Geopolítica: O Brasil, a crise em Honduras e as bases americanas na Colômbia


A história da expansão dos Estados Unidos não se distingue, fundamentalmente, do imperialismo das potências européias que desde o início da Idade Moderna se lançaram em direção à América Latina, Ásia, África e Austrália. O ideário liberal anticolonialista e anti-imperialista dos EUA, na prática, desapareceu no minuto seguinte à sua independência, declarada em 1776. Os presidentes americanos, de maneira geral, nunca viram contradição na combinação democracia-imperialismo”.
Barack Obama é um político ambivalente mas bastante astuto. Decreta o fechamento das bases de Guantánamo, em seu primeiro dia de governo, para deixar que, pouco depois, “a realidade” revele que o ato é inexeqüível. Afirma que seu governo se dedicará à revitalização da classe média, mas, libera bilhões de dólares para bancos e empresas, que, por seu turno, pagam, em meio a uma depressão econômica, bônus milionários a seus executivos .Ou seja, mantem a mesma política externa e interna de seu antecessor, o qual, aliás, se nega a processar pelas notórias violações de direitos humanos e corrupção.
O estilo direto, feroz, de George Bush foi substituído por um estilo sofisticado, muito mais inteligente e sutil, que atrai simpatias dos “sociais-hipócritas” da Europa. E a crise econômica, como se deu em outras épocas, pode mudar o discurso mas não altera, efetivamente, a política expansionista americana. E considerando ainda o contexto atual, com uma tendência esquerdizante e nacionalista muito nítidas emergindo na região, a América Latina, tradicionalmente vista como “quintal” dos EUA, passou a receber uma devida atenção na política externa norte-americana.
Não se deve descartar, então, a possibilidade de Manuel Zelaya ter sido derrubado do poder com apoio discreto dos Estados Unidos. Ou pelo menos, é pouco provável que tenha sido deposto sem esse consentimento. No entanto, Washington declara, oficialmente, que apoia seu retorno ao cargo – algo impossível de ocorrer, a menos que medidas concretas dos EUA fossem tomadas contra o governo golpista de Honduras. Para invadir e manter sob ocupação outros países ou para derrubar governos pelo mundo afora, nunca faltaram justificativas, sempre que isso fosse conveniente para os americanos , o que não é o caso da crise atual em Honduras. E mesmo medidas econômicas concretas, nesse caso seriam suficientes para neutralizar qualque governo de um país que tem 70% das suas exportações destinadas aos EUA. E observemos ainda que Manuel Zelaya é só um direitista que por conveniência se converteu ao chavismo, despertando por isso a ira da elite ultra-coservadora de um dos países mais pobres continente. Honduras é um dos países com a maior concentração de riquezas no mundo. As Companhias frutíferas americanas e a minúscula elite latifundiária agro-exportadora hondurenha sempre tiveram relações estreitas, e o históirico de intervenção norte americana no país tem mais de um século.
As sete bases norte-americanas a serem instaladas na Colômbia visam garantir, em última instância, a possibilidade de controlar uma região onde estão grandes reservas de água potável e petróleo, além de toda a riqueza e boideversidade que essa parte do mundo possui. Sob o pretexto de combater a guerrilha colombiana e o narcotráfico, as bases permitem, de fato, o rastreamento da Amazônia e garantem a capacidade de rápida intervenção militar num raio que cobre boa parte do território da América do Sul. Na verdade, o governo Obama parece dar continuidade, simplesmente, a uma política que os EUA já vinham promovendo para o sul do continente desde que que o governo Bush decidiu reativar a IV Frota Americana. Um tratado com o Paraguai permitiu, também, aos americanos instalarem uma base que lhes dá capacidade, por exemplo de tomar pontos estratégicos (como Itaipu) no coração do continente, com todas as implicações que isso tem. De lambuja, os acordos firmados com o governo Uribe minam a incipiente liderança brasileira sobre os outros países, o que também debilita a Unasul – União das doze nações da América do Sul, criada em 2008, sob influência brasileira. Em meio a uma recessão, os Estados Unidos enviaram mais de US$ 3 bilhões, a título de “ajuda” militar, para a Colômbia, até junho de 2009.

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