Geopolítica: Bolívia quer negociação com o Chile para recuperar sua saída para o mar


O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta terça-feira que a recuperação da saída para o oceano Pacífico é uma "questão de Estado" à qual o país não pretende renunciar e garantiu que não tratará desse assunto a partir de um ponto de vista partidário ou pessoal. Morales fez as declarações durante a comemoração do Dia do Mar, data em que a Bolívia reivindica, ano após ano, a saída para o mar que perdeu há mais de um século em uma guerra contra o Chile.
A saída para o mar faz parte da agenda bilateral de 13 pontos aberta por Morales e pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que deixou o poder neste mês, no início de seus respectivos mandatos. Diante da mudança de governo no Chile, Morales se declarou satisfeito com o novo presidente, Sebastián Piñera --que disse querer manter boas relações e trabalhar de maneira conjunta com a Bolívia.
Em seu discurso, Morales não descartou a possibilidade de apelar à comunidade internacional caso a disputa com o Chile não seja resolvida.
"Se não é possível resolver, apelaremos à comunidade internacional. Cumprimentamos o grande interesse do mundo inteiro em apoiar o retorno da Bolívia ao oceano Pacífico", afirmou.
Morales disse que a "diplomacia dos povos" impulsionada por seu governo "está construindo um cenário mais apropriado para conseguir a reivindicação marítima que vem sendo postergada sistematicamente pelas oligarquias bolivianas e chilenas há 131 anos".
Mais de um século depois da Guerra do Pacífico (1879-83), a Bolívia e o Chile não mantêm relações diplomáticas em nível de embaixadores devido ao conflito, salvo um parêntese aberto pelos ditadores Hugo Bánzer e Augusto Pinochet, em meados da década de 1970. A agenda de diálogo criada por Morales e Bachelet em 2006 abriu um novo marco na relação entre os governos de La Paz e Santiago.

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