Brasil pede aos EUA liberação de documentos sobre golpe de 64

   O Senado brasileiro enviou, no dia 29/03, uma carta ao governo dos EUA solicitando a liberação de todos os documentos secretos sobre o golpe militar ocorrido no Brasil em 1964. A mensagem  foi assinada por Renan Calheiros (PMDB-AL) e direcionada ao presidente do Senado norte-americano, Joseph Biden. "Pedimos apoio para a luta pelos direitos humanos no Brasil e o resgate histórico de um período nebuloso de supressão das liberdades democráticas", diz o texto.
   De acordo com informações da Agência Brasil, documentos do Pentágono podem esclarecer fatos sobre o golpe de 64. "A despeito do retorno à normalidade democrática no Brasil, ainda restam muitos episódios referentes ao golpe de 1964 que precisam ser esclarecidos, vítimas a serem reconhecidas e danos a serem reparados”, afirmou Renan Calheiros na carta. O Senado brasileiro também pretende enviar uma comissão de parlamentares a Washington para discutir a liberação de novos documentos secretos com congressistas norte-americanos. 
   Vários documentos que perderam a classificação de sigilosos nos últimos anos nos Estados Unidos revelaram que a Casa Branca e o Pentágono encorajaram o movimento que derrubou Goulart.
   A carta assinada por Renan Calheiros foi motivada por um pedido direto do filho do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe. João Vicente Goulart procurou os representantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado, após anos tentando, junto com outros membros da família, ter acesso a documentos cuja classificação de sigilo já deveriam ter sido retirada nos Estados Unidos. “Os Estados Unidos têm vários arquivos [sobre o golpe brasileiro]. Embora tenha uma lei que permita o acesso a alguns documentos com 25 anos, outros com 50 anos, a gente precisa saber onde os documentos estão. Eles fazem isso justamente para dificultar e nós acreditamos que com o pedido de Estado para Estado fique muito mais fácil”, explicou.
   João Vicente está convicto que os documentos em poder do Estado norte-americano vão conter fatos ainda desconhecidos sobre a história brasileira. Segundo ele, é importante o envolvimento de toda a sociedade brasileira no sentido de pressionar para ter acesso a essas informações. “Acho que principalmente sobre o golpe nós vamos ter muitas informações novas. Até hoje quando eles fazem a desclassificação ainda aparecem  tarjas pretas que não permitem a leitura de determinados trechos dos documentos”, diz.
   O presidente da subcomissão da verdade, que faz parte da Comissão de Direitos Humanos, senador Randolfe Rodrigues (PSOL- AP), conta que entre os documentos aos quais se pretende ter acesso estão os depoimentos de agentes da CIA ao Senado americano na década de 1970. De acordo com ele, esses depoimentos podem conter informações sobre a influência dos Estados Unidos no golpe que depôs o presidente João Goulart. “Queremos saber qual foi todo o procedimento da Central de Inteligência Americana em relação à ditadura militar brasileira, aos militantes políticos brasileiros e também [em relação à] morte do presidente João Goulart. Nós acreditamos que esses documentos vão mostrar também ligações com a Operação Condor”, diz o senador.
   Tanto João Vicente Goulart, quanto Randolfe Rodrigues acreditam que o momento histórico, em que se completam 50 anos do golpe no dia 31 de março, é relevante para trazer à tona novas informações que os documentos podem conter.

Comentários