Crise Mundial: Crise econômica se aprofunda na UE


Dados sobre os primeiros três meses deste ano mostram que a economia francesa entrou oficialmente em recessão. Na Alemanha, a maior da Europa, a economia sofreu nos três primeiros meses deste ano a maior contração em quase 40 anos, informou o governo do país nesta sexta-feira.
O Produto Interno Bruto (PIB) alemão caiu 3,8% em relação ao trimestre anterior, devido à queda das exportações e investimentos. A queda foi pior do que os 3,2% previstos e "a maior contração desde o cálculo e publicação de estatísticas trimestrais em 1970", disse o instituto de estatísticas alemão.
A Alemanha entrou em recessão técnica (seis meses seguidos de queda do PIB) no terceiro trimestre do ano passado. No último trimestre de 2008, a economia alemã havia encolhido 2,2%. A economia alemã é baseada em exportações, que foram fortemente afetadas pela crise econômica global.
Na França, estatísticas mostram que a economia francesa caiu 1,2% no primeiro trimestre, o que já era esperado pelo governo. O setor automotivo e as exportações foram os mais afetados.
Segundo o instituto nacional de estatística Insee, a queda do PIB é menor do que a redução de 1,5% sofrida no trimestre anterior. Ainda assim os dados foram suficientes para colocar a economia francesa oficialmente em recessão.
O ministério da Fazenda francês acredita que a economia do país vai contrair 3% neste ano - o dobro do que havia sido previsto anteriormente pelo governo. A ministra Christine Lagarde disse, em nota oficial, que as previsões francesas e de organismos internacionais é de que a França vai começar a se recuperar "gradualmente em 2010".
Já o governo alemão prevê que o PIB da Alemanha cairá 6% em 2009.


BERLUSCONI DIZ QUE CRISE É PSICOLÓGICA

Apesar do PIB (Produto Interno Bruto) italiano ter caído 5,9%, a pior queda desde 1980, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, o premiê do país, Silvio Berlusconi, disse que a crise seria fundamentalmente psicológica. "Nas crises, o fator principal é o psicológico e por isso nosso dever é transmitir confiança e otimismo", disse o premiê.
De acordo com o Instituto Italiano de Pesquisa e Estatística, o dado se refere aos primeiros três meses do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Comparando o primeiro trimestre de 2009 com o ultimo de 2008, a redução foi de 2,4%, sendo a quarta queda consecutiva.

Melhora
Segundo Berlusconi, esses dados eram esperados.
Após recordar que a Itália não é o único pais a sofrer com a crise econômica, Berlusconi declarou aos jornais que, segundo as empresas italianas, a situação esta melhorando.
"A crise é a pior que já enfrentamos mas todos os contatos com as empresas nos dizem que há uma melhora da situação", afirmou Berlusconi.
Alguns ministros econômicos do governo Berlusconi também afirmam que a tendência da economia é melhorar.

Críticas
Mas as declarações de Silvio Berlusconi, falando do aspecto psicológico da crise, provocaram reações da oposição.
Segundo o ex-premiê Massimo D'Alema, do partido democrata, de oposição, a situação econômica italiana é pior do que a dos outros países europeus.
"Os dados de hoje dizem que estamos diante do desmoronamento da economia italiana, que é muito superior à média europeia, e temos um governo que faz demagogia e confusão diante de uma situação dramática do país", disse D'Alema.
O líder do partido democrata, Dario Franceschini, criticou o fato de o premiê afirmar que o problema é, antes de mais nada, psicológico.
"Queria que ele explicasse a um aposentado que não compra comida porque não tem dinheiro, ou a um comerciante que não consegue crédito no banco, que o problema deles é psicológico", disse Franceschini.
Na avaliação de Massimo D'Alema, o governo não esta enfrentando o problema como deveria.
"Tem gente que pensa que para enfrentar as doenças é suficiente contar piadas. Muitas vezes, dessa forma o doente piora".
Segundo analistas econômicos, para enfrentar a crise, o governo de Silvio Berlusconi adotou medidas de apoio a famílias e empresas. Mas de acordo com os especialistas, o enorme débito público limita as possibilidades de agir.
Conforme as previsões para 2010, o débito público da Itália, considerado como o maior da União Européia, deve chegar a 112% do PIB.

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