Liberdade para Aung San Suu Kyi


Assim como o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi se tornou um símbolo internacional de resistência heroica e pacífica diante da opressão. Para os birmaneses, Suu Kyi, de 63 anos, representa sua melhor e talvez única esperança de que um dia a repressão militar chegue ao fim no país.Como ativista pró-democracia e líder da oposição pelo partido Liga Nacional pela Democracia (LND), ela passou mais de 11 dos últimos 19 anos detida de alguma forma, sob o regime militar de Mianmar.
Em 1991, ela recebeu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços por trazer a democracia para Mianmar. Ao anunciar o prêmio, o chefe do comitê do Nobel da Paz, Francis Sejested, disse que ela "é um exemplo fora de série do poder dos oprimidos".

Prisão domiciliar
Depois de um período fora do país, Aug San Suu Kyi voltou a Mianmar em 1988. Ela foi presa no ano seguinte, quando os líderes birmaneses decretaram lei marcial, e mantida em prisão domiciliar em Yangun por seis anos, até ser libertada em julho de 1995.
Ela voltou a ser presa em setembro do ano 2000, quando tentou viajar para a cidade de Mandalay, desafiando as restrições impostas à sua circulação.
Em maio de 2002 ela foi libertada incondicionalmente, mas apenas um ano depois foi presa novamente, depois de confrontos entre ativistas da oposição e manifestantes pró-governo.
Depois de uma operação ginecológica em setembro de 2003, ela recebeu autorização para voltar para casa, mas ainda sob prisão domiciliar.
No verão de 2007, houve protestos em todo o país contra o preço dos combustíveis, seguidos por manifestações contra o governo lideradas por monges budistas, reprimidas violentamente pelo governo.
Em setembro do mesmo ano, Suu Kyi reapareceu na porta de sua casa - pela primeira vez desde 2003 - para se reunir com alguns dos monges.
Em maio de 2009, quando estava prestes a expirar sua sentença, a LND apelou ao governo para que soltasse Suu Kyi, alegando que ela sofria de pressão baixa e desidratação, mas o apelo foi rejeitado.
Ela foi levada à prisão de Insein para esperar o julgamento, previsto para o dia 18 de maio.
Os críticos afirmam que a prisão tem o objetivo de mantê-la longe do olhar público até as eleições, marcadas para 2010.

Visitas diplomáticas
Durante os períodos de confinamento, Aun Sang Suu Kyyi se manteve ocupada estudando e se exercitando.
Ela meditava, estudava francês e japonês, e relaxava tocando composições de Bach ao piano.
Nos últimos anos, ela conseguiu se reunir com alguns líderes da LND e alguns diplomatas internacionais, como o enviado especial da ONU Razali Ismail.
Mas durante os primeiros anos de detenção, Suu Kyi esteve constantemente em confinamento solitário e nunca foi autorizada a ver seus dois filhos ou seu marido, o acadêmico britânico Michael Aris, que morreu de câncer em março de 1999.
Quando seu marido estava no leito de morte, as autoridades militares permitiram que Suu Kyi viajasse para a Grã-Bretanha para vê-lo, mas ela recusou por medo de ser proibida de retornar ao país.
Aung San Suu Kyi já disse mais de uma vez que a prisão a deixou ainda mais decidida a dedicar o resto de sua vida a "representar o cidadão birmanês comum".
O enviado da ONU Razali Ismail disse privadamente que ela é uma das pessoas mais impressionantes que ele já conheceu.

Vida fora
Muito do apelo de Aung San Suu Kyi em Mianmar se deve ao fato de ela ser filha de um dos heróis da independência, o general Aung San.
Ele foi assassinado durante o período de transição em julho de 1947, apenas seis meses antes da independência. Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.
Em 1960 ela foi morar na Índia com a sua mãe, Daw Khin Kyi, que foi nomeada embaixadora em Delhi.
Quatro anos depois ela foi para a Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, onde estudou filosofia, política e economia. Lá ela conheceu o futuro marido.
Depois de viver e trabalhar no Japão e no Butão, ela se resignou a ser uma dona de casa, casada com o acadêmico britânico e criando os filhos Alexander e Kim.
Mas Mianmar nunca esteve distante de seus pensamentos. Quando voltou a Yangun em 1988 - inicialmente para cuidar de sua mãe, que estava doente - Mianmar passava por uma grande reviravolta política.
Milhares de estudantes, trabalhadores e monges foram às ruas exigir reformas democráticas.
"Eu não poderia, sendo filha de meu pai, permanecer indiferente ao que se passa", disse ela em um discurso em Yangun, em 1988.
Pouco depois, ela foi lançada à liderança da revolta contra o general Ne Win, que governava o país.
Inspirada pelas campanhas não-violentas por direitos civis de Martin Luther King, nos Estados Unidos, e de Mahatma Ghandi, na Índia, ela organizou comícios e viajou pelo país, pedindo reformas democráticas pacíficas e eleições livres.
Mas as manifestações foram brutalmente reprimidas pelo exército, que assumiu o poder em um golpe no dia 18 de setembro de 1988.
O governo militar convocou eleições nacionais em maio de 1990. O partido de Suu Kyi venceu as eleições com larga vantagem, apesar de ela estar sob prisão domiciliar e não estar autorizada a concorrer.
Mas a junta militar se recusou a entregar o poder, que manteve desde então.

Comentários