As Revoluções do Século XX: Revolução Cubana (1959)

Cuba só conseguiu se libertar do domínio espanhol no final do século XIX. O movimento de independência foi liderado pelo poeta José Martí, que morreu pouco antes da vitória definitiva do seu exército de escravos libertos e brancos pobres sobre as tropas espanholas, em 1898. Nesse mesmo ano, os EUA provocaram a Guerra Hispano-americana que lhes garantiu o controle sobre Cuba, Porto Rico e as Filipinas. Tropas americanas desembarcaram na ilha e, embora os EUA reconhecessem a independência do país (1902), obrigaram os cubanos a incluir na sua constituição a Emenda Platt, que assegurava ao governo americano o direito de intervir nos assuntos cubanos sempre que julgassem necessário. Os EUA asseguraram também domínio sobre a base naval de Guantânamo, no sul da ilha, que mantêm sob seu controle até hoje.
As empresas americanas passaram a controlar praticamente toda a economia da ilha: 75% das terras, 90% das ferrovias e serviços, e quase metade da produção açucareira. Aos poucos, Cuba transformou-se no “bordel dos EUA” terra de jogo, tráfico e prostituição, com seus cassinos, hotéis e praias desfrutados pelos ricos americanos. Em contrapartida, as condições de miséria e exploração em que vivia a população cubana deixavam estarrecidos aqueles que resolvessem, de fato, conhecer o país.
Para garantir seus interesses os EUA fizeram diversas intervenções em Cuba (1906, 1912, 1913, 1917), colocando no poder ditadores de sua confiança, como foi o caso de Gerardo Machado (1925-33), derrubado por um levante popular. Com o apoio americano, também subiu ao poder o ex-sargento Fulgêncio Batista que governou até 1944. Um outro golpe de estado instalou uma ditadura de Batista, em 1952. No ano seguinte, no dia 23 de julho, o fracasso do “assalto ao quartel Moncada” levou o jovem Fidel Castro junto com outros rebeldes cubanos para a prisão, e depois para o exílio no México onde eles encontrariam o médico argentino Ernesto Che Guevara, que se juntou à causa.
Em dezembro de 1956, os cerca de 80 revolucionários que viajaram à bordo do pequeno iate “Granma”, desembarcaram nas praias de Cuba e foram chacinados pelas tropas do ditador. Os pucos sobreviventes refugiaram-se nas montanhas da Sierra Maestra onde onde começaram um foco guerrilheiro que nos meses seguintes conquistou apoio nas cidades. O avanço fulminante do exército rebelde, no final de 1958, vou à fuga de Fulgêncio Batista. No início de janeiro de 1959 os rebeldes entraram em Havana e formaram um governo provisório com participação inclusive de políticos moderados, mas tendo Fidel como primeiro-ministro.
A Reforma Agrária e as primeiras medidas de caráter popular e anti imperialista precipitaram o conflito com os EUA. Em 1961, no início do governo Kennedy, mercenários cubanos treinados e armados pela CIA desembarcaram na Baía dos Porcos mas foram rapidamente derrotados pelos defensores da revolução. A pressão americana levou Fidel a radicalizar as reformas e a nacionalização das empresas estrangeiras e, no contexto da Guerra Fria, uma aproximação com a URSS se tornou inevitável. Em dezembro de 1961, Fidel declarava o caráter socialista da Revolução Cubana e, em represália, os EUA decretaram o bloqueio econômico e o isolamento político a Cuba e forçaram sua expulsão da OEA. Mesmo assim, nos anos seguintes, o governo revolucionário com apoio popular realizou progressos marcantes, especialmente nas áreas da educação e da saúde.

SAIBA MAIS:
Cronologia - da Revolução aos dias de Hoje
Análise - Revolução Cubana: 50 anos de resistência e dignidade

Comentários