A BASE DOS EUA EM GUANTÁNAMO (CUBA)

Em 22 de março de 1903, os Estados Unidos instalam base militar em Guantánamo, Cuba. As relações entre Cuba e os Estados Unidos já eram conflituosas antes ainda das lutas pela independência. Planos para aquisição da ilha foram manifestadas por Washington em varias ocasiões. Enquanto diminuía a influência espanhola no Caribe, os Estados Unidos ganharam aos poucos uma posição de domínio político e econômico sobre a ilha. As relações entre o continente norte-americano e a colônia espanhola de Cuba começaram já no século 18. À medida que o comércio legal e ilegal se incrementava, Cuba se converteu em importante centro de produção de tabaco e açúcar, o que levou ao crescimento do fluxo mercantil de Cuba aos portos dos Estados Unidos.
A independência da 13 Colônias norte-americanas em 1776 aumentou as posibilidades de intercâmbio comercial entre Washington e Havana. Após a abertura da ilha ao comércio mundial em 1818, os acordos cubano-estadunidenses substituiram as conexões comerciais com a Espanha. Em 1820, Thomas Jefferson afirmou que Cuba era “o acréscimo mais interesante que se podía fazer ao nosso sistema de estados” e disse ao Secetário de Guerra, John Calhoun, que devia “na primeira oportunidade tomar Cuba”. Quincy Adams, Secretário de Estado, comparou Cuba com uma maçã que, ao separar-se da Espanha, gravitaria em direção aos Estados Unidos.

Em 1854, uma proposta secreta conhecida como o Manifesto de Ostend foi idealizada pelos diplomatas de Washington para adquirir Cuba da Espanha por US$ 130 milhões. Já em 1877, os Estados Unidos açambarcavam 82% das exportações de Cuba, podendo com isso  controlar preços e produção diretamente. Cada vez mais cidadãos estadunidenses passaram a residir na ilha e alguns bairros à beira-mar tinham mais características de cidade norte-americana do que espanhola. Entre 1878 e 1898, investidores norte-americanos aproveitaram as condições econômicas cubanas, deterioradas devido à Guerra dos Dez Anos, e compraram propriedades a preços muito baixos. O Secretário de Estado James Blaine escreveu em 1881 sobre Cuba: “A rica ilha, chave de entrada no Golfo do México, e via para estender nosso comércio pelo hemisfério ocidental, é, ainda que em mãos de Espanha, uma parte do sistema comercial americano. Se deixasse de ser espanhola, Cuba deve necessariamente tornar-se americana.”
Em 1897, o presidente William McKinley ofereceu comprar Cuba por US$ 300 milhões. A oferta foi rechaçada e a estranha explosão que afundou o couraçado USS Maine no porto de Havana provocaria a Guerra Hispano-Americana. Em 10 de dezembro de 1898, Espanha e Estados Unidos firmaram o Tratado de Paris, ocasião em que o país europeu abriu mão de todos os seus direitos sobre Cuba. O tratado, do qual a Espanha pediu que os cubanos não participassem, poria fim ao Império Espanhol na América e marcava o principio da expansão e do domínio político dos Estados Unidos na região. O controle militar sobre a ilha durou até 1902, quando finalmente foi concedida a independencia formal a Cuba.
Uma das condições estabelecidas entre Cuba e Estados Unidos para assegurar a retirada das tropas estadunidenses da ilha era a adoção por Cuba da Emenda Platt. Esta medida estipulava que Washington poderia exercer o direito de intervenção em assuntos políticos, econômicos e militares cubanos em caso de necessidade. Outra consequência da emenda supunha o uso prolongado por parte dos Estados Unidos da porção meridional da Baía de Guantânamo, onde uma base naval havia sido estabelecida em 1898. O arrendamento da baía foi confirmado pelo Tratado Cubano-Americano.
Apesar da passagem de Cuba a uma república independente, os Estados Unidos assumiram o controle militar após uma rebelião dirigida por José Miguel Gomez. Em 1912, forças norte-americanas voltaram novamente a Cuba para acalmar protestos de afro-cubanos contra a discriminação racial.
Em 1926, as companhias dos Estados Unidos detinham mais de 60% da indústria açucareira cubana e importavam 95% do total da colheita cubana. Washington apoiou os sucessivos governos cubanos, mas o confronto interno entre o governo Gerardo Machado e seus opositores políticos cubanos, em 1933, levou o embaixador Sumner Welles a solicitar intervenção de marines ao presidente Roosevelt. Foram enviados 29 navios de guerra fortemente armados. O sucessor de Machado, Ramón Grau, assumiu a presidência e anulou imediatamente a Emenda Platt. Em represália, Washington negou reconhecimento ao governo Grau, o qual era descrito pelo embaixador Welles “comunista” e “irresponsável”. Os Estados Unidos continuaram a ter posse da base naval de Guantánamo. Foi definitivamente arrendada aos Estados Unidos e somente um acordo mútuo ou o abandono dos Estados Unidos da área poderia encerrar o arrendamento. Hoje em dia, os EUA pagam anualmente uma quantia pelo arrendamento que o governo cubano se recusa a receber. Os cubanos não aceitam a presença da base no seu território e alegam que ela fere a sua soberania. Desde o governo George W. Bush os EUA vêm utilizando a base como prisão de ativistas que foram capturados em diversos lugares e são acusados de serem terroristas. Por isso, não estão protegidos pela legislação americana ou a qualquer outra, num flagrante desrespeito as tratados e acordos internacionais sobre respeito aos direitos humanos. 

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