OPINIÃO: Qual democracia?

O que está em marcha é a falência da democracia liberal burguesa, a democracia representativa, com seus partidos e instituições que já não têm crédito nem legitimidade. E isso não só no nosso país, mas em quase todo mundo, embora por fatores diversos."SEJAMOS REALISTAS, EXIJAMOS O IMPOSSÍVEL" pichavam os jovens parisienses que foram às ruas em março de 1968 para, pela primeira vez, questionar seriamente esse modo de vida que a tudo mercantiliza e a todos desumaniza. Isso significa não aceitar o "possível" que é essa realidade caótica que vai se instalando ao nosso redor: um transporte público caro e precário, a crise e o descaso com a saúde pública, a banalização da violência e a insegurança generalizada, uma educação de baixa qualidade, a corrupção e a impunidade, a roubalheira do dinheiro público, etc. Exigir o "impossível" significa transformar essa realidade e construir um país e um mundo melhores. Mas isso só pode acontecer com a mobilização da sociedade e com o direito de manifestação e protesto dos cidadãos. É isso que deve garantir uma verdadeira democracia, e não o direito da mídia manipular informação ao gosto dos interesses econômicos dominantes. Se não, o que acontece é somente uma farsa "democrática", em que elegemos, a cada quatro anos, políticos e partidos que só servem para legitimar esse modelo econômico perverso, com suas injustiças sociais e sua degradação ambiental. É preciso construir uma democracia de verdade, que permita à sociedade se desenvolver de maneira consciente e consequente, ao invés de um regime político que reprime com brutalidade aqueles que questionam suas contradições e denunciam suas mazelas. Sejamos realistas, exijamos a democracia direta, com todos os seus desafios e exigências, incluindo a democratização dos meios de comunicação e do acesso à educação de qualidade.

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