Oriente Médio: Síria denuncia manobra israelense para anexar colinas de Golã


O Ministério das Relações Exteriores da Síria denunciou, como um "desafio flagrante" à comunidade internacional, a aprovação preliminar pelo Parlamento de Israel de um projeto de lei que exige a realização de um referendo sobre qualquer acordo de paz que leve os israelenses a abrir das Colinas de Golã, capturadas da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Segundo Chancelaria síria, a decisão israelense, é "ilegal" porque contradiz o direito internacional e resoluções da ONU.
A declaração da Síria foi feita um dia depois que o Parlamento unicameral israelense aprovou, por 68 votos a 22, a obrigatoriedade de referendo, que se aplica também a Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como capital de um futuro Estado, ocupada também em 1967. Os deputados israelenses ainda precisam votar outras duas vezes o projeto. Durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou Cisjordânia, Gaza, Jerusalém Oriental, as Colinas do Golã sírias e o Sinai, devolvido ao Egito após a assinatura de um acordo de paz em 1979.
Um porta-voz do Ministério de Exteriores sírio disse que Israel renovou seu desafio à vontade da comunidade internacional de conseguir uma paz global na região de acordo com o princípio de "paz em troca de territórios". Para ele, Israel desafiou a maioria de seus aliados e amigos, já que a decisão do Parlamento confirmaria que o Estado rejeita a paz e prefere manobras políticas a um acordo. Além disso, destacou que a decisão do Parlamento israelense não tem nenhum valor legal porque contradiz a legislação e às resoluções internacionais que estabelecem como inadmissível a aquisição de um território pela força.
A Síria desmentiu também a afirmação do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que há dois dias afirmou que Damasco tinha retirado a condição de Israel deixar as colinas de Golã para retornar à mesa de negociações. Nesse sentido, o porta-voz sírio lembrou que todos os chefes de governo israelenses, desde o começo de negociações com a conferência de Madri em 1991, se comprometeram a uma retirada completa de Golã até as fronteiras em junho de 1967. A fonte ressaltou que o governo de Netanyahu sabe bem que a Síria não voltará ao diálogo de paz com mediação turca a menos que Israel se comprometa em desocupar Golã.
"A devolução do território sírio ocupado é um direito reconhecido por resoluções da ONU e não objeto de negociação", disse o porta-voz.
A retirada israelense de Golã foi sempre uma condição de Damasco para iniciar as negociações de um acordo de paz. Damasco suspendeu por tempo indefinido as conversas indiretas que mantinha com Israel, com mediação da Turquia, desde maio do ano passado pela ofensiva israelense no começo de 2009 contra Gaza, controlada pelo Hamas, cujo líder máximo, Khaled Meshaal, vive exilado na Síria.

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