DONETSK E LUGANSK PROCLAMAM SUA INDEPENDÊNCIA DA UCRÂNIA

As regiões de Donetsk e Lugansk declararam sua independência da Ucrânia, um dia depois de referendos terem validado a separação, com apoio, segundo os insurgentes, de 89,7% e 96% dos eleitores, respectivamente.A primeira a se declarar independente foi a autoproclamada RPD (República Popular de Donetsk), cujo governo provisório pediu a Moscou que considere a integração do novo país à Federação Russa.
“Nós, o povo da República Popular de Donetsk, de acordo com os resultados do referendo realizado em 11 de maio de 2014 e em virtude da declaração de soberania da RPD, declaramos que ela constitui um Estado soberano”, diz o texto da proclamação da independência, lido pelo copresidente Denis Pushilin.
Pushilin acrescentou que, “de acordo com a vontade manifestada pelo povo e para restabelecer a justiça histórica”, a República Popular de Donetsk desejava unir-se à Rússia, uma vez que a região “sempre foi parte do mundo russo, independentemente de sua origem étnica".A região de Donetsk foi parte do Império Russo e “só depois da sangrenta catástrofe de 1917 [a Revolução Russa] foi separada com fronteiras administrativas da Grande Rússia”, lembrou Pushilin. Minutos depois da declaração de Donetsk, a chamada República Popular de Lugansk também proclamou sua independência, durante um grande comício realizado no centro da cidade.
"O povo de Lugansk proclama a criação do Estado soberano da República Popular de Lugansk", diz a declaração que foi lida perante a multidão concentrada. "De acordo com o direito internacional e com base na igualdade, o território e suas fronteiras são indivisíveis e invioláveis”.
Assim como em Donetsk, o referendo que validou a independência de Lugansk não foi reconhecido pelas autoridades ucranianas. Segundo os separatistas, a participação popular superou os 75%, mas o presidente interino da Ucrânia, Aleksander Turchinov, argumenta que esse número não ultrapassou os 32% em Donetsk e os 24% em Lugansk. Mais cedo, os líderes pró-Rússia de Lugansk e Donetsk haviam afirmado que não participarão das eleições presidenciais da Ucrânia, marcadas para o dia 25 de maio.
"Talvez as eleições pudessem ser realizadas no território da região de Lugansk. Mas agora somos a 'República Popular de Lugansk' e, por isso, não haverá eleições", afirmou Vasyl Nikitin, chefe de imprensa do chamado Exército do Sudeste, formado em Lugansk. Pushilin confirmou que em Donetsk também não haverá votação.
Em Donetsk, o comandante das “forças armadas” da RPD, Igor Strelkov, anunciou o início de uma “operação contraterrorista” para fazer frente à ofensiva de Kiev contra os ativistas pró-Rússia.Em documento, Strelkov declarou que “todas as formações militares, órgãos de segurança e polícia” estão submetidos às suas ordens, uma vez que se autoproclamou comandante das forças armadas da região. Além disso, Strelkov estabeleceu que todos os soldados e comandantes das Forças Armadas da Ucrânia "têm 48 horas para jurar lealdade à RPD ou abandonar seu território. Todos os que ficarem sob o comando da RPD terão garantidos manutenção do grau militar, salário e contribuições sociais". É  "ilegal a partir de agora" qualquer presença das forças de segurança e da ordem ucranianas na região de Donetsk.  Turchinov, por sua vez, já afirmou que os referendos separatistas não têm nenhum valor jurídico e declarou que a votação “foi iniciada pela Federação Russa com o objetivo de desestabilizar completamente a situação na Ucrânia, abortar as eleições presidenciais e derrubar as autoridades ucranianas”. 
Além do governo interino da Ucrânia, os Estados Unidos também declararam não reconhecer os referendos. Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki, o país considera que a votação "não é nada além de um esforço para criar novas divisões" na região.

Fonte; Opera Mundi 

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