamente sozinhos. Além disso, o país precisava empregar os seus escassos recursos não só na defesa das ilhas britânicas, mas também de suas possessões coloniais ameaçadas.
Em meados de 1940, o poder aéreo alemão encontrava-se no seu ponto culminante, com quase 3 mil aviões pilotados por pilotas bem treinados e experientes.
11 grupos de caças de combate = 1 300 Messerschmitt 109s
2 grupos de caças-bombardeiros de combate e bombardeio = 180 Messerschmitt 110s
10 grupos de bombardeiros = 1 350 (Heinkel 111s, Junker 88, Dornier 17s)
Para frustrar o ataque alemão, o Comando de Caças britânico possuía cerca de seiscentos ou setecentos caças, organizados em 55 esquadrões operacionais, incluindo seis de aviões de combate noturno (Blenheims), que não participavam das operações diurnas. A grande maioria dos aviões eram Hurricanes, cerca de um quinto eram Spitfires e havia ainda dois esquadrôes de Defiants. A Batalha da Inglaterra teve início no dia 10 de julho, quando bombardeiros alemães atacaram comboios mercantes no canal da Mancha. Os ataques alemães contra navios mercantes mercantes se prolongaram até 12 de agosto. Em seguida, os ataques alemães se dirigiram para os campos de pouso dos aviões britânicos, situados no sul e no sudeste. Mas, apesar de causarem muitos danos, não estavam obtendo os resultados desejados. No decorrer dos dez primeiros dias da campanha de agosto, a Luftwaffe teve perdas muito superiores às da RAF, que perdeu apenas 153 aviões. Nas intensas batalhas do dia 15 de agosto, os alemães perderam um total de 76 avioes. O Spitfire apresentava um desempenho consideravelmente superior ao do Messerschimitt 109 que, apesar de mais ser mais veloz, apresentava dificuldades quanto à dirigibilidade. O Hurricane, um aparelho mais lento, estava mostrando o seu valor contra os bombardeiros alemães. A verdade é que os pilotos dos caças ingleses conscientes de que a vitória dependia de sua coragem e tenacidade, demonstraram ainda mais iniciativa e arrojo do que os seus adversários. Ocorreram muitos casos em que um avião foi atingido e o piloto se salvou saltando de pára-quedas, voltando a lutar com outro avião ainda no mesmo dia. Havia a vantagem do "desempenho em áreas domésticas", pois muitos pilotos da RAF obrigados a abandonar seus aparelhos - mesmo os que caíam no mar -, podiam ser resgatados.
O desenvolvimento do radar lhes deu uma grande vantagem, no sentido de poder distinguir entre as falsas e verdadeiras ofensivas alemãs, de modo que pudessem empregar seus recursos da melhor maneira possível. Os alemães aumentaram então a proporção de caças em relação aos bombardeiros e, após uma breve apusa, desferiram onze grandes ataques no decorrer dos cinco primeiros dias de setembro. Dessa vez, seus alvos eram as bases aéreas de caças situadas no interior do país e fábricas de aviões. As baixas estavam começando a fazer com que os alemães perdessem de vísta seu verdadeiro objetivo, ou seja, a destruição da RAF. Assim que eles começaram a modificar os seus alvos, foram derrotados, se bem que não se tivesse essa impressão na ocasião.
No dia 7 de setembro, ocorreu o primeiro ataque em massa contra Londres. "Esta", disse Göring, "é a hora histórica em que a nossa força aérea desferiu pela primeira vez seus golpes bem no coração do ìnìmìgo." O ataque foi realizado entre as 5 e 6 horas da tarde. Cerca de 320 bombardeiros, escoltados por mais de seiscentos caças, vieram acompanhando o rio Tâmisa e bombardearam o centro da cidade, Westminster e Kensington. Incêndios enormes foram causados pelo ataque além de numerosas vítimas. Durante 23 dias seguidos, a Luftwaffe manteve essa pressão. O maior dos ataques diurnos ocorreu no dia 15 de setembro e as intensas lutas travadas entre Londres e o estreito de Dover custaram 56 aparelhos aos alemães. Esse foi o ponto culminante da batalha. O número crescente de baixas estava começando a diminuir a potência da Luftwaffe. Os bombardeiros deixaram de atuar durante o dia por volta de 5 de outubro. Os ataques, executados por caças-bombardeiros (Messerschmitts 110s), com grande escolta, voando a cerca de 3 000 pés de altura e cada um transportando apenas duas bombas, não chegaram a ser muito impressionantes. No final do mês, a Batalha da Inglaterra havia chegado ao fim.
No dia 12 de outubro, Hitler havia cancela do a Operação Leão-Marinho porque a Luftwaffe fracassara em estabelecer condições para que os alemães ousassem cruzar o canal da Mancha. Essa tentativa havia custado 1.733 aparelhos à Luftwaffe. Foi uma grande vitória britânica; uma das batalhas decisivas da guerra. E não foi facilmente vencida. Apesar de a batalha propriamente dita ter terminado, os bombardeios noturnos continuaram. Londres, Southampton, plymouth, Bristol, Liverpool, Coventry, Birmingham e Exeter foram algumas das cidades que sofreram ataques.

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