Genocídio: TPI condena ex-prefeito de Ruanda à prisão perpétua por crimes contra a humanidade


O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) condenou nesta terça-feira à prisão perpétua o ex-prefeito de Kigali, coronel Tharcisse Renzaho, por considerá-lo culpado do genocídio de 1994 no qual morreram mais de 800 mil pessoas.
"A câmara condena Tharcisse Renzaho a uma pena única de encarceramento pela vida", declarou o juiz que preside o tribunal, Erik Mose.
O ex-prefeito da capital de Ruanda foi declarado culpado de genocídio, assassinatos e estupros, as duas últimas dentro das acusações de crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Renzaho foi condenado especialmente pelo envolvimento no massacre de mais de cem tutsis, assassinados por milicianos interahamwe em 17 de junho de 1994, na Igreja da Sagrada Família no centro da capital. O tribunal concluiu que o ex-prefeito teve papel importante no início e no fim da operação.
A corte disse ainda que Renzaho participou do genocídio ao fornecer armas aos militantes. O ex-prefeito foi acusado ainda por não ter feito nada para impedir o ataque de um tanque do Exército contra casas de tutsis no qual 40 pessoas morreram.
Renzaho, 65, também foi acusado de enviar ordens através da Radio Ruanda pedindo que a polícia e a m,milícia construíssem e supervisionassem bloqueios nas estradas para interceptar, identificar e matar tutsis. Os juízes consideraram ainda que ele fez declarações que estimularam o estupro de mulheres e crianças tutsi.
O coronel negou todas as acusações. Ele foi preso em 2002 na República do Congo.
Criado em novembro de 1994 por resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o TPIR, com sede em Arusha (Tanzânia), tem por mandato buscar e julgar os principais responsáveis pelo genocídio de Ruanda.
Seis outros suspeitos do genocídio ainda estão a solta, incluindo Felicien Kabuga, considerado o principal financiador dos assassinatos.
A sentença de Renzaho aumenta para 39 o número de julgamentos concluídos pelo Tribunal --seis foram absolvidos.
A Corte tinha até o fim de 2008 para completar todos os julgamentos e até 2010 para ouvir todas as apelações.
O genocídio em Ruanda começou após o avião do presidente Juvenal Habyarimana ter sido derrubado em abril de 1994. Nos cem dias seguintes, cerca de 800 mil pessoas, a maioria integrantes da etnia tutsi, foram mortos por milícias da etnia hutu.
O genocídio terminou quando rebeldes tutsis assumiram controle do país. Cerca de dois milhões de hutus se refugiaram no vizinho Congo desde então.

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